NOSSO CONVIDADO

1660 Words
DIMITRI E ele apareceu, com um sorrisinho golpista desgraçado no rosto. Javier Romero. Um homem de cerca de sessenta anos, com uma barbixa nojenta. A vontade que tive quando o encontrei cara a cara foi pular o papo e acabar com ele e esse puteiro todo de uma vez. — A que devo o prazer de suas visitas? Finalmente os homens Lucchesi visitaram o meu puteiro. Me falaram que eram os que mais gostavam desse tipo de serviço. — Não está no topo dos favoritos. — Damon se apoiou no balcão. O homem estava atrás do móvel, como se lhe oferecesse alguma proteção contra nós. — Não tem nenhum lugar decente para ter uma conversa aqui? — Thomas parecia incomodado. Pior que o cheiro de drogas e o calor misturado com a umidade de uma fumaça fedorenta que ambientam o lugar não eram nada agradáveis. Não tem p*u que levanta. — É um puteiro, meu querido. Você queria o quê? Podemos conversar aqui mesmo. Ele está com medo de ficar a sós conosco. — Se não tem escritório, gostaríamos que nos acompanhasse. Precisamos tirar algumas dúvidas com o senhor. — Damon o convidou. Ele anda educado para c****e! Uma paciência… Romero ficou sem graça. — Eu não posso sair daqui. Tenho um negócio a tocar. — Olha… — Thomas estava prestes a perder o controle. — Estamos o convidando amigavelmente, mas isso não significa que você tem escolha. Sabe esses dois seguranças? Eles não serão mais do que corpos em segundos se você não nos acompanhar. Puxei o revólver do meu quadril e o deitei sob o balcão. — Era você quem queria me ver, não era? Estou lhe dando o prazer de uma conversa. O homem empalideceu e depois de olhar para os lados no desespero de uma saída — que não existia — ele suspirou e nos acompanhou. — Quem não tem culpa no cartório não teme, Romero. — Damon andou ao seu lado. Eu fiquei para trás, assegurando que qualquer gracinha seria barrada por uma morte rápida. Ele entrou no nosso carro e eu e Damon sentamos de cada lado dele no banco de trás. Thomas dirigiu. — Essa conversa precisa ser rápida. Tenho um puteiro para gerenciar. Podemos falar aqui mesmo. — Não senhor. — Thomas trocou de marcha e pisou fundo, desviando de tudo o que tinha pela frente e se não conseguiu desviar, lamentamos. Pouco menos de dois minutos já estávamos na pista principal da cidade, em direção a propriedade do Damon, que deveria ficar há uns vinte ou trinta minutos do puteiro, mas na direção do Thomas isso leva bem menos que a metade do tempo. — Dirija devagar! Desse jeito você vai nos matar! — o homem ficou assustado. Thomas acelerou mais e pouco dava para ver da paisagem pelas janelas do carro, que passavam apressadamente. O difícil era esperar chegar até lá sem matar o homem que supostamente matou nossos pais, mas não fazemos trabalho m*l feito e deixar muitos rastros não fazem parte do nosso costume. Se amanhã esse desgraçado não estiver com vida, quem presenciou a sua saída sabe quem somos e não ousaria mexer conosco. O velho segurava nos dois bancos da frente e olhava a estrada, pálido e assustado. De fato, Thomas com um volante nas mãos assusta mais do que eu com uma arma. Mas já estamos acostumados. — O que você estaria fazendo hoje, Dimitri, se a sua boate não tivesse sido explodida? — Damon perguntou, entediado. — Se a minha boate não tivesse explodido, hoje provavelmente eu estaria com a minha noiva, tomando um Royal Salute enquanto jogávamos no cassino da minha boate existente. Talvez o nosso pai vivo estivesse lá. Ele também adorava um whisky caro e um jogo de azar. O que você estaria fazendo? — perguntei olhando para o Romero. — Talvez eu… não estaria na sua boate existente, porque a minha mulher não gosta disso, mas, estaria imaginando como seria tomar um whisky ao lado do meu irmão caçula dono de uma boate, a minha prima favorita e o meu pai vivo. — Eu sei quem vocês são e estão mexendo com a pessoa errada. Eu não tenho nada a ver com acidente algum. — Não senti firmeza. Você sentiu, Damon? — Vamos ver a firmeza depois de perder alguns dedos. O homem se encolheu e ficou quietinho. Depois de alguns minutos, com o som ligado na rádio em músicas latinas, chegamos aonde resolvemos ter essa conversa com Romero. Saímos do carro e ele foi escoltado por mim e Damon, enquanto Thomas abriu a porta do porão. Entramos os quatro e Damon apontou para a cadeira. Romero sentou. — Estamos há quilômetros do seu puteirozinho e não adianta tentar fugir. Ninguém vai te salvar. — Damon acabou com as suas esperanças. — E como você é o nosso convidado, não vou te