Capítulo 2

1231 Words
O coração batendo descompassado enquanto me aproximo do hospital. Tudo parecia acontecer em câmera lenta, cada segundo uma eternidade de incerteza e preocupação. Finalmente, chego ao NYC Med e estaciono o carro em uma vaga vazia próxima à entrada de emergência. Saio do veículo às pressas, ignorando a chuva que caía sobre mim, e corro em direção à entrada do hospital. Adentro o prédio, meu coração pulsando forte no peito. Atravesso os corredores movimentados, seguindo as placas que indicavam a ala de emergência. Ao chegar ao balcão de atendimento, abordo uma enfermeira com urgência. — Por favor, eu preciso saber onde está Ellen Rodrigues. – Minha voz sai apressada e ansiosa. A enfermeira me examina por um momento antes de consultar o computador. — Sinto muito, senhor, mas não posso fornecer informações sobre pacientes sem autorização. – Ela responde com firmeza. Minha frustração aumenta, mas antes que eu possa insistir, uma voz familiar ecoa pelo corredor. — Donatello? Me viro rapidamente e vejo Bernardo se aproximando, o rosto tenso e preocupado. — Onde está Ellen? – Pergunto ansioso, minha voz ecoando pela sala de espera. Bernardo olha ao redor antes de se aproximar, seu tom de voz baixo e cauteloso. — Ela está na sala de emergência, passando por alguns exames. – Ele responde, seu olhar sério transmitindo a gravidade da situação. – Os médicos estão cuidando dela. Um peso se instala em meu peito, a preocupação pelo bem-estar de Ellen me consome. Preciso vê-la, saber que está bem. — Por favor, Bernardo, me leve até ela. – Imploro, minha voz tremendo de emoção. Ele assente com a cabeça e começamos a caminhar em direção à sala de emergência. Cada passo parece uma eternidade, a ansiedade crescendo a cada segundo. Chego à sala de emergência e meu coração se parte ao ver Ellen deitada no leito, cercada por enfermeiros. Seu rosto pálido e a mancha de sangue em sua barriga causam uma onda de pânico que ameaça me consumir. Tento me aproximar, mas um dos enfermeiros me impede, sua expressão séria e determinada. — Por favor, deixe-me chegar até ela. Ellen é minha minha mulher! – Grito desesperado, minha voz ecoando pelo corredor. — Sinto muito senhor, não será possível. A senhorita Rodrigues já perdeu muito sangue e está recebendo os cuidados necessários. – O enfermeiro diz bloqueando minha entrada. — Ellen! Ellen, eu estou aqui! – Grito para dentro da sala atraindo a atenção de todos os enfermeiros. Ellen me olha com fraqueza, seus olhos encontrando os meus por um momento antes que uma onda de dor a faça gemer meu nome. Meus olhos se enchem de lágrimas, impotência e terror me dominando. — Donatello... Deixe-me vê-lo. – Ela geme baixo, seus olhos encontram os meus. De repente, os monitores cardíacos começam a emitir um som estridente, mostrando a queda da frequência cardíaca de Ellen. Meu coração bate tão forte que parece querer saltar do peito. — Ellen! — Grito apavorado, vendo seu corpo inerte na maca. Os enfermeiros se movem com urgência, deitando o leito e iniciando a massagem cardíaca. Meu corpo treme de horror, soluços escapam de minha garganta enquanto vejo a vida de minha amada pendendo por um fio. Uma cortina é fechada bruscamente, bloqueando minha visão da cena terrível à minha frente. Meus joelhos cedem e me viro, desabando no chão do corredor, o desespero me consumindo completamente. — Donatello! – Bernardo corre em minha direção, seus braços me envolvem em um gesto protetor. — Isso não pode estar acontecendo comigo! Não posso perde-la! – Digo entre soluços olhando para o seu rosto preocupado. — Você não vai, ouviu? – Suas mãos seguram o