_ Aonde você foi? _ seu abraço me recebeu e ele beijou a minha cabeça.
_ Estou aqui, não saí.
_ Tenho uma reunião depois do jantar, estou em dúvida sobre te levar.
_ Onde vai ser?
_ Numa boate, com drogas, sexo, armas, palavrões... _ respirou alto impaciente _ Isso é só o começo. Diz para mim, que quer ficar em casa, segura _ pediu.
_ Você volta inteiro, Scottish?
_ Meu Deus! Você não perde nada _ beijou minha testa e fixou em meu olhar _ Com certeza, eu volto inteiro _ garantiu.
_ Eu sei que você cumpre o que promete _ afirmei.
_ Fico mais tranquilo _ me abraçou _ Voltamos ao trabalho amanhã, certo?
_ Sim, Sr Dream.
Sem o Dream, fiquei sem o que fazer. Primeiro explorei a casa até abrir todas as portas. Depois sentei no sofá, no quarto e liguei o som. Estava de olhos fechados, curtindo a playlist de ontem a noite, quando ouvi um barulho insistente. Abri os olhos procurando. O tal barulho, vinha do notebook do Dream. Estava aberto e ligado, sobre uma mesa onde ele trabalhava as vezes. Era uma chamada via Skype que foi perdida. Isso não era mais importante. Agora olhando para a tela do notebook do Dream, vi uma pasta nomeada como "paixão".
Será que vou encontrar a tal mulher que o fez trancar o seu coração para sempre? Cliquei em cima, e um monte de fotos minhas se espalharam na tela, se ajustando em duas páginas como um livro aberto. Haviam textos também. Era minha vida antes de entrar neste emprego. Eram fotos profissionais. Tinha um investigador atrás de mim?
Falava das minhas qualificações, cotidiano, hobies, interesses baseado nas minhas buscas no Google. Dizia que eu tive um caso com o meu ex chefe. Haviam fotos de quando ele me agarrou no seu quarto.
Comecei a chorar relembrando daquilo e fui passando as fotos rapidamente para que saíssem as fotos do meu ex chefe da tela. Cheguei em um esquema, onde a minha antiga rotina de desmpregada era detalhada. O esquema seguinte a este detalhou o dia em que eu vi o anúncio do emprego nas empresas Dream, na minha caixa de e-mail e enviei o currículo. O seguinte detalhou a minha rotina no dia em que fiz a entrevista. Todos os esquemas tinham a data de uma semana e meia antes da minha entrevista.
O Dream planejou tudo.
Como ele conseguiu prever as minhas atitudes com tanta precisão? Eu sou tão previsível assim?
Estava meio decepcionada comigo mesma. Mas também me sentia enganada.
Se o Dream achava que eu tive um caso com o Sr Sheldow, como ele pode comprar a ideia de que sou virgem?
Por que ele estava me vigiando antes de eu ser contratada?
Nada disso fazia sentido. Era tão sem nexo que eu sequer senti raiva, indignação, ou qualquer outra emoção além de estranheza.
As onze e vinte e seis ele entrou no quarto tirando a camisa social. Olhou para mim, com o seu notebook e percebeu a gravidade da cena. Veio até mim e olhou para a tela aberta na minha pasta.
_ Eu posso explicar.
Apenas o encarei de volta.
_ Só me escuta. _ pediu e eu assenti.
Um mês antes de você me procurar, te vi durante uma reunião com o Sheldow, você estava com ele, como secretária. Insegura até no falar, você sequer olhou ao redor por mais do que três segundos. Você não me viu, mas eu te vi.
Tenho o dom de saber como a pessoa é, só de olhar para ela, e eu saquei você. Garota esperta, sem ambições, mas curiosa. Você não me viu, porque eu não te veria, não é? Você não sonha alto. Na verdade, você nem sonha.
Eu fiz os esquemas, Alana. Foi fácil, muito fácil para mim. Não, você não é previsível. Você é surpreendente.
Nunca pensei que você fosse virgem. O detetive disse que você e o Sheldow tiveram algo. Mas você não mente. Não é que você não consiga. Acho que você conseguiria se tentasse. Só não quer.
Eu te quis na minha vida e trabalhei isso, até você vir. Sei que você pensa igual todo mundo "devemos deixar as coisas ao acaso", eu não. Planejo tudo o que posso e lido com o imprevisível. Gosto do poder e para ter poder preciso do controle.
_ Você está dizendo que me manipulou. Por que?
_ Porque é o que faço com todos na minha vida, e eu te queria na minha vida.
_ Por que?
_ Só te quis. Foi como rever algo que nunca vi antes. Não sei como explicar.
_ Onde está o seu controle no que acabou de me dizer?
_ Não há. Estou a sua mercê.
_ Isso é amor, Thomas? Porque é isso o que você descreve.
_ Não sei o que é isso. Não tenho nada para comparar. Nunca senti antes.
_ Você mentiu para mim alguma vez?
_ Eu não minto para pessoas importantes como você.
_ Sou um objeto que pode ser manipulado e controlado. Assim como todos os outros, não é?
_ Não é assim sempre. Você se parece comigo. Com o meu ser que ninguém pode ver. Aquele que tem fraquezas. E você me surpreende sempre. Logo hoje que eu tive um problema com o notebook e o deixei sem senha, você achou de mexer nele, entende o que eu digo?
_ Eu não sei como me sinto com isso.
_ O que mudou? Diga o que mudou sobre o que você pensava ao meu respeito?
_ Não muita coisa, na verdade.
_ Isso quer dizer que nós estamos bem, certo?
_ Não há nós. Nunca houve. É só um contrato, não é?
Hesitou um pouco _ Claro. Por um instante me esqueci do quanto você é distraída.
Não entendi onde a sua última frase se encaixava aqui