O salão respirava expectativa. A cada minuto que passava, os murmúrios se tornavam mais contidos, quase respeitosos. Era como se todos esperassem a orquestra invisível que regia aquele espetáculo de poder anunciar a primeira nota. Os lustres cintilavam em reflexos dourados, como estrelas aprisionadas sobre as cabeças dos convidados. O tilintar de taças ainda ecoava, mas suavemente, sem a informalidade das conversas de antes. Agora, a atenção se concentrava na tribuna onde o leiloeiro ajeitava papéis e ajustava o microfone. Jean Moretti — ou Sicário, como todos preferiam sussurrar — permanecia sentado com o corpo relaxado, mas os olhos atentos, calculando cada movimento do ambiente. Ao lado dele, Izzie mantinha a postura que ele exigira: coluna ereta, queixo levemente erguido, expressão se

