Capítulo 3

1270 Words
— Por favor, me mantenha informado sobre qualquer novidade. – Minha voz sai trêmula, me esforçando para manter a compostura. O médico assente com compreensão antes de se afastar, deixando-me sozinho no corredor da sala de emergência. Sinto-me perdido, impotente diante da situação. Minha mente está uma confusão de pensamentos e emoções, todas girando em torno de Ellen e dos nossos filhos não nascidos. Bernardo permanece ao meu lado, seu apoio silencioso uma âncora em meio à tempestade que se desenrola dentro de mim. — Vamos ficar na sala se espera até termos notícias dela. – Ele diz com calma, sua voz transmitindo solidariedade. Assinto com a cabeça, agradecido por sua presença. Juntos, nos dirigimos até a sala de espera, aguardando ansiosamente qualquer informação sobre Ellen. O tempo parece se arrastar enquanto esperamos, cada minuto uma eternidade de incerteza e preocupação. Cada som vindo da porta me faz pular, esperando ansiosamente por notícias. Finalmente, após uma espera angustiante, o médico entra na sala de espera, sua expressão séria e preocupada. Meu coração dispara, uma mistura de esperança e medo inundando meu peito. Me levanto rapidamente, me dirigindo até o médico que me olha com seriedade. — Como está Ellen? E os bebês? – Minha voz sai apressada, m*l conseguindo conter a ansiedade. O médico respira fundo antes de responder, seus olhos transmitindo a seriedade da situação. — A senhorita Rodrigues foi levada para a sala de cirurgia às pressas. Os ferimentos foram mais graves do que inicialmente esperávamos. Estamos fazendo o possível para estabilizá-la e salvar os bebês, mas a situação é delicada. – Ele diz com franqueza, sua voz pesada com a gravidade da situação. – Estamos tentando conter a hemorragia. Sinto como se o chão se abrisse sob meus pés, a notícia atingindo-me como um soco no estômago. Ellen ainda estava em cirugia, isso não podia ser um bom sinal. Meus filhos ainda não nascidos estavam em perigo. — Por favor, faça tudo o que puder por ela e pelos bebês. E me mantenha informado sobre qualquer novidade. – Minha voz sai em um sussurro, a preocupação e o medo me consumindo. O médico assente com compreensão antes de se afastar novamente, deixando-me sozinho com meus pensamentos tumultuados. Bernardo coloca uma mão em meu ombro em um gesto carinhoso. — Vamos ficar aqui, Donatello. Eles vão cuidar dela. – Ele diz com voz firme, transmitindo confiança. Respiro fundo, tentando reunir forças para aguentar a dura realidade. Precisava ser forte, por Ellen, pelos nossos filhos. — Senhor, sei que não é o momento apropriado, mas a polícia está aqui para colher seu depoimento. – Uma enfermeira diz se aproximando de Bernardo. Ele me lança um olhar nervoso, como se estivesse pedindo permissão para se afastar. Também desejava saber como tudo isso aconteceu, mas sabia que minha presença perto de policiais apenas resultaria em um desastre. Suspiro cansado, o peso se abate sobre meus ombros. — Você ficará bem? – Ele me pergunta olhando em meu rosto. — Sim, pode ir. – Minha voz soa cansada. Seus olhos brilham com a preocupação. Bernardo me abraça com força. — Eu já volto. – Ele sussurra em meu ouvido. – Não fique próximo a polícia e peça ajuda aos seus homens. Ele bate em meus ombros e se afasta, saindo da sala de espera sendo acompanhado da enfermeira. "Chamar seus homens", meu estômago se apertava com a preocupação causada pela sua sugestão. O que ele quis dizer com aquilo? Será que estávamos em perigo? A possibilidade de inimigos estarem envolvidos me faz tremer de raiva. Meu coração acelera dentro do peito, a raiva e a preocupação borbulham dentro de mim ao pensar no ataque que Ellen sofreu. A ideia de que isso poderia ser um golpe planejado, um ataque direto, me enche de fúria e