Não faço a mínima ideia de quanto tempo fiquei ali, só sei que me levantei do banco no momento em que achei ridículo ficar olhando por um tempo idiotamente longo.
Suspirei fundo, comprei uma garrafa de água e procurei me acalmar e assim que consegui comecei a refazer de volta a minha trilha de volta para onde eu quase criei uma cena, ajeitava a saia enquanto andava.
Que saco! Isso tinha que acontecer agora?
Soltei um xingamento do fundo da garganta, continuei andando o leve desconforto que estava surgindo.
Vi Thomas, abri um sorriso largo quando nossos olhares se cruzaram e então quando finalmente parei de agir como uma adolescente boba, e estava prestes a falar o que desejava senti um braço me puxar na direção oposta.
Mas que diabos?O mundo parecia estar contra mim.
O lugar em que estava agora era pequeno, um armário de vassouras ou algo parecido e para caber duas pessoas ali parecia mais uma grandíssima lata de sardinha.
Me debati, porém, a pessoa em questão me prendeu e com a mão na minha boca impedia que palavras saíssem.
Quando olhei para ver quem era parei de ficar agitada e passei a ficar confusa.
O quê Chris estava fazendo em um lugar como aquele?
E o quê ele queria comigo em um lugar como aquele?
Por mais que essas dúvidas estivessem brotando em minha mente naquele momento não pode evitar de ficar um pouco feliz em vê lo mesmo em condições totalmente diferentes do esperado.
E então aos poucos ele tirou a mão da minha boca, e eu respirei fundo contando até dez para não matar ele ali mesmo.
— O quê é isso? — perguntei.
— Você não pode ir falar com ele, não agora.
Franzi o cenho, confusa.
Se já estava estranho antes agora estava ainda mais estranho.
— Como? — perguntei tentando não me mexer muito já que ficar dentro daquele lugar estava longe de ser algo devidamente confortável, as vassouras e os outros objetos me futucavam com frequência e por causa disso foi comum - normal - soltar alguns resmungos. — Por qual motivo eu não deveria fazer isso?
Chris demorou um tempo para responder, ele parecia estar tentando escolher as palavras certas naquele momento e aparentemente nenhuma parecia boa o bastante, já que a resposta demorou a aparecer.
Ouvi um suspiro pesado, ele olhou para o outro lado e depois na minha direção.
— Ouvi de um boato que ele não quer nem ver a sua cara. — Comentou.
Tá, aquilo acabou de se tornar muito ridículo.
Era um boato ou seja, algo inventado por alguém; em suma uma grande mentira sem pé e sem cabeça.
Ri de maneira abafada, movi a cabeça para os lados um tanto descrente.
— Isso é a coisa mais ridícula que eu já ouvi em vida. — Disse depois de um breve momento em silêncio. — Ele não tem motivo algum para querer isso, eu não fiz nada.
Vi na pouca luz Chris dar de ombros, o comportamento repentino me fez franzir o cenho; desconfiada.
— Eu ouvi de algumas bocas que ele não gosta muito de explosivas e por isso quer você bem longe dele. — Soltou, a respiração dele tornou se pesada já que na pouca luz observei o peito subir e descer por um curtíssimo período de tempo. — Ele não gosta de garotas temperamentais Amy, é apenas o que eu sei.
Franzi o cenho, a confusão ainda estava instalada em cada partezinha do meu ser e obviamente não acreditava naquilo ainda assim apenas concordei que não fazia nada, pois, não queria passar mais tempo em um armário de vassouras totalmente desconfortável.
— Tudo bem, eu não vou fazer nada. — Falei.
Eu não gostava de mentiras, porém, aquele momento precisava afinal de contas eu não estava acreditando em nada mesmo que essas informações estivessem vindo de Chris.
Estava estranho e eu iria descobrir a verdade.
Depois do que foi dito recebi em troca um olhar intenso do ruivo, parecia que estava tentando descobrir as minhas verdadeiras intenções ou algo parecido.
Assumo que fiquei levemente desconfortável com isso, ainda assim tentei me manter equilibrada.
— Vamos sair agora então. — Anunciou o ruivo.
Internamente eu soltei um sorriso, já estava pensando que ficaríamos ali por muito mais tempo que o necessário e convenhamos não é nada divertido ficar em um armário de vassouras.
Assim que saímos Chris não disse nada, apenas me analisou por um período de tempo e depois me abraçou forte.
— Eu amo você. — Murmurou baixinho.
As mãos dele estavam em minhas costas, assim como as minhas também estavam nas dele.
Sorri ao ouvir aquilo.
— Eu também amo você. — Falei, fiz um carinho no couro cabeludo do rapaz que levou a criação de um sorriso; algo pequeno e singelo em seu rosto. — Só nunca mais invente de me colocar em um armário de vassouras para falar o que você descobriu, entendeu?
Ouvi um riso abafado saindo da boca masculina, algo que consequentemente também me fez rir.
Ele se desgrudou de mim e levantou suas mãos para cima em sinal de rendição.
— Desculpe por isso, Amy. — Falou o ruivo com os olhos fixos em mim. O movimento no refeitório naquela hora era pequeno, praticamente não existia pessoas naquele espaço, além claro, dos funcionários que ficavam ali. — Eu precisava falar com você sobre isso eu só não fazia ideia de como contar e então...
— Aconteceu? — Disse observando.
Isso era estranho e Chris estava mais estranho ainda.
Eu com toda a certeza iria descobrir o motivo, assim que arrumasse um pouco de tempo para isso.
Tímido vi ele dar de ombros ao mesmo tempo em que suas mãos se abaixavam.
— Foi. — Devolveu o ruivo deixando um espaço pequeno entre uma fala e outra. — Não quero que você se machuque Amy, não iria gostar de ver a pessoa mais importante da minha vida machucada isso seria demais pra mim você entende não é?
Em partes sim, em outras nem um pouquinho.
Fingi um sorriso doce, e assenti com a cabeça, ele não precisava saber o que eu pensava naquele momento em questão apenas precisava saber que eu concordava com aquelas coisas apenas isso.
Eu definitivamente odiava mentiras.
E isso estava estranho.