Mundus Vini -2ªdia

2151 Words
Na manhã seguinte, Manuela foi a primeira a acordar e percebeu que as duas haviam feito uma grande bagunça e agora estavam na cama que seria de Alice. Ela levantou lentamente pois estava em cima de Alice coberta apenas pelo lençol e foi buscar pelo seu celular. Viu todas suas chamadas e resolveu ligar imediatamente para seu irmão. -Você sabe que horas são no Brasil para estar me ligando? - Matteo acordou já xingando sua irmã do outro lado da linha. -Não era você que estava me ligando ontem a noite? -Disse bem, ontem! - o garoto sentou na cama. -Aliás, onde você se meteu? A mamãe estava morta de preocupada com você. -Bebi demais na degustação ontem, voltei para o hotel e apaguei. -É? E o Stefan? -Não sei, deve estar em seu quarto no hotel, provavelmente dormindo. Irei me encontrar com ele depois do café. -Ué, não estão no mesmo hotel e nem no mesmo quarto? - a mulher viu a ruiva se remexer e então dar indícios de que iria acordar. -Longa história! Depois te conto tudo, avisa a mamãe que estou bem. Tchau, te amo. - ela nem esperou o irmão respondeu e já desligou logo o celular olhando apenas para a mulher a sua frente. -Guten Morgen! - ela deu bom dia em alemão sem graça. -Morgen! - Alice respondeu claramente ainda acordando, pois estava coçando os olhos. - Estamos muito atrasadas para o café da manhã do hotel? -É, eu tenho quase certeza que sim. Melhor tomarmos café na rua. -Vamos juntas? - a mulher perguntou levantando se enrolando no lençol, pois também estava sem nenhuma roupa e foi direto para a janela olhar a vista. -Eu já tinha marcado com o Stefan, desculpa! - atrás dela, Manuela estava procurando uma roupa para tomar um banho e sair dali. -Não precisa pedir desculpas. - ela se virou -Talvez quem precise pedir desculpas sou eu, por ontem. Meio que me aproveitei porque você estava alta. -Eu não sou criança, eu sei o que eu estava fazendo. E por mais que eu estivesse bêbada, eu sei o que estava fazendo. - as roupas foram colocadas em seu braço e a garota fez menção para ir ao banheiro, mas Alice segurou seu braço a fazendo voltar. -Está arrependida de ontem? - a trava de olhares de cores azul no preto brilhava. Pausa. -Não! Mas também não é algo que me orgulhe. - a força que ela fez em seu braço a fez se soltar. - Eu tenho um namorado e ontem eu o traí. -A qual é, nem você acredita nesse namoro com seu galã. -Sinceramente esse não é um assunto que eu quero tratar com você, principalmente logo de manhã, depois de passar uma noite prazerosa com minha arqui-inimiga. -Ei, nossos pais são, nós não. - a menina sorriu de lado. -Você entendeu! -O que eu entendo é que tivemos uma noite maravilhosa e você parece que está correndo de mim. - ela a puxou pela cintura e ficaram frente a frente. -Nós não temos rixas, temos uma paixão desde da faculdade, é bem diferente. -Fale por você! -Eu falo por nós duas, do jeito que você gemeu meu nome ontem, talvez ainda se lembre de como é bom t*****r comigo. -É isso que eu odeio em você, sabia? Sua soberba! - antes dela sair dos braços de Alice a mesma a beijou, beijo simples mas com pegada que parecia deixar a Cesarini mareada. -Se você quiser mais disso, me pede pra ficar essa semana e podemos fazer isso todos os dias. -Pensando melhor agora, talvez não seja uma boa ideia. - essa resposta a deixou surpresa. -Uau! Ontem você não tinha essa história. - a mesma a soltou. -E é por isso que não estamos juntas. Você é covarde! -Não começa a me atacar uma hora dessa. Eu só mudei de opinião. -Mudou de opinião depois de ter gozado três vezes ? Nossa Manuela, você não se n**a ser uma Cesarini. É como dizem, está no seu sangue. Aproveita todo o final de semana, fica na casa do seu namorado, conhece a família dele, ele não tem chances de te derrubar. - a mulher agora seguiu para o banheiro. - Ah e garanta que ele também te faça gozar ao menos três vezes. - a porta do banheiro bateu. Aquele não era um inicio de manhã que Manuela queria, mas também não queria transformar no que tinha sido apenas um s**o em algo maior. As mulheres não se viram durante a tarde e Manuela parecia mais aérea do que o normal o que fez Stefan perceber, ela avisou que estava pensando no evento de ontem e que estava nervosa com conhecer a família de Stefan naquele final de semana. -Eu já falei com a Nona, ela já até separou um quarto para nós.