Capítulo 10

1956 Words
Capítulo 22 — Meu Deus... – Ellen olhava o teto ofegante. Nem eu sabia como me sentir, depois de toda essa montanha russa emocional, estava exausto. Me sentia culpado por ter gritado com uma mulher grávida, ainda mais sendo os meus filhos que ela carregava. Estranhamente o sexo que acabamos de fazer piorava ainda mais a culpa que carregava; era como se grande parte de mim me culpasse e me acusasse por ter tido relações sexuais com a mulher que tem o mesmo sangue do assassino do meu pai. Eu me sentia quebrado, exausto, perdido. Emocionalmente estava um lixo. — Você está sério, foi r**m? – Ellen sussurra envergonhada tocando meu peito. – E por causa de como meu corpo está agora? A insegurança em sua voz atinge meu coração como uma adaga, me deixando sufocado. — Não é isso, não tem nada de errado com seu corpo. Sabe que eu te acho linda. – Digo gentil, um nó se forma na minha garganta. Tudo aconteceu tão rápido; A chegada de Ellen na cobertura, a conversa sobre afastar meus filhos, a descoberta sobre seu pai, a discussão, o banho e por fim, o sexo. Eram acontecimentos e emoções demais pra processar, não sabia ao certo como me sentir ou agir. Algo em mim havia morrido. Me sento na beira da cama sentindo o nó em minha garganta se intensificar e o mey estômago embrulhar. A mão de Ellen toca minhas costas e o frio da sua pele me arrepia. — Você está bem? – Sua voz doce soa receosa. Me levanto, andando em direção a porta do quarto. — Você vai sair nu? Suas roupas estão no banheiro! – Ellen fala se sentando na cama, cobrindo seu corpo com o lençol. — Vou fumar. – A única coisa que consigo dizer antes de sair para o corredor. Ando até a sala me aproximando do sofá, Bernardo comia tranquilamente seus sanduíche enquanto assistia televisão. — Já disse pra não comer no sofá. – Digo atrás dele. Bernardo se vira, ao me ver se engasga iniciando uma crise de tosse. — Minha nossa senhora, que pirocão! – Bernado diz após se recuperar o fôlego. Ignoro seu comentário me sentando do seu lado, ele faz uma careta e percebo que sentei em seu celular. O entrego o aparelho e ele pega o mesmo com uma expressão de nojo. — Misericórdia, além das suas bolas marcarem o sofá, o cheiro da sua b***a peluda ficará eternamente no meu celular. – Ele me encara com seriedade. – Sempre achei que você fosse um pouco gay e afim de mim, mas não pensei que fosse tentar me seduzir tirando sua roupa e mostrando sua terceira perna pra mim. Aliás, você está de parabéns! Pego uma almofada e a arremesso em direção a Bernardo que ri como uma criança. — i****a, pare de falar asneiras! – Não consigo evitar a risada. – Você é tão infantil! — Você que vem esfregando suas bolas suadas no meu celular e eu sou infantil? – Ele ri me empurrando com o ombro. – Mas fala ai, que diabos está acontecendo? Você nunca apareceria pelado na minha frente se não tivesse bem doidão ou abalado emocionalmente. E até onde sei, você não usa drogas desde que uma prostituta nos assaltou na boate. Posso a mão no rosto suspirando pesadamente, meus ombros caem com a tensão acumulada.. — Ellen é filha do Otto Rodrigues. – Digo olhando para a televisão. — Otto... – Bernardo parece pensar. – Espera, o mesmo Otto que matou seu pai? Balanço a cabeça sem desviar o olhar da televisão. Meus olhos se enchem de lágrimas, as memórias dolorosas da morte do meu pai voltam como um filme. — Meu Deus... Agora entendi a gritaria. – Bernardo sussurra preso em seus pensamentos. – p**a merda. — Agora eu simplesmente não consigo ficar no mesmo ambiente que ela, não sei como devo me sentir, não sei como devo agir. – Olho para