impotência. Decidido a descobrir a verdade por trás desse ataque, me levanto da sala de espera e saio em passos rápidos em direção ao estacionamento. Cada passo é carregado de ódio e uma sede ardente por respostas. Ao entrar em meu carro, meus olhos caem sobre o celular criptografado no banco do passageiro. Pego o dispositivo e começo a digitar o número de Hector, ele era a pessoa certa para me ajudar a descobrir o que estava acontecendo. Os segundos parecem uma eternidade até que ele me atende. Meu coração acelera ao ouvir sua voz do outro lado da ligação. — Hector? Tenho uma missão urgente pra você. – Minha voz soa mais grossa que o normal. — Donatello, aconteceu alguma coisa? Sua voz está diferente. – Hector pergunta com preocupação. — Ellen foi atacada, Bernado deu a entender que poderia ser algo além de um assalto que deu errado. Que poderia ser um inimigo tentando me atingir. – Suspiro passando a mão no rosto. – Apenas pesquise qualquer coisa que possa me ajudar. — Um ataque? Você e a Ellen voltaram? Uau... Não sabia que ela tinha voltado para a Itália. – Hector suspira e digita algo em seu computador. — Não... Estamos em New York. – Suspiro novamente, cansado. Faço a Hector um breve resumo dos acontecimentos, ele era a única pessoa além de Bernardo que conseguia confiar completamente nesse momento. Ninguém sabia da minha volta a NYC, mas alguém sabia da gravidez de Ellen, da sua localização e rotina. Todos podiam ter cometido esse ataque, não sabia em quem poderia confiar. — Uau... – Hector fala surpreso. – Realmente, isso não parace um ataque aleatório. Isso tem cara de ter sido premeditado. Irei investigar. — Preciso de uma resposta urgente. Não podemos esperar! – Soco o painel do carro. – Não posso deixar esse desgraçado a solta! Hector suspira digitando algo em seu computador. — Eu sei... Isso realmente é muito grave. Não podemos confiar em seus aliados. – A ligação fica em silêncio. – Vou investigar isso pessoalmente, algumas pessoas pela cidade me devem favores. Está na hora de cobra-los. Fico em silêncio alguns segundos. A raiva que sentia fazia as veias de meu pescoço saltarem. Como alguém pode atacar a Ellen? Eu iria descobrir o verdadeiro mandante desse ataque e mata-lo com minhas próprias mãos! — Donatello, vamos descobrir quem fez isso. Mas por enquanto haja naturalmente. – Hector fala com seriedade. – A pessoa que fez isso pode estar te observando e não queremos levantar suspeitas. Sinto um frio percorrer minha coluna ao ouvir que posso estar sendo observado. A ligação é encerrada. Permaneço no carro, olhando para o estacionamento, perdido em meus pensamentos sombrios. Horas se passam e continuo dentro do veículo, observando o vai e vem no estacionamento, incapaz de afastar os pensamentos sobre o ataque a Ellen e a possibilidade de estar sendo vigiado. De repente, meu celular social vibra. Pego o aparelho e vejo uma mensagem de Bernardo avisando que o médico voltou com notícias sobre Ellen. Uma onda de ansiedade toma conta de mim, fecho rapidamente a mensagem e saio do carro, trancando-o atrás de mim. Ao sair do veículo, percebo um movimento estranho e, ao olhar ao redor, avisto uma pessoa dentro de um carro estacionado próximo, apontando uma câmera em minha direção. Sinto o sangue ferver de raiva e indignação. Me aproximo rapidamente do carro, batendo na janela com força. — O que diabos você está fazendo aqui? Quem te mandou? — Minha voz sai áspera, cheia de hostilidade. A pessoa dentro do carro parece assustada e hesita por um momento, antes de acelerar, saindo do estacionamento em alta velocidade. Fico ali, observando o carro se distanciar, uma sensação de vulnerabilidade me assombrando enquanto tento entender quem poderia estar me vigiando e por quê.
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