Capítulo 9

1859 Words
Capítulo 21 — Repete ... – Minha voz é um sussurro gutural, sem emoção. — Repetir? – A confusão e medo tomam conta do seu rosto. — Repita o nome dele, do seu pai. – Digo friamente, coma voz mais sombria que nunca. Ellen me olha com seriedade, tentando entender onde queria chegar. Seu rosto doce era tão semelhante ao dele, como pude ser tão cego? Como me deixei seduzir pela filha do homem que fez minha vida virar esse inferno, esse mar de sofrimentos e desgraça onde nada de bom poderia sobreviver. — Meu pai se chama Otto Rodrigues, ex delegado e chefe da Interpol. Bem, agora ele está aposentado. – Ellen da de ombros. – Não entendo a relevância disso. As palavras de Ellen ecoam em minha mente como um martelo golpeando minha alma. Otto Rodrigues. O nome que atormentou meus pesadelos desde a minha adolescência, o homem que destruiu minha família e tirou meu pai de mim. Como pude ser tão cego? Como pude me apaixonar pela filha do monstro que fez minha vida virar um inferno? Minhas mãos tremem de raiva, meu coração parece prestes a explodir em meu peito. Lembro-me dos momentos felizes que passei com meu pai, da última vez que o vi antes de sua morte. Lembro-me da dor lancinante quando recebi a notícia de sua morte, do vazio que se instalou em meu peito desde então. O enterro foi um momento de dor insuportável, minha mãe devastada pela perda, eu tentando ser forte enquanto assumia o controle da máfia tão precocemente. A vida se tornou um labirinto de desgraças e torturas, meus inimigos surgindo em todos os cantos, minha mãe me olhando com ódio a cada dia que passava. E agora, diante de mim, está a filha do homem que causou todo esse sofrimento. O rosto doce de Ellen se transforma diante dos meus olhos, sua semelhança com o pai se tornando cada vez mais evidente. O ódio cresce dentro de mim como uma chama voraz, consumindo qualquer vestígio de amor que um dia senti por ela. — Otto Rodrigues... – Repito o nome com amargura, olhando para Ellen com um misto de repulsa e desespero. – Você é filha dele. Do homem que destruiu minha família, que matou meu pai. Ellen me olha com confusão e medo, sua expressão inocente contrastando com a verdade brutal que acabo de descobrir. Como ela pode estar tão alheia ao m*l que o pai dela causou? Como pode estar tão cega para a dor que ele infligiu em tantas pessoas, incluindo eu mesmo? — Matou seu pai? Do que você está... – Ela começa a dizer, mas eu a interrompo com um gesto brusco. — Como eu pude ser tão cego? Como não percebi antes? A filha do homem que procurarei por mais de vinte anos, a filha do homem que destruiu a minha vida! – Minha voz é um sussurro gélido, carregado de todo o ódio e amargura que acumulei ao longo dos anos. Eu me sinto como um animal encurralado, cercado por inimigos por todos os lados, sem nenhuma saída à vista. Ando em sua direção lentamente, como um lobo prestes a estraçalhar sua presa. — Eu procurei por tanto tempo.... Procurei esse desgraçado por mais de 20 anos e olha só? – Minha risada demoníaca ecoa pelo quarto enquanto ando em sua direção sem desviar o contato visual. — Donatello... você está me assustando. – Ellen soluça abraçando sua barriga. — A filha dele estava bem diante de mim. – Completo minha frase com desgosto. – Então era esse seu plano? Me seduzir? Seu pai não teve o suficiente? Não bastou acabar com minha vida e agora coloca você atrás de mim? Meu grito a faz saltar assustada gritando apavorada. — Otto Rodrigues não teve o suficiente? Ele tinha que colocar sua filha para me seduzir e depois despedaçar meu coração tirando tudo que importa de mim? – Ri com desdém. – Então foi por isso seu jogo de sedução, pose de boa moça, esconder sua gravidez.... Tudo era parte do plano do seu pai. — Donatello... Eu não sei do que você está falando. Eu não conheço seu pai e eu não estou fazendo isso para te punir, só quero proteger nossos filhos! – Ellen diz tentando me acalmar, mas meu olhar a faz recuar. – Por favor, não sei que tipo de coisa está pensando, mas nunca iria brincar com seus sentimentos... Eu não menti sobre nós. Minha risada amarga ecoou pelo quarto. Parte de mim queria acabar com tudo, destruí-la, acabar com a filha do homem que me faz passar pelo inferno. Outra parte apenas sentia dor, fúria, raiva; mas ainda acreditava na inocência de Ellen e que ela não sabia sobre a história da minha família com a sua. Não sabia qual parte deveria ouvir. Caio na poltrona, sentindo minha cabeça girar. Meu grito de fúria ecoa pelo quarto seguido de meus soluços. Ellen recua, seus olhos negros cheios de lágrimas, seu rosto pálido de terror. Ela tenta falar, mas as palavras parecem se perder em sua garganta, sufocadas pelo peso da verdade que acabou de ser revelada. Eu a encaro com dor, vendo no rosto dela não mais a mulher que amo, a mãe dos meus filhos, mas sim a filha do homem que me fez sofrer como nunca antes. Parte de mim estava morrendo naquele momento, parte de mim havia acabado de desistir de tudo e estava questionando tudo ao redor como se estivesse vivendo apenas uma simulação controlada por outra pessoa. — Donatello, Ellen. – Bernardo entra no quarto assustado. – Eu ouvi os gritos da cozinha, que merda está acontecendo