- ele falou animado - E eu já comprei nossas passagens. Partimos amanhã às 11hrs. -Acha que vai dar tudo certo ? -Porque não? Eles não te conhecem, você é minha namorada do Brasil e nós passamos muito bem por um casal apaixonado. É só uns beijos aleatórios e todos acreditam. Aqui não temos a mania de abraçar e beijar o tempo todo. -Ótimo!- eles passearam mais um pouco na cidade e ao chegar no quarto, a mulher que ela havia trocado carícias na noite anterior não estava. A Cesarini apenas se arrumou um pouco menos chamativa do que no primeiro dia para assistir às palestras e saiu para o evento. Por má sorte dela, ela não encontrou sua sócia. Ela não viu sua companheira de quarto chegar ao hotel naquela noite, da mesma forma que não a viu ir embora de manhã, apenas percebeu um bilhete em cima da cama da mesma e o leu. “Evento brilhante. Teremos boas oportunidades. Boa estadia! Ps: Nosso segredo sempre estará guardado. Gute Reise!” O percurso durava mais ou menos duas horas, as quais Manuela fez questão de não trocar muitas palavras com Stefan, ela ainda pensava na noite com Alice e como a havia tratado na manhã seguinte. -Aconteceu alguma coisa com você? Não fala já faz meia hora. - Stefan perguntou olhando para a mulher sentada ao seu lado no vagão do meio do trem que pegaram. -Não, estou bem. Apenas pensando em como agradar sua família. -Ah, acredite! Não precisa muito. - Stefan deu de ombro. -Só seja simpática. E nada de dizer que sua família é rica, por favor. -Claro que eu não vou dizer isso, mas eu trouxe o vinho para sua Oma. Será que ela vai saber que é meu? - Stefan a fuzilou com os olhos. -Então não fala seu sobrenome. -Tá, tudo bem! Já entendi! - eles trocaram mais algumas palavras sobre o lugar no qual passavam e finalmente chegaram no lugar desejado. A casa tinha vigas de madeira escuras pretas contrastam com o reboco branco, criando um visual clássico e atemporal. O teto era coberto de telhas vermelhas que davam um toque de calor e robustez à estrutura. Haviam janelas com molduras de madeira, pintadas em um tom suave de creme ou marfim, destacam-se contra o fundo branco e adicionam um charme adicional. Era relativamente grande. -Uau! Parece uma daquelas mansões de bruxelas! -Você vai adorar por dentro. - Stefan a segurou pelas costas e a levou para dentro da casa. ao bater a porta e chamar por sua avó, ele já foi entrando. -Oma, es ist Heiden! - Ao entrar na casa, você é imediatamente saudado por um hall de entrada espaçoso e acolhedor. O piso é feito por tábuas antigas, que parecem contar histórias de gerações passadas. As paredes são revestidas com paineis de madeira escura que exalam um aroma reconfortante de pinho envelhecido. -Heiden! - a voz de uma mulher se fez presente de um cômodo distante. -Estou em casa e trouxe visitas. - o homem falou entrando mais ainda na casa. -Nossa, aqui é lindo e rústico! - Manuela falou para si mesma, mas Stefan escutou. -É realmente lindo, eu nasci e cresci aqui. Antes de ir pro exercito, claro. Felicie tinha cabelos grisalhos bem cuidados, presos em um coque trançado. Seu rosto é sereno, com rugas suaves que refletiam anos de sorrisos e sabedoria. Seus olhos brilhavam em sua tonalidade azul, igual ao de Stefan, mas transmitem acolhimento e felicidade ao ver o neto. -Christopher, querido!- a mulher foi logo abraçá-lo assim que o viu.O abraço foi longo.- Como você está querido?