Bernardo buscando apoio. – Sabe quanto tempo procurei esse desgraçado? Agora descubro que ele é o pai da mulher que eu amo e avô dos meus filhos! Isso está me matando! Essas crianças vão me ligar com esse filho da p**a pra sempre e não adianta nada que eu faça, ele sempre será o vovô pra elas e não o assassino c***l que fodeu minha família. Bernardo leva sua mão ao meu ombro o massageando, ele suspira me observando em silêncio. Ficamos assim por um longo tempo, apenas presos em pensamentos. — Eu sei que você esperou por isso durante muitos anos. Mas não deveria culpar a Ellen por isso, vocês se amam e ela está esperando os seus filhos! – Bernardo suspira e passa a mão no seu rosto. – Não posso te dizer como deve se sentir, mas não acho que tudo isso fará bem a Ellen. Ela está em uma gestação de risco e também está passando pela recuperação de uma cirurgia muito delicada. Bernardo tinha razão, essas coisas poderiam afetar não só a Ellen mas os meus filhos. Independentemente deles terem o DNA daquele desgraçado, ainda eram os meus filhos. — Eu só não consigo ficar aqui por enquanto. – Me levanto e ando em direção a escada. — Onde você vai? – Bernardo pergunta me seguindo. — Vou ao meu quarto, tenho que me vestir e pegar algumas roupas... Preciso de um tempo. – Digo andando pelo corredor do andar superior. — Está brincando, né? Você se desgraçou todo pra trazer Ellen pra perto e quando consegue simplesmente vai sair por ai? – Bernardo se põe no meu caminho. – Cara, pensa bem e... — Bernardo, eu sei de tudo que aconteceu. Mas não consigo ficar aqui nesse momento. – Suspiro passando a mão em meu cabelo. – E outra: agora também tenho que pensar na Giulia, até agora não recebemos informações da detetive Lins. Não acha isso suspeito? Bernardo pensa alguns segundos e sua expressão fica assustada. — Acha que pode ter acontecido alguma coisa? – Sua voz é cautelosa. — Tenho quase certeza que Maria está aprontando alguma coisa. – Digo voltando a andar em direção ao meu quarto. — Você tem razão, Donatello. Depois do ataque da Maria e da ameaça na empresa, eu não esperaria muita coisa. – Bernardo suspira entrando no quarto logo atrás de mim. – Acho que você deve procurar o Hector e ver com ele, não sei se é muito certo você ir na agência da detetive sozinho. — Eu não vou na agência. – Digo vestindo roupas de frio. – Eu vou pra Itália, vou procurar os investigadores que a detetive Lins mandou pra lá. Bernardo me olha em silêncio enquanto jogo roupas em minha mala. — Você está brincando, não é mesmo? Como simplesmente vai pra Itália? Donatello, você esqueceu que sua mãe estava fazendo sua caveira pra todo mundo? Quem não garante que ela também não fez a mesma coisa com a máfia e você corre perigo? – Bernado fala aflito, me seguindo pelo quarto. — Acha mesmo que minha mãe deixaria Enzo sozinho? Ela não correria o risco de estar longe e ele recuperar a memória, assim ela perderia a marionete dela! – Ri com desgosto. – Aposto que ela está em New York junto com Lindsay e Luciana. Eu não vou esperar essa oportunidade passar, vou pedir apoio de Hector e voltar a Itália. — Você só está usando isso como desculpa pra ficar longe da Ellen e de seus problemas! – Bernardo dispara, em um tom ácido. — Talvez seja, e daí? – Grito perdendo a paciência. – Não acha que vi seus olhares pra Ellen? Sua aproximação? E essas visitas no hospital? — Donatello, espero que não esteja sugerindo o que estou achando! – Sua voz agora é furiosa, suas narinas dilatam. — Você está se aproximando da Ellen, apenas esperando uma chance de come-la! Até ofereceu dar um banho nela! – Digo entre dentes, próximo