tratar como prisioneiro. Pode ficar sentado à vontade. — Vocês vão me matar? — Depende. — balancei minha arma ao redor do dedo e me escorei na parede perto da porta. O porão e um cubículo. — Depende… — analisei o imundo. — Mas só por essa sua cara de assediador psicopata eu te mataria sim. — O que você foi fazer na boate do meu irmão há meses atrás? — Thomas perguntou. — Eu nem lembro! Faz tempo que estou na cidade. Já estive em todos os estabelecimentos. — Você falou sobre compra. Queria falar com o dono. Pretendia comprar a boate do meu irmão? — Eu estava sondando o comércio. Queria conhecer a minha concorrência. — E não conhecendo resolveu eliminar. — concluí. Seus olhos estão saltando. — Eu não fiz nada! Vocês querem dizer que eu explodi aquela boate?! Se eu tivesse feito isso, teria morrido! Não acham? — Você pagou para alguém fazer? — Thomas perguntou, controlado. A minha respiração já não era mais tão leve. Eu tinha certeza absoluta de que o desgraçado foi sim o culpado. Assim que ele assumir, eu vou matá-lo de uma vez. — Não. Damon colocou o braço do homem em cima da mesa que estava atrás da cadeira com um cutelo na mão. Brilhava de tão limpo e afiado. — Com qual mão você bate punheta? Se for com essa aqui, já era. O homem se apavorou. — Mandou ou não? — Thomas insistiu, de braços cruzados. Ele fez uma pausa, olhando para todos nós aflito. — Eu não fiz nada. Eu juro que não fiz nada. Damon acertou o cutelo nos últimos dedos e os partiu. — Não vi verdade no que disse. Romero gritou com a mão sangrando. — Vocês são loucos! — Você ainda não viu nada. — assegurei. — Você achou mesmo que era uma boa ideia explodir uma boate da nossa família? — Thomas questionou, parado na frente do homem e se abaixou para encará-lo. — Você sabe quem somos nós? Sabia quem era aquele homem? — Eu não sabia quem era. Não sabia. — Conte tudo antes que corte o seu p*u fora. — Damon continuou segurando o cutelo. — Não que isso faça falta a um homem morto. — analisei. — Vocês sabem quem eu sou? Eu sou um homem poderoso. A minha família tem puteiros e mais puteiros pela Europa. Nada nem ninguém fica no nosso caminho. — Foi aí que você errou, meu amigo. — Thomas deu tapinhas no ombro do homem. — Você está no nosso território. Aqui quem faz as regras somos nós. E se você pensou que explodindo uma boate iria eliminar a concorrência, você se enganou. Acabou de arranjar um problema para o resto da sua vida. — apertou seu rosto. — Que se depender de mim será breve. — completei. — O que vocês fariam se alguém os ameaçasse de morte? — No seu lugar eu me arrependia dos meus pecados. — Damon sugeriu. — Aquele homem me ameaçou. Eu tentei fazer negócio com ele. Ofereci uma parceria, mas ele disse que na cidade não havia lugar para duas boates e que me dava dois dias para sair daqui. Eu nunca desisti de um negócio. Não seria um homem qualquer a me fazer desistir. Destravei a arma e apontei para ele, transtornado. — Ele não era um homem qualquer. Ele era o nosso pai. O Dom Lucchesi. — Dimitri! — Thomas me repreendeu. — O que você fez? Conte o que você fez. O desgraçado sorriu, enquanto a mão já havia banhado sua roupa de sangue. — Eu acabei com tudo no mesmo dia. Avancei em sua direção e o levantei pelo pescoço, encaixei o cano do meu revólver em seu queixo e o olhei nos olhos. — Você vai sorrir no inferno e se de lá você conversar com a sua família, aconselhe a não cruzar o nosso caminho, pois mataremos todos. — Vou encontrar com seu pai, algum recado? Enfurecido, disparei tiros seguidos até ele sangrar por todos os orifícios e se amolecer na minha mão. Respirei fundo e senti o gosto da vingança em minha boca. O larguei no chão. — Não deu tempo nem de eu brincar mais um pouco com o cutelo. — Damon ficou desapontado. Thomas segurou o meu ombro. — Dimitri, você vê? Não foi sua culpa. Nunca foi sua culpa. — Mas é claro que o nosso pai iria ameaçar esse merda. — Damon se aproximou de nós. — Ele nunca iria deixar ninguém tomar nada do que era nosso. Olhei aquele corpo morto e insignificante, mesmo me sentindo vingado, o gosto ainda não é doce. — Se não existir quem chore a perda desse desgraçado, não fará diferença. Deveríamos ter feito isso na frente de todos. — Não tenha dúvidas. Vamos deixar o recado bem dado naquele puteiro. Se eles não sabiam quem eram os Lucchesi, agora eles sabem. Engoli em seco, com o olhar fixo para aquela imagem. Quero guardar na mente que quem tirou a vida do meu pai também está morto.
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