Três semanas após o contrato assinado, Dalio agora tratava diretamente com Manuela e Alice, já que os Laurent não abriram mão de sua parte no vinho. Ficou acordado de que as duas iriam para o Mundus Vini para representar o vinho, pago pela empresa de Dalio e assim que ganhasse a medalha, assim como eles previam, o prêmio seria dividido.
-Então, além de ganharmos uma medalha, o qual você tem certeza que iremos ganhar. - Alice comentou em meio a conversa deles no café que sempre iam. -Iremos chamar novos clientes?
-Exatamente, pequena Laurent! - Dalio a pontuou. -Queria também levar umas amostras, podemos fazer uma lista e verificar quais clientes seriam mais classificados.
-Claro, o Matteo pode fazer isso e o Stefan também pode ajudar.- Manuela comentou.
-Não sabia que o Stefan estava envolvido. - Alice comentou mais alto do que pensou.
-Ele está! E ele também vai para a Alemanha. Pode ser de muita ajuda ele conosco.
-Ótimo, se nos ajudar com as vendas e não tirar seu foco, por mim tudo bem. -Dalio deu de ombros e acabou por concordar. -Mas que fique claro que não vou pagar para ele. - o homem riu em deboche. Alice sorriu de lado.
-Não se preocupe, ele mesmo irá pagar tudo.
-Perfeito! - o homem olhou o relógio. -Eu tenho uma reunião agora, preciso ir. - ele levantou
-É, acho que acabamos por aqui. Até logo! - a mulher ruiva vestiu seu blazer e fez menção para sair.
-Também tem uma reunião? - ela perguntou tomando um gole de café.
-Não tenho, mas também não quero ficar falando de seu namorado e sobre ele ir na nossa viagem de negócios.
-Nossa? Não existe nossa. Era uma coisa da minha família, mas claro que você não consegue e tem que se meter. - a mulher falou rapidamente sem pausa.
-Perdão? Você quer dizer alguma coisa? - as duas se encararam. -Anda, Manuela, fala!
-Não, eu não quero dizer nada. Pode ir, depois nos falamos. - Alice soltou uma risada irônica.
-Corajosa para umas coisas e tão covardes para outras. - a mulher levantou -Nos vemos! - ela foi embora deixando uma Cesarini bastante irritada. Aliás, essa era a especialidade da ruiva. Antes de voltar para a empresa, a mulher resolveu passar na escola de seu irmão e pegá-lo para conversarem sobre o evento e que precisava da ajuda dele.
-Dá para você não me tirar mais das minhas aulas de laboratório? - o garoto perguntou no carro para sua irmã.
-Para que aula de laboratório? Você nem vai precisar disso.
-Deixa de graça, eu gosto. - o garoto foi tirando sua farda da escola e colocando outra camisa. -O que você precisa?
-Você sabe que vamos ao Mundus Vini, correto? - ele balançou a cabeça parecendo óbvio. -Mas, precisamos de uma lista de clientes que possivelmente estarão lá para podermos vender nosso vinho.
-E onde eu entro nisso?
-Preciso dessa lista.
-E como eu vou conseguir?
-Você tem contatos que eu sei. - eles se olharam rapidamente -Você não fez amizade com a menina da família da máfia? Tenta falar com ela.
-Eu não conheço ninguém da máfia, não sei do que você está falando.
-Matteo, eu sei o que você faz e com quem você fala. Nem adianta mentir para mim.
-Você é um saco!
-Eu sou sua irmã mais velha, é minha obrigação saber o que você está fazendo! - o menino revirou os olhos. - Anda, onde eu te deixo?
-Manuela, eu não sei! Estou te falando sério, eu não sei onde acho ela.
-Está bem! Vamos para a empresa e você vai usar o notebook para achar quem quer que seja. Estamos entendidos?
-Manuela, não é assim que funciona. Ela é uma pessoa legal, não falamos de negócios.
-Estamos entendido, Matteo? - ela frisou para o irmão falando fortemente.
-Estamos! - foi a última palavra do garoto antes deles chegarem até a empresa. Os dois subiram calados e foram direto para a sala de Manuela. Chegando lá o garoto sentou no sofá e pegou o notebook e ficou quietinho. -Você ficar com raiva não me comove em nada.
