FLÁVIA LUCCHESI CALLALTO
Quatro meses depois…
Quando Dimitri me pediu em casamento, eu não imaginei que seria para já, mas foi. Hoje é o dia do nosso casamento. Estou me arrumando junto com a minha mãe e com a Isabel. Não poderia ser diferente. Eu não tenho mais aqueles pensamentos de anos atrás, de querer afastar a minha mãe. Ela já não é mais a mesma mulher, eu também não sou mais assim, e a Isabel, essa é a minha mãe adotiva. Eu tenho muito carinho por ela e não poderia deixá-la de fora desse momento tão especial.
Cada uma me deu um presente que usaram em seus casamentos e colocaram em meus cabelos. Eram presilhas.
O meu vestido de noiva era justo até a metade da perna, onde se abria uma cauda sereia, e o meu véu era enorme. Ele consegue ser mais longo do que a calda do meu vestido, com decote de coração bem acentuado, uma maquiagem muito bonita e uma coroa em meus cabelos.
Eu parei em frente ao espelho e me senti sim uma verdadeira noiva.
Imaginei que nunca viveria um momento desses, porque eu sempre fui a desacreditada da família, com quem não queria casar, sempre me envolvi com pessoas que não queriam basicamente nada comigo, porque era simplesmente interesse familiar, agora estou me casando com o Dimitri. A última pessoa com quem eu me imaginaria junto. Hoje, acredito que nem se eu procurasse por mil anos, conseguiria encontrar um cara que me trata da mesma forma como ele, que me faz me sentir
amada e sentir sortuda por ter alguém assim.
Não sei medir o quão feliz eu fui nos últimos meses, depois que nós voltamos a sair juntos. Claro que esses quatro anos foram maravilhosos também, mas nada se compara a estar ao lado dele. Tudo que eu imaginei que poderia ser, não chegou perto do que estou vivendo. Ele me faz sentir amada cada palavra que diz. Eu não consigo me acostumar com isso. Sempre que ele fala que me ama, é como se fosse a primeira vez e todas aquelas sensações, as borboletas no estômago continuam aqui.
Sem dúvidas, essa é a decisão que eu tomei e não me arrependo nem um pouco. Me casar com o Dimitri é um grande passo para nós dois e vai tornar tudo mais perfeito do que já era. Como ele disse, somos uma família tradicional e não poderíamos pular essa parte.
Meu pai está bem satisfeito com isso, apesar de que fora desse quarto tudo esteja uma loucura. Eu nunca imagine que poderia juntar a família Lucchesi e a família Callalto no mesmo ambiente para algo que não seja tiros e porradaria.
Claro que eles recusam a se misturar, então cada um está no seu canto. Mas é muito bom saber que mesmo os machos da família Callalto, que adoram uma briga, se comportaram e apareceram no casamento.
Eu nasci em duas famílias bem complicadas, mas admito que cada uma tem as suas qualidades e hoje eu me sinto bem sortuda de ter tanta gente assim para chamar de minha família. Poucas foram as pessoas que não eram nossos parentes que estão aqui, no casamento. Os convites se esgotaram na nossa família mesmo.
Vamos nos casar na maior igreja que encontramos no país, então eu já dei as ordens para que ninguém ouse fazer nenhuma besteira, porque estamos num lugar que não é o nosso território.
Eu queria o maior casamento que essas duas famílias já tiveram e odiaria que qualquer pessoa estragasse isso.
A cerimonialista chamou a minha mãe e a Isabel para se organizarem na porta da igreja, pois a cerimônia ia começar. Agora estou sozinha, esperando o meu momento. Meus pais também vão entrar na igreja e eu fiquei confusa sobre quem entraria comigo.
Nesse momento me bateu a lembrança do tio Giuseppe. Que me ajudou tanto me apresentando o meu pai biológico. Ele foi a única pessoa que teve a coragem de abrir a boca sobre algo que era segredo que poderia causar uma grande confusão. E causou. Mas hoje, se não fosse por ele, eu não estaria aqui, tão feliz quanto estou.
Não é só um casamento, é a realização completa da minha felicidade. Eu tenho uma família que me ama e tenho o noivo mais maravilhoso que também me ama muito.
A porta se abriu e meu pai entrou. Meu pai Lucchesi, como eu gosto de chamar.
— Você está perfeita. — ele veio em minha direção.
— Hoje eu não vou chorar. Eu já repeti mil vezes.
Ele parou na minha frente e segurou as minhas mãos, deslizando os polegares pelo dorso delas. — Eu sei que não fui um pai perfeito, na verdade, fui o pior pai que alguém poderia ter e usei a desculpa de não termos o mesmo sangue para justificar as minhas atitudes. Você sempre foi a minha filha, você cresceu comigo e mesmo com as minhas atitudes, sempre me respeitava. E eu sabia que a sua teimosia era culpa minha. Eu queria muito levá-la ao altar, mas eu não mereço. Eu sei que você encontrou alguém que realmente é um pai e ele se merece te entregar a seu futuro marido, por isso estou aqui, para te falar que é abençoo muito o seu casamento. Espero que você viva todo o que um casal merece, tudo que você merece e você me orgulha muito, sabia? — sorri com os olhos lacrimejando. — Se tornou uma mulher e tanto, apesar dos pesares. Você sempre foi muito forte, nunca abaixou a cabeça para ninguém. Uma verdadeiro Lucchesi. — levantou as minhas mãos e as beijou. — Estou muito feliz, muito orgulhoso de você. Não entrarei com você na igreja, mas estarei no altar, te esperando.
— Obrigada, pai. — lhe dei um abraço forte e engoli o nó na garganta, que tentava me fazer chorar. Com esse forte abraço fraternal, fui deixada sozinha novamente e alguns momentos depois o meu pai biológico entrou na sala. Ele começou a chorar assim que me viu.
— Pelo amor de Deus, né! Não quero borrar a maquiagem! — abanei os olhos.
Ele me abraçou forte. — Eu não me canso de dizer o quanto eu te amo, minha filha. Tanto que eu esperei pelo momento de te encontrar, de te conhecer. E agora, ter você perto de mim, me dando tanta importância e acolhendo a nossa família como a sua, me faz ter certeza absoluta de que você é minha filha e da sorte que eu tive de ter alguém como você como filha.
A lágrima desceu pelo meu rosto e ele a enxugou com o lencinho que tinha dentro do seu blazer.
— Não chore. Agora é o seu momento. Só me prometa que não vai abandonar a nossa família depois do casamento.
— Jamais, pai. Jamais.
Ele beijou a minha testa e saímos dali. Fomos de limousine até a igreja. A cerimonialista me ajudou a me arrumar em frente às portas, meu pai segurou a minha mão e um buquê enorme de rosas vermelhas foi entregue em minhas mãos. A marcha nupcial começou a tocar, arrepiando cada pêlo do meu corpo. Meu coração disparou e a minha respiração ficou presa perto da garganta. As portas se abriram e eu vi uma multidão de pessoas de pé, me vendo entrar e lá no final, tinha um padre e perto dele um jovem de smoking preto, com um sorriso enorme no rosto.
Começamos a andar sobre o tapete vermelho e, como num sonho, eu flutuava na direção do meu futuro marido.
Nos últimos bancos da igreja estavam as pessoas que eram membros das nossas famílias da máfia e amigos. A família Carlota de