Uma ajuda na madrugada

1944 Words
Quando voltamos para o escritório cada um foi para o seu canto agindo como se aquele almoço horrível de desagradável pela a presença do Daniel, mas perfeito pela a presença da Verena, não tinha acontecido. Ninguém comentou absolutamente nada e eu fiquei grato com isso, pois não queria preencher o momento que tive com a Verena com o Daniel. As horas foram se passando até que finalmente era a hora de ir embora chegou para o alívio de todos que animadamente estavam falando de sair pra beber, porém eu estava tão interdito nos documentos que a Venera me entregou antes do almoço e com os rascunhos que me enviaram, que nem prestei tanta atenção e nem percebi que estavam falando comigo. — ARES! — Philippe gritou me tirando daquela concentração extrema. — Vai conosco? — Pra onde? — Fechei os olhos sentindo-os arderem pelo o tempo demais na frente do monitor. — Beber! — Jennifer quem me respondeu. — Ocupado demais pra ir beber. — Olhei para o Daren que estava digitando no celular. — Você vai? — Negou com desinteresse em toda a conversa. — Verena disse que vai! — Arregalei os olhos surpreso quando Daren disse ainda concentrado em seu celular. — Há, me sinto orgulhoso de ter chamado ela pra beber conosco! — Philippe disse animado. — Primeira vez que ela aceita sair conosco pra algum lugar que não envolva o trabalho e reuniões. Estou animado pra hoje! De soslaio vi Daniel concordar animado demais pro meu gosto. Eu poderia ir, porém sabia que se deixasse todo aquele trabalho pro dia seguinte, iria acumular com o do dia e eu iria ficar sobrecarregado. — Vou não, espero que se divirtam! — Com dor no coração neguei. Verena apareceu arrumando a bolsa em seu ombro e a gola do seu sobretudo. Seu olhar pairou rapidamente sobre mim, antes de sorri forçado e seguir dos demais funcionários. Antes de sumir pelo o vidro, me olhou novamente, percebendo que eu não iria. — Vai se arrepender! — Daren disse enquanto eu salvava o que já tinha feito e me enviava por e-mail o que precisava ser feito para que eu pudesse terminar o trabalho em casa, e ele, como um bom amigo, arrumava a minha mochila. — Eu sei... — Desliguei o computador e me levantando da cadeira. — Mas não vai dar em nada, sabe disso. Ela nem gosta de mim ou tem interesse... — Juntos, saímos do escritório. — Ao mesmo tempo que acho que ela está flertando, sinto que é só coisa da minha cabeça. — Adentramos o elevador. — Sejamos sinceros, posso ser bonito, mas não tenho o principal que é o dinheiro. Ela pode encontrar homens bonitos também e com dinheiro, não precisa de mim! — E o que vai fazer então? — Indagou assim que as portas se abriram no subsolo. — Desistir dela, começar a namorar, procurar outro emprego. — Suspirei. — Ainda vou pensar em uma saída pra isso tudo! — Dei de ombros com pesar ouvindo um suspiro dele. ••• Era aproximadamente uma da madrugada e eu ainda estava sentado na minha cadeira em frente à mesa inclinada terminando de fazer, manualmente, como queria que o projeto do novo produto ficasse. Não estava arrumando os dos outros, mas sim criando um eu mesmo. Meu celular ao meu lado começou a tocar ao meu lado, atraindo a minha atenção. Olhei para a tela encontrando o nome do Philippe. Ignorei-o e em consequência outra chamada, e com um suspiro atendi a sua chamada. — Posso ajudar? — Indaguei com desdém ouvindo risadas e vozes no fundo da chamada. — Ouve um probleminha aqui... — Ele disse com a voz mais sóbria do que eu imaginava. — E o que eu tenho haver com isso? — Resmunguei levantando da cadeira sentindo meu corpo estralando e meio dolorido por causa da academia de mais cedo. — É a Verena. — Congelei no mesmo instante. — Ela é muito fraca com bebida, e agora está bêbada e não quer levantar por nada do mundo da cadeira. Já tentamos, mas é em vão. — Por que acha que eu vou conseguir tirar ela daí? — Indaguei já pegando as chaves do meu carro e descendo as escadas. — Porque você é o mais próximo dela! — Concluiu assim que eu saí de casa. — Fala onde vocês estão! — Adentrei meu carro. Não demorou muito para que eu estacionasse o carro em frente ao bar que eles foram beber. Desci do veículo e acelerei os passos, adentrando o estabelecimento encontrando o grupinho dos funcionários em volta de uma mesa enquanto as pessoas, sendo boa parte homens, olhavam com um certo interesse. Eu só esperava que ninguém a conhecesse e gravasse um vídeo, não acabaria bem pra ela. — Ares! — Jennifer falou meu nome com tanto alívio que arrancou uma risada minha. Aproximei-me deles encontrando a Verena com o rosto vermelho, cabelos bagunçados, abraçada na mesa enquanto Daniel tentava tirar ela de lá. — N-Não vou... — Falou com a voz toda embargada. — Podem ir! — Subi as mangas da minha blusa de frio. — Eu tento cuidar dela, vocês precisam descansar porque trabalham amanhã. — Desculpa e obrigado... — Philippe disse e os demais concordaram, em exceção, como sempre, do Daniel, mas mesmo assim ele foi embora deixando-me sozinho com a Verena bêbada. — Hey... — Agachei em sua frente vendo um grande esforço da parte dela de me encarar. — Vamos embora? — P-Pensei que não iria vim beber. — Murmurou e eu sorri largo acariciando sua bochecha. — Eu também! — Ela sorriu da mesma maneira que eu. — Precisa de ajuda com essa bela moça rapaz? — Um homem indagou com malícia e os demais riram. — Somos bons com mulheres bêbadas! — Não