-Não me enche, tá? Faz o que você tem que fazer e me deixa em paz.
-Ui, revoltadinho! Tudo bem, bebezão! -ela ainda brincou com seu irmão antes de voltar a ler os papeis que haviam em sua mesa. O fim da tarde se passou e os irmãos ficaram ali até o anoitecer e antes de voltarem para a casa, resolveram sair para jantar.
-O que você quer jantar? - a mulher perguntou quando estavam descendo o prédio.
-Posso escolher mesmo ou você vai mandar no que eu vou escolher?
-Ai, Matteo! Quanto drama! Diz logo o que quer.
-Sushi! No nosso lugar!
-Boa escolha! - os dois entraram no carro e foram comer no sushi que geralmente os dois sempre iam juntos. Antes de voltar a falar normalmente com sua irmã, o garoto mais novo fez todo um drama. Após o jantar os irmãos foram para a casa e tiveram uma surpresa ao entrar pela porta da frente.
-Perderam o jantar! - a voz de Helena se fez presente assustando os dois.
-Que susto, mamãe! - Matteo falou com a mão no coração. -O que a senhora está fazendo acordada essa hora?
-Meus filhos não vieram jantar, não recebi nenhuma mensagem, não devo ficar preocupada?
-Não vejo motivos! - Manuela tomou a voz e os dois começaram a andar em direção a escada.
-Aonde vocês estavam? - os dois pararam ao mesmo tempo. -Posso ter uma resposta?
-Pode, mamãe! - Manuela deu meia volta. -Matteo, pode subir, eu cuido daqui. - antes do garoto subir olhou para sua mãe que com o olhar lhe deu permissão. O garoto subiu e a Cesarini mais velha chegou próximo a sua primogênita.
-Então, aonde estavam?
-Fomos jantar fora, mamãe! Apenas eu e o Matteo. Antes que a senhora comece, peguei ele para falarmos sobre o Mundus Vini, eu preciso de contatos e o Matteo pode conseguir para mim. Foi apenas uma coisa de irmãos.
-Contatos? De quem estamos falando? - ela cruzou os braços.
-Possíveis clientes que estarão no evento.
-Seu pai não pode te ajudar? Não pensou em falar com ele? - Manuela riu em deboche. -Ou até mesmo eu. Não é porque não estou na empresa que não estou ativa nos negócios. Eu conheço muita gente.
-Conhece, mamãe? Eu sinceramente não sei porque você não me fala.Mesmo nós só falando de negócios, eu nunca sei do que você toma conta e do que não.
-Podemos conversar, é só você querer. - Manuela sorriu novamente.
-Tudo bem, mamãe. Podemos falar sobre isso amanhã?
-Claro, boa noite querida! - a mulher respondeu e subiu as escadas em silêncio. Tomou um banho demorado pensando aonde sua mãe queria chegar, pois sabia que ela não dava ponto sem nó. Após todo seu momento no banho, a garota deitou em sua cama e foi ver suas redes sociais e mensagens, assim adormecendo.
No outro dia, o café da manhã dos Cesarinis foi mais animado que o normal de todos os dias. Ao descer as escadas e ver que a mesa não estava posta e nem seus pais ali, fez Manuela duvidar, mas foi até a cozinha. Chegando lá, viu a cena que não via a muito tempo, sua mãe cozinhando enquanto seu pai e Matteo estavam sentados no balcão esperando.
-Eu estou tendo uma visão?
-Bom dia, querida! - a mãe respondeu a filha se virando com uma assadeira, colocando ovos e bacons em cima das torradas no prato dos homens. -Ovos e bacon?
-Claro! - ela apenas sentou ao lado do irmão. -O que está acontecendo?
-Sua mãe acordou com o espírito de dona de casa, coisa que ela não é, já faz tempo. - o homem comentou comendo sua torrada.
-Eu ainda sou, administro a casa e isso é ser dona de casa. Assim como também, sei das coisas da empresa. - nesse momento a mulher olhou para sua filha.
-Perdi alguma coisa? - o homem perguntou alternando os olhares entre sua filha e sua esposa. -Se tem algo para falar, falem.
