_ Gostaria de saber o que houve entre você e o Sr Sheldon. Você pode me contar?
_ Eu não sei o que houve _ divaguei sobre o passado um pouco _ Acho que eu passei uma impressão errada, sei lá. Ele me agarrou com muita força, e tentou me forçar a... _ chorei sem perceber _ Nem sei como eu me consegui me livrar dele... Eu fugi do hotel, peguei o primeiro avião de volta e pedi demissão.
O Dream estava parado diante de mim, sem expressão no rosto. O seu olhar era tão atento sobre mim que ele parecia não respirar.
De repente, se aproximou de mim e secou minhas lágrimas e me fez levantar, me abraçou.
_ Sempre achei que fosse o Sheldon quem te fazia chorar. Vem comigo.
Pegou a camisa que tirara e vestiu de novo.
_ Para onde?
_ Um lugar bem divertido. Acho que você vai adorar, eu sei que eu vou.
Mexeu no celular e na sala, os seguranças esperavam. Saímos de moto. Chegamos numa casa chique. A empregada abriu a porta e os seguranças foram entrando. Vasculhando a casa. Por último entrei eu e o Dream. O Sr Sheldon estava com sua nova esposa no sofá e ficou branco quando viu o Thomas ao meu lado.
_ Eu não fiz nada _ se apressou em dizer.
_ Mas tentou com afinco, não foi? _ o Dream acusou.
Um dos seguranças me entregou uma arma e outra para o Thomas. A mulher começou a chorar.
Continuou _ Tá na hora de praticar tiro ao alvo com o alvo certo, querida. Ninguém, nunca vai saber que foi você.
Eu destravei a arma e mirei, não pensei em nada além de toda a dor que eu sentia. Um cheiro de gasolina, querosene e mais algumas substâncias invadiram o ambiente.
_ O que está acontecendo?
_ Justiça.
_ Eu não...
_ Você quer. Eu sei. Você também sabe. Aperte o gatilho e seja piedosa. Se você não o fizer, vou queima-lo vivo.
_ Vamos embora _ pedi.
_ Não posso deixar testemunhas.
Foi quando eu percebi que todos iriam morrer por que eu não segurei a onda, e falei tudo.
A voz do Dream me veio a memória. "Não atire até ter certeza"... "Respire e atire quando começar a soltar o ar"... _ descarreguei a arma no alvo acertando peito e cabeça. _ "O seu inimigo está morto".
Todos estavam mortos dentro da casa, o fogo começava a se alastrar. Foi tudo muito rápido entre entrar e sair. As motos já estavam longe, quando alguém percebeu as chamas.
Eu matei o meu inimigo.
Assim que desci da moto, em casa, a adrenalina passou e pânico tomou conta de mim. Retirei o capacete e vomitei no chão da garagem. Senti quando o Thomas pegou os meus cabelos e segurou todo junto em sua mão. Uma garrafa de água mineral surgiu na minha frente, assim que eu terminei. Bebi toda água da garrafinha, tirando o gosto r**m da garganta, lágrimas corriam pelo meu rosto sem que eu pudesse controlar.
O Dream me abraçou pelo bumbum, elevando o meu corpo em seu colo e seguiu para dentro de casa. Meus braços estavam ao redor dos seus ombros e minha cabeça se apoiava sobre um deles. Ele sentou no sofá na sala, comigo em seu colo. Começou a beijar o meu pescoço, deslizava as mãos pelas minhas costas e cintura.
_ Eu matei um homem _ falei quando consegui.
_ Você matou um inimigo, não um homem. Matou o m*l que ele te fez, o m*l que ele representou para você. Qualquer um que te faz m*l, merece receber esse m*l de volta.
_ A justiça é de Deus.
Ele me encarou muito sério, como se eu tivesse dito a coisa mais sem nexo que ele já ouviu. Era como se eu não fosse mais inteligente ou esperta e sim um homem das cavernas. Pensou, mudando a postura para protetor. Secou o meu rosto com as mãos e segurou me olhando.
_ O acaso não é confiável. Não se deve deixar as coisas ao acaso, não as importantes. E algo que te causa dor ao ponto de chorar, é importante.
_ Dream, eu não...
_ Você não o matou. Fui eu _ afirmou _ Usei as suas mãos para fazer isso, porque eu quis te dar esse poder. Mas o Sheldow ia morrer, e ele sabia disso.
Lembrei que o Sheldow não fugiu, não implorou, só esperou.
Olhei para o Dream e agora, depois de ouvir da sua boca, sabia ele era mais perigoso do que Imaginei. Senti medo, o julguei, senti receio de continuar com ele, pensei em deixá-lo por causa disso... Foi um infinito de possibilidades e pensamentos de preconceitos e abandono. Daí eu lembrei que eu puxei o gatilho, que eu desejei o Sheldow em cada alvo que acertei, que eu chorei todos dias depois daquilo, que eu o queria morto no fundo do meu coração, e sorri.
O sorriso do Thomas retribuiu o meu e eu ri feliz por ter esse sorriso, esse cuidado, essa pessoa humana.
_ Obrigada.
Ele suspirou ao me ouvir, desmanchando um pouco o seu sorrir _ Disponha.
Eu o beijei em seguida, e ele me retribuiu acompanhando toda minha intensidade. Se deixou beijar e curtiu isso.