do seu rosto. Os olhos de Bernardo ficam marejados e ele n**a com a cabeça se afastando. — f**a-se você, f**a-se os dois, f**a-se essa p***a toda e vai pra p**a que pariu! – Ele grita descendo a escada. – Espero que quando você quebrar a cara não venha como uma p**a arrependida atrás de mim, pois de agora em diante não sou mais seu amigo! Seu filho da p**a ingrato, surtado! Sua voz ecoa pela coberta enquanto ele desce a escada. — Todos esses anos sendo seu amigo e não valeu pra p***a nenhuma? Acha que ia ser i****a de trocar um cara que considerei irmão por uma mulher? – Ele grita descendo a escada. – Eu não sou um retardado mental pra sair como um cachorro no cio sarrando em qualquer mulher. Donatello você é tão doente que confunde gentileza e preocupação com t***o e traição. Todo mundo pode ter te abandonado e traído mas eu ainda estava aqui! Desço as escadas e o encontro com olhos vermelhos de raiva e marejados, seu rosto e pescoço vermelhos, veias salientes pela fúria. — Eu sempre te apoiei. E agora me acusa disso? Fui a única do seu lado até agora —Bernardo n**a com a cabeça e ri. — Até isso você estragou. Vá se tratar, doente. Bernardo olha para o corredor, seus olhos se arregalam. Acompanho seu olhar encontrando Ellen apoiada na parede, assustada, olhos arregalados. — Eu... Eu não tô me sentindo bem — diz Ellen, antes de cair, Bernardo corre para segurá-la. — Ellen! — Grito, correndo até ela. Bernardo a ampara. Ao me aproximar, Ellen me olha confusa, a cor voltando ao seu rosto. — Vamos levá-la ao hospital — digo, preocupado. — Estou bem, só uma queda de pressão — Ellen sorri envergonhada, levantando-se. Bernardo e eu nos olhamos preocupados. A agitação de hoje causou isso. Com sua ajuda, levo Ellen de volta ao quarto, embora pudesse carregá-la sozinho, ela nunca permitiria, devido ao orgulho. Agora estou na sacada, fumando charuto e bebendo whisky. Meus pensamentos e emoções estão confusos. Não posso permitir que Ellen piore e prejudique a gestação. — É melhor darmos uma trégua nessa confusão — diz Bernardo, entrando na sacada. Fico em silêncio, observando-o se sentar. Ofereço-lhe um charuto, ele aceita em silêncio. — Não estava falando sério. Confio em você — digo, observando as nuvens. — Você sabe como essa pressão nos afeta. — Que seja — sua voz está magoada. — Não importa agora, Donatello. Precisamos manter Ellen e as crianças a salvo. Não tenho tempo para intrigas. Olho brevemente para ele, vendo a mágoa em seu rosto. Droga, machuquei seus sentimentos. — Acho que você tem razão — digo, observando o céu. — Viajar será melhor para a saúde de Ellen e de todos nós. — Irei cuidar dela? — pergunto, depois de longos minutos de silêncio. — Não precisa se preocupar, não ficarei aqui. Apenas visitarei às vezes para garantir que tudo esteja bem — ele ri sem humor. — Contrataremos enfermeiros e profissionais. Ellen ficará bem. — Bernardo... Não faça isso. – Minha voz é triste, um sussurro. – Sabe como Ellen ficará com pessoas desconhecidas e também sabemos como as coisas estão no momento. Não confio deixá-la sozinha com estranhos. Seu rosto se vira rapidamente, me encarando com raiva. — Sou confiável apenas quando convém ao grande mafioso! Donatello, que merda está acontecendo com você? – Sua voz é amarga e sua risada desgostosa. – Acha que as pessoas não tem sentimentos? — Eu... – Minha fala se perde no ar. Não adiantaria argumentar, Bernardo estava certo mesmo isso sendo difícil de admitir. Apago meu charuto, me levanto em silêncio. — Cuide da Ellen. – Digo antes de voltar ao apartamento.
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