-Não temos nada, papai!
-Absolutamente nada! - a mais velha concordou e voltou para a beira do fogão.
-O que aconteceu ontem? - Matteo perguntou baixinho para sua irmã.
-Nada demais, parece que a senhora Cesarini irá me ajudar. - ela respondeu baixo. -Mamãe, consegue me ajudar naquele assunto de ontem?
-Sim, querida! Hoje irei para a empresa com vocês. Passo na sua sala assim que possível. - a menina concordou e eles terminaram o café da manhã trocando informações dos acontecimentos no dia e até bateram as agendas para verificar os compromissos.
Como não acontecia há muito tempo, o almoço foi em família no restaurante que Helena mais gostava da região. Aquilo gerou burburinhos na empresa, mas nada com que eles já não estivessem acostumados.Com a ajuda de sua mãe, Manuela tinha sua lista.
Passagens compradas. Hotel reservado. Vinhos separados. A viagem aconteceria naquele final de semana, Manuela e Alice iriam ficar 4 dias hospedadas no hotel mais próximo do evento, assim como Stefan também. Houve piadas de Matteo e preocupação de Helena sobre a ida de Stefan, mas dessa vez, Victor se mostrou mais do que satisfeito com a presença dele com a filha para demonstrar que ela não estava sozinha e havia uma figura masculina ao seu lado.
-Ora, Victor! Você trocou três palavras com o homem e já está jogando nossa filha em seus braços. - Helena estava conversando com seu marido no escritório.
-Ela não está namorando com ele? Não estou jogando ninguém não! Ela se jogou e sozinha! - o homem tirou seus óculos, o qual usava apenas para leitura, e a olhou. -Não se preocupe, eles vão ficar bem.
-Você conhece a família dele?
-Da Alemanha! Talvez seja por isso que ele queira tanto ir, rever a família.
-Talvez você esteja certo. Ela não ficando sozinha com aquela Cesarini, é o que me importa.
-O que tanto você tem contra a menina? Ela é a menos pior de todos eles.
-Você quer que as duas virem amiguinhas? - a mulher o questionou rapidamente.
-Não, não! - ele mostrou rendição com a mão.
-Ótimo! Então faça o favor de ficar de olho nelas.
-Você não deveria estar preocupada com o tal do Stefan? - Victor soltou os papeis e deu total atenção a sua mulher.- Ele chegou agora em nossas vidas e está bem próximo da Manuela. É a primeira vez que eu vejo um namorado durar mais de dois meses.
-Ora, não era isso que você queria? Que ela se casasse e tivesse filhos? Pois então, ela está seguindo sua vontade.
-Não seja hipócrita, você quer tanto quanto eu.
-Eu não o conheço o suficiente para dizer o que eu quero em relação a eles dois, mas ele me parece bem afeiçoado e educado. Gostaria de conhecer a família dele.
-Vá para a Alemanha com eles e então os conheça! - o homem ironizou sabendo que irritaria sua esposa.
-Não me provoque, Victor! - ela respondeu com os olhos semicerrados e saiu do escritório indo em direção ao quarto da sua filha. Por mais esquisito que aquilo parecia, as duas conversavam sobre Stefan e sobre a viagem que eles acabaram indo juntos. Manuela comentou que iria conhecer a família do Stefan, assim deixando a mãe mais tranquila.
-E a Alice? - ela perguntou despretensiosamente, dobrando umas roupas que Manuela estava separando para colocar na mala.
-Não sei, mas sei que comigo ela não vai estar. Não mais do que o necessário.
-Além de tudo, vocês vão a negócios. Não demonstrem que somos rivais na frente de todos e tampouco que somos próximos, se é que você entende o que quero dizer.
-Entendi, mamãe! Pode ficar tranquila, eu vou estar com o Stefan, lembra? Não precisa ter preocupações.
-Eu acho que fico mais tranquila! Te levarei ao aeroporto amanhã com o Matteo.
-Não precisa se incomodar!
-Faço questão! - a mulher encerrou a conversa e saiu do quarto da sua filha. A mulher terminou sua mala enquanto trocava mensagem com seu namorado.