meu rosto. – A Ellen é uma mulher forte e cabeça dura que nem você! Ela não desistiria tão facilmente dessa batalha. Seus braços envolveram minha cabeça me aproximando de seu peito. Bernardo me abraça sussurrando tentando me acalmar, mas minha mente estava longe dali, m*l o ouvia. Enquanto estou preso em meus pensamentos, vejo um médico passar por nós apressado e entrar correndo na sala, seu rosto tenso refletindo a gravidade da situação. Me levanto rapidamente, o pânico e o pavor tomando conta de mim ao ver a cortina se abrir novamente. Ellen estava lá, deitada imóvel enquanto a enfermeira ainda fazia massagem cardíaca. Os bips no monitor eram ensurdecedores, sons traumáticos avisando que seu coração ainda estava parado. O médico se aproxima de Ellen com rapidez, chamando os enfermeiros para ajudá-lo. Tudo estava acontecendo muito rápido, não conseguia me mover ou falar alguma coisa, apenas estava observando esse show de horrores. — Carreguem para 200 joules! – Ordena o médico com voz firme, seus olhos concentrados em Ellen. Meu coração está na garganta enquanto observo cada movimento, as mãos tremendo de ansiedade. O médico pressiona os botões do desfibrilador, preparando-se para aplicar o choque. — Afaste-se, por favor – diz o médico aos enfermeiros, sua voz transmitindo urgência e autoridade. Os enfermeiros obedecem imediatamente, dando espaço para que o médico possa agir. Ele aplica o aparelho em Ellen e uma corrente elétrica percorre seu corpo. Seu frágil corpo pula e uma lágrima solitária rola pelo meu rosto. Não podia ser real, o amor da minha vida, a mãe dos meus filhos... Eu me recusava a acreditar. — Carregar 200! – Ele pede novamente, os enfermeiros se entreolham incertos. Não... Não desistam dela. Por favor, não desistam. — Andem, me obedeçam! – Sua voz é irritada enquanto ele realiza a massagem cardíaca em Ellen. — Ela já está 6 minutos... – A enfermagem é interrompida pelo olhar duro do médico. – Okay... Irei carregar 200. — Afastar! – O médico diz e o corpo de Ellen pula com a descarga elétrica. O momento parece uma eternidade até que o médico analisa os monitores e fala: — Ela está em ritmo sinusal. Meu corpo treme de alívio e pavor ao mesmo tempo, a sensação de que quase perdi Ellen ainda presente em minha mente. As lágrimas escorrem pelo meu rosto enquanto agradeço silenciosamente por ela estar viva. — Levem ela pro centro cirúrgico. – O médico diz retirando suas luvas e as jogando na lixeira. Centro cirúrgico? Do que estavam falando? O médico sai da sala, sua roupa estava suja de sangue... O sangue da Ellen, da minha Ellen. Seus olhos ficam assustados ao notar a minha presença próxima a sala. — Donatello, espera! – Bernardo fala segurando meu braço, mas consigo me livrar facilmente de suas mãos. — Cirurgia? Para onde vão levar a Ellen? Como estão os bebês? – Minhas palavras saem apressadas. — Não posso dar informações dos meus pacientes. – Seu olhar é sério. – Você é da família? — Eu sou o pai dos bebês. – Minha voz soa fraca devido ao nervosismo. O homem suspira e me olha com empatia. — A senhorita Rodrigues perdeu muito sangue, os seus ferimentos são profundos e a situação se agrava devido ela já está enfrentando uma gestação de risco. – Sua voz é calma, mas meu coração acelera com sua revelação. Ellen estava pior do que imaginava, não podia ser real. Parecia que a vida estava me culpando por todos os meus erros de uma vez. — Ela ficará bem? – Perguntou em um sussurro distante. — É cedo para ter certeza, mas manterei o senhor informado. – Ele toca em meu ombro. – Ela está em ótimas mãos.
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