- por mais que Manuela falasse alemão também, eles falavam em português. -Olá, Oma! Também estava com saudades! - eles se separaram - Essa é a Manuela, minha namorada, como eu havia te falado por mensagem. -Sim, claro! -Olá, Senhora Felicie! Muito prazer! - a garota estendeu a mão toda educada. -Que isso querida, pode me chamar apenas de Felicie. Ou Oma, se preferir. - a mulher a agarrou em um abraço e por mais que Manuela não fosse de carícias, adorava um abraço. Elas trocaram algumas palavras e antes que pudessem falar sobre algo, a mais velha disse que o antigo quarto do Heiden estava pronto para eles. -Hã, vamos ficar no mesmo quarto? - Manuela perguntou assustada, mas sem graça. -Achei que como vocês são namorados, não haveria problema. - a mulher respondeu sorrindo enquanto subia as escadas na frente do casal, então eles se olharam e Stefan revirou os olhos mandando ela ficar quieta. -É que a família da Manuela é muito conservadora, Oma. Isso nunca aconteceria na casa dela. - Stefan contornou a situação. -Entendo! Gostamos de tradições, mas não somos idiotas. Vocês já são bem adultos e seria uma grande felicidade para a nossa família, mais uma criança. -Criança? - Manuela ficou assustada mais uma vez. -Vamos com calma, Oma! - Christopher riu assim que entraram no quarto. -Nossa, tudo parece estar do mesmo jeito. - o homem sentiu uma nostalgia. -Você organiza as coisas, enquanto eu levo a menina para conhecer o resto da casa e os outros moradores. Nos encontre na cozinha quando acabar. - as duas mulheres desceram e realmente haviam algumas pessoas na casa e outras que ainda iriam chegar, Manuela conheceu mais gente que imaginava e acabou indo para a cozinha com a mais velha. Ela disse que não tinha familiaridade nenhuma com a cozinha e Felice acreditava, já que a garota havia dado um vinho relativamente caro. Elas trocaram conversas, a mais nova tentou dar menos detalhes possíveis de sua vida. A mulher parecia se divertir, até perceber Stefan parado na porta de braços cruzados sorrindo. -Se divertindo? - ele a perguntou. -Um pouco! -Quer dar uma volta? Conhecer o bairro. -Iria adorar! - a garota tirou seu avental de cozinha e foi em direção a ele. -m*l chegou e já vai sair? - a avó perguntou. -Vou mostrar o bairro, Oma. Teremos tempo para conversar no jantar. - ela a beijou na bochecha e foi levando Manuela até a saída. -Voltem a tempo do jantar! - a mulher ainda gritou e os dois escutaram sorrindo. -Adorei a sua avó!- Manuela falou assim que os dois foram para a rua. -A minha é um porre, só sabe falar de negócios e dinheiro. -Eu não esperava por menos! - o homem deu o braço e ela entrelaçou nele. Os dois conversaram e caminharam por um bom tempo. Eles passaram pela Praça do Mercado e pela Igreja de São Jorge, tiraram fotos e foram até a Rua dos Poetas, onde viram diversas lojas de artesanato, cafés e galerias de arte. -Um café e pronto, temos que jantar com todos. Tradição, disso você entende não é? -Claro! Como toda a cidade, tudo aqui é tradicional. -Exatamente! - os dois chegaram e já estava uma agitação na sala de jantar, todos já sabiam que Stefan, ou melhor, Christopher, estava na cidade com uma garota bonita. O jantar foi regado a conversas e vez ou outra o casal trocava olhares e Manuela sorria, ela havia gostado de estar entre eles. Agora no quarto, eles conversavam enquanto Stefan forrava um lençol no chão para dormir. -Eu gostei de jantar com sua família, parece uma grande confusão, claro. - os dois riram -Mas é bom estar em família grande e que se dão bem. -Pensa em ter uma família grande? -Eu penso, só não sei se vou conseguir. - a menina deu de ombros -Sabe, sua cama é grande, não precisa dormir no chão. Pode dormir aqui se quiser. -Tem certeza? -Tenho! Só não vem com gracinhas, senão eu grito. - ele riu - E eu não estou brincando! - a cara dele ficou séria em questões de segundos. - Tudo bem, podemos fazer uma barreira com lençois e travesseiros. - ele falou já montando no meio deles. -Eu tenho códigos! -Boa noite, Stefan! - ela revirou os olhos e virou para se deitar. -Gute Nacht, Manuela! - ele riu e virou para o outro lado.
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