Autora: Nair Fagundes
Capítulo 2 –
O amanhecer trouxe um céu cinzento sobre Santa Aurora. A chuva havia diminuído, mas o clima continuava pesado. Na delegacia, todos comentavam o mesmo assunto: como Amanda Vasconcelos poderia estar morta pela segunda vez?
A detetive Helena Duarte passou horas analisando o relatório da perícia. As impressões digitais, o DNA e até uma antiga cicatriz no ombro confirmavam a identidade da vítima. Não havia qualquer dúvida: era realmente Amanda.
Mesmo assim, algo não fazia sentido.
Helena decidiu visitar a mansão da família Vasconcelos. O enorme casarão permanecia fechado desde o suposto acidente que havia matado Amanda três anos antes. As janelas cobertas de poeira e o jardim tomado pelo mato davam ao lugar um aspecto sombrio.
Ao entrar, um cheiro de madeira antiga tomou conta do ambiente. Os móveis estavam cobertos por lençóis brancos, e retratos da família decoravam as paredes. Em um deles, Amanda aparecia sorrindo ao lado dos pais e de um homem desconhecido. O rosto desse homem havia sido riscado com tinta preta.
— Quem era você? — murmurou Helena.
Enquanto observava a fotografia, ouviu um barulho vindo do andar de cima.
Com a arma em mãos, subiu lentamente a escada. Cada degrau rangia sob seus pés. Ao chegar ao corredor, encontrou uma porta entreaberta. Dentro do quarto havia sinais de que alguém estivera ali recentemente. Uma gaveta estava aberta e vários papéis haviam sido espalhados pelo chão.
Entre eles, Helena encontrou um velho diário.
Na última página havia apenas uma frase:
"Se algo acontecer comigo, procure a sala escondida atrás da biblioteca."
Antes que pudesse ler mais, ouviu passos apressados no corredor. Correu para fora do quarto, mas viu apenas uma sombra desaparecendo no fim do corredor.
Ela perseguiu o desconhecido até o jardim dos fundos. Quando chegou ao portão, encontrou apenas um carro preto acelerando pela estrada.
Helena respirou fundo.
Agora tinha certeza de duas coisas: alguém ainda frequentava aquela mansão... e essa pessoa faria qualquer coisa para impedir que a verdade viesse à tona.
Segurando o diário contra o peito, ela voltou para dentro da casa. A investigação estava apenas começando, e cada nova pista tornava o mistério ainda mais perigoso.