preciso de ajuda pra cuidar da minha namorada! — Falei com tanta confiança que até mesmo eu acreditei que ela era a minha namorada. Passei a bolsa em meu ombro e peguei o seu sobretudo que estava em cima de uma mesa. — Consegue andar? — Sussurrei e ela negou, tentando abrir os olhos para ver o que eu estava fazendo. Passei o sobretudo em sua cintura, dando um nó nas mangas para não mostrar nada, já que ela usava saia naquele momento. Com delicadeza tirei os seus saltos, segurando-os em uma mão e me inclinei na sua direção, fazendo-a passar os braços em meu pescoço e somente com um braço a ergui da cadeira que estava sentada. Ouvi arfares e múrmuros de surpresa pela a minha facilidade em a pegar no colo. Meus anos na academia finalmente estão valendo muito a pena. Verena entrelaçou as pernas em meu quadril, e para manter firme, tive que usar sua bund4 como apoio. — Desculpa por isso... — Sussurrei sentindo meu rosto corar. — T-Tudo bem... — Murmurou rouca. — N-Não me i-importo que você me t-toque! Abri a porta de trás do meu carro colocando a bolsa e os sapatos dela no banco de trás, fechando-a com um baque, ouvindo um resmungo da parte dela. — Quer vomitar? — Indaguei usando minha mão, agora livre, para acariciar suas costas. — N-Não. — Respondeu-me com a voz baixa. Abri a porta do banco do passageiro e com cuidado, coloquei-a sentada e fechei a porta menos bruto que antes. Dei a volta e por um breve segundo, pude sentir alguém me observando. Com a porta aberta olhei em volta buscando por alguém, porém naquela rua não havia ninguém além de mim. Achei muito estranho, mas também não iria ficar a noite toda em busca da pessoa que estaria me observando. Adentrei o carro, encontrando Venera tentando colocar o cinto de segurança e falhando miseravelmente. — Não precisa por não. — Impedi-a, pois nem eu havia colocado e nem faria questão de colocar. Se ela passasse m*l, teria que agir rápido pra cuidar ou apanhar ela, e se eu estivesse com o cinto, me atrasaria bastante. — Mul-lta? — Questionou e eu apenas dei de ombros ligando o carro, colocando-o em movimento. Parece ter sido o suficiente meu dar de ombros, pois ela relaxou no banco inspirando fundo o aroma de lavanda do meu carro recém lavado. — N-Nunca tinha bebido tanto assim. — Riu e eu me arrepiei por completo. Aquela era a primeira vez que eu a ouvia rir, e foi tão inesperado que por um instante eu esqueci como respirar. O som escapou dela leve, solto, como se não pertencesse a esse mundo. Um riso simples, mas que parecia ter o poder de bagunçar tudo dentro de mim. Não era alto nem contido — era genuíno. E, por algum motivo que eu não saberia explicar, senti que tinha acabado de testemunhar algo precioso. Meu peito apertou, não de dor, mas de um tipo estranho de encanto. Fiquei ali, parado, observando a curva dos lábios dela, o brilho nos olhos que acompanhava aquele som. Era como se a sala tivesse ficado mais clara, como se o ar tivesse ganhado um sabor diferente. Eu já tinha imaginado muitas vezes como seria vê-la sorrir de verdade, mas a realidade foi infinitamente melhor. Havia algo de livre, de desarmado naquele riso, algo que me fez querer ser o motivo dele outra vez. E, sem perceber, sorri também, mas não porque achei graça de alguma coisa, mas porque o riso dela me fez sentir vivo. — É mesmo? — Murmurei concentrado na rua mesmo que não houvesse tanto movimento de veículos enquanto meu corpo se mente se recuperava do baque que foi ouvir a sua risada. — Por que bebeu tanto assim? — P-Porque... — Arrotou. — Você não estava lá conosco! — Arregalei os olhos olhando para ela rapidamente. — P-Pensei que iria... — Fungou. — Porque n-não foi? — Trabalho demais pra fazer... — Falei a verdade e como eu previa, e como Daren tinha dito, o arrependimento de não ter ido bateu com mais força do que eu imaginava. — Você m-me protege do D-Daniel... — Arrotou novamente e eu diminui a velocidade, pois pelo o meu conhecimento cuidando do Daren bêbado, o próximo com certeza seria o vômito. — E-Ele é r-ruim... — Suas mãos tentaram abrir a porta. — V-Vomito! — Levou a mão a boca e eu parei no mesmo instante o carro no acostamento. Verena abriu a porta e caiu de joelhos no asfalto vomitando. — M3rda. — Desci do carro rapidamente e corri para a ajudar. — Machucou? — Segurei seus cabelos enquanto ela vomitava tudo que tinha comido e bebido naquele bar. — Com certeza machucou o joelho quando se jogou pra fora... — Estralei a língua ao mesmo tempo que segurava seu cabelo e acariciava sua nuca suavemente. — S-Sujei seu carro... — Choramingou. — D-Desculpa. — Meu carro não importa no momento, mas sim você! — Ela ergueu o corpo e eu pude ver que ela tinha vomitado em sua roupa, não pude ver o tanto que foi, pois logo ela se inclinou e retornou a vomitar. Ela vomitou tudo que tinha pra vomitar e em todo momento fiquei ao seu lado, acariciando suas costas ou nuca. No final, só ficou respirando fundo e fungando, provavelmente a segunda parte graças ao choro que veio com o vômito. — Pronto? — Indaguei pra confirmar e ela concordou com um aceno de cabeça. — Vamos pra casa? — Acenou novamente. Peguei-a no colo novamente tão pouco me importando se iria me sujar de vômito também, tão pouco me importando se iria sujar o banco do meu carro, pois tudo que me importava naquele momento, era ela.
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