aqui? Já esqueceram que Ellen não pode se estressar e... Sua fala para ao ver nossos rostos. Bernardo me encara em silêncio, tentando entender a verdade por trás da cena que vida. — Okay... Acho melhor levar você pra tomar um banho. – Ele diz segurando o ombro de Ellen. – Você precisa descansar e... — Não.... – Minha voz rouca ecoou o quarto e os olhares assustados se dirigem a mim. – Eu faço isso. — Donatello, eu não acho... – O interrompi. — Vamos logo, Ellen. – A encaro com frieza e seu rosto fica pálido. – Não estou fazendo isso por você, eu só quero que meus filhos fiquem bem. Seu rosto fica decepcionado, mas logo aliviado. Bernardo observa em silêncio, não nos impedindo se ir em direção ao banheiro do quarto. — Apenas acabe logo com isso. – Ela diz em um sussurro assim que fecho a porta. – Sei que me odeia por algo que o meu pai fez, mas pelo menos poupe meus filhos. Suas palavras fazem meu coração doer, me trazendo de volta a sanidade. A observo encolhida no canto do banheiro, como um pequeno filhote que acaba de ser resgatado após um longo tempo de maus tratos. Memórias de nossos momentos juntos invadem a minha mente, lutando contra meus sentimentos de ódio. Eu não poderia maltra-la por algo que ela não sabia... Ellen era apenas uma pequena criança quando tudo isso aconteceu. Talvez se quer estivesse nascida. Ellen sempre disse que apesar de amar seu pai, não teve tanta convivência com ele. Então isso realmente poderia ser um plano de Otto ou era apenas meu ódio falando por mim? — Consegue tirar a roupa ou precisa de ajuda? – Tento fazer minha voz soar calma. Seus olhos me encaram chorosos, o medo a fazia tremer. — Você que sabe, se não quiser tomar banho e continuar sendo esse poço de bactérias hospitalares, não me culpe quando estiver doente depois! – Finjo desinteresse dando de ombros. Ellen suspira desabotoando sua blusa deixando seus s***s expostos. Sabia que meu argumento iria funcionar, Ellen tem mania de limpeza, seu nojo por sujeira e bactérias não a deixaria ficar sem um bom banho. Sua roupa toca o chão, agora seu corpo estava completamente nú. Era incrível como a gravidez a deixou ainda mais sexy, com grandes s***s, curvas e quadris largos. Suas bochechas coram e ela cobre seus s***s com o braço. — Não me olhe assim, você está me assustando com suas mudanças de humor! – Ela diz entrando no box. Ellen liga o registro fazendo a água quente embaçar os vidros. — Precisarei de ajuda... Bem ... É que. – Ellen gagueja e suspira xingando baixo. – Eu não consigo fazer nada praticamente, então entre logo! Sua voz furiosa ecoa pelo banheiro seguida do meu suspiro. Pego alguns produtos de higiene os colocando no balcão. — Vou entrar, abra a porta. – Digo sem ânimo. Ellen limpa o vidro com sua mão e me encara sarcástica. – Que foi? — Você vai mesmo entrar no banho usando um casaco de couro e roupas de frio? Pelo menos fique de cueca! – Sua voz sarcástica ecoa pelo banheiro. Retiro totalmente minhas roupas sem paciência, pego os produtos e entro no box completamente nú. Ellen me olha durante alguns segundos e seu rosto fica completamente vermelho. — Feche os olhos. Vou lavar sua cabeça! – Falo impaciente. Essa situação toda estava me deixando extremamente desconfortável. Estar nu no mesmo ambiente que Ellen depois de descobrir sua verdadeira origem.... Isso era demais pra mim. — Pode parar de encarar meu p*u? – Digo com sarcasmo e a advogada sorri envergonhada. — Desculpa é que... Bem, da última vez que eu o vi não estava tão sóbria. – Ela fala envergonhada. Seus olhos encaram os meus. – Você é diferente do que me lembrava. Ellen me encara com luxúria, andando em minha direção em passos lentos, recuo alguns passos tentando evitar seu contato. Ao bater nas costas frias dos azulejos, um choque percorre meu corpo me fazendo pular. Ellen me puxa para mais perto, seus braços envolvendo meu pescoço, e sinto meu coração acelerar diante da intensidade do contato. O calor da pele dela contra a minha, a suavidade de seus lábios nos meus, tudo isso me faz esquecer por um momento as dúvidas e as angústias que me consumiam. Por um instante, hesito, minha mente inundada por uma tempestade de emoções conflitantes. Mas então, o desejo fala mais alto, e eu me entrego ao beijo com toda a paixão e desejo que estavam reprimidos dentro de mim. Finalmente, cedo completamente, permitindo-me perder-me no turbilhão de sensações que ela desperta em mim. Meus braços a puxam contra o meu corpo com firmeza e rapidez, Ellen geme baixo. Nossos lábios se separam, seus olhos me encaram com intensidade. Os fios de seu cabelo estavam molhados devido a água quente do chuveiro, suas bochechas estavam coradas e sua respiração ofegante. — Me possua, Donatello. Me torne sua novamente. – Sussurrou próxima ao meu rosto. — Você.... – Seu dedo cobre minha boca me interrompendo. — Estou grávida e com certeza são os hormônios falando por mim. Agora faça logo isso antes que me arrependa de ter cogitado essa ideia! – Sua voz firme faz meu corpo arrepiar. Ellen volta a me beijar provocando minha ereção. Mesmo depois de muito tempo, ela ainda conseguia ter controle do meu corpo, dos meus impulsos e desejos.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD