MARCELA NARRANDO
Eu não acredito no que a p***a do Gringo fez. Ele assinou a sentença de morte. O i****a do DJ não respeita ninguém, nem eu. A única pessoa que pode salvar o Gringo agora é o meu pai, o Montanha. O DJ não aceita que apontem arma pra ele.
Depois que ele saiu e bateu a porta, eu passei as mãos no meu cabelo e olhei para Gringo.
— Eu tô muito ferrado, não tô? — Perguntou.
— Tá. Gringo, onde você estava com a cabeça de apontar a arma pro sub do morro?
— Ele ia te matar, cara.
— O DJ sempre faz essas coisas comigo. Tecnicamente, ele não ia me matar. Provavelmente me bater, mas não me matar.
— E você aceita isso?
— Todo mundo aqui é violento, Gringo. Você não conhece nosso jeito de resolver as coisas. Eu já bati muito nele também. — Ele negou com a cabeça.
— Você está feliz com isso?
— Não, não estou. Mas eu amo o DJ, o que eu posso fazer? E eu sei que ele me ama também.
— Isso não é amor, Marcela. — Ele tem razão, mas eu não quero admitir isso para mim mesma.
— Você acha que não, mas eu acho que sim. É o jeito dele, ele é meio agressivo.
— Teu pai te bate? — Que droga. Respirei fundo antes de responder.
— Não. Nunca encostou um dedo sequer em mim.
— Você aprendeu o que é amor de verdade então. Amor não machuca, Marcela. Isso tá errado. Ele te traiu e te bateu. Acha que vai ser feliz algum dia?
— Olha, Gringo... Eu te entendo. Mas você não sabe nada sobre mim ou sobre o DJ. Ele é meu namorado já faz bastante tempo, e eu não vou terminar com ele por causa de uma briga boba. — Ele deu os ombros.
— Você quem sabe. — Ficou em silêncio. Foi mexer na caixa de remédios, e depois voltou com uma injeção. — Vem cá, é o último remédio.
Eu subi meu vestido e mostrei pele suficiente para que ele aplicasse a injeção.
— Tatuagem bonita essa nas suas costas. — Eu sorri.
— Leão. Meu animal favorito. E meu signo também.
— Gosta de signos? — Perguntou, enquanto aplicava.
— Ai!
— Tá acabando. — disse. — Pronto. Vou colocar um adesivo, e pronto.
— Obrigada. E sim, eu gosto de signos. Qual o seu?
— De acordo com minha ex, sou de "satanáries". — Eu caí na gargalhada.
— Você é briguento?
— Mais vingativo que briguento.
— Eu preciso fazer seu mapa astral, cara. Que pessoa interessante. — Falei, rindo.
— Bom, meu serviço acabou por aqui. Eu acho que posso ir embora. Como você se sente? — Ele arrumava a caixa dos medicamentos, agora não olhava mais para mim.
Confesso que o Gringo é... Nossa, um gato. Meu jesus. Fiquei imaginando o que tem embaixo dessa camiseta.
— Estou bem. Muito obrigada, aliás.
— Então você podia falar com os rapazes do fuzil para eu ir para casa.
— Claro, claro. — Eu abri um sorriso e fui até a porta, a abrindo. — Pessoal, levem Gringo pra casa, eu já estou bem.
Eles concordaram.
— Vocês não precisa me arrastar pela camisa não, viu? Eu sei andar. — Um deles deu os ombros.
Gringo saiu andando junto com os seguranças e eu fechei a porta.
Fui em direção ao meu banheiro e entrei. Arrumei um bom banho na banheira, e entrei para relaxar. Queria que a noite tivesse acabado de um jeito diferente, que DJ tivesse vindo pra casa comigo... Não ido para a casa da minha amiga, que no fim, nem é tão amiga assim.
Eu não acredito que eu sofro tanto por um bandido de merda feio.
Depois que acabei de tomar banho, me arrumei e saí do quarto. Meu pai estava apagado no sofá, e eu peguei minha arma, fui em direção a casa da minha amiga que fica duas quadras da minha rua e assim que cheguei, gritei o nome dela.
— Sabrina! — Ela saiu na janela alguns segundos depois.
— Oi, Índia!
— Desce aí.
Ela veio, e estava com a maior cara de p*u do mundo. Estava fingindo que nada havia acontecido. Assim que ela chegou perto o suficiente, eu saquei a arma e dei uma coronhada nela. Ela caiu no chão, colocou a mão na cabeça e parecia estar tonta pra caramba.
— Mano... Por que você fez isso? — Disse.
— Falsa do c*****o. Você merecia um tiro na boca por ser fura olho. — Ela arregalou os olhos, me olhando.
— Para de ser boba!
— Eu vi você se esfregando no DJ noite passada, sua vagabunda.
— Ele que chegou em mim! Ele quem te deve respeito, não eu! — Rebateu, se levantando. Eu apontei a arma na cara dela. — Para de ser louca, Índia! Ele não tá nem aí pra você, ele come todo mundo e você apontando a arma pra sua melhor amiga? Por causa de um macho escroto daquele?
— Vá se f***r. Você não sabe de nada! — E aí, eu atirei contra ela. No ombro. Propositalmente. — Chega perto dele de novo e o tiro vai ser na cabeça. Pão careca é pouco, entendeu?
— Marcela! Somos amigas de infância e você me deu um tiro!
— Dei e daria outro! — Gritei, andando para longe dela.
Guardei minha arma na cintura e fui andando para casa. Eu entrei, joguei a arma em cima da mesa e sentei em uma das cadeiras. Me arrependi do tiro, mas não posso voltar atrás.
— Tudo bem, filha?
— Não.
— Vish... Tretou com o DJ de novo? Já falei 'pá tu... Ele é bom nos negócios mas é um vagabundo com mulher. Cai fora, Marcela.
— Eu devia. Mas tá f**a.
— Marcela, você é a menina mais linda do morro. Podia conseguir qualquer homem, inclusive um bom. Por que você não tenta com o Jairo? Ele é bonzinho.
— Ele é um chato. Eu não vou namorar com ninguém por muito tempo. Ah... Deixa eu te falar uma coisa. — Suspirei.
— Pode falar.
— O babaca do DJ falou que vai matar o Gringo da UBS. Ele tava cuidando de mim lá em cima, porque de novo eu quase tive uma overdose... Mas aí o DJ apontou uma arma no meu queixo e me empurrou na parede, e o Gringo desarmou ele. E apontou a arma...
— Ih, vai morrer. — Eu olhei meu pai com uma careta.
— Não quero que ele morra. Ele não conhece como as coisas funcionam aqui. Ele achou que estava me ajudando, fala com o DJ... Pelo que eu tô sabendo, o povo gosta dele e ele trabalha pra c*****o, sacou?
— Vou mandar o DJ aquietar então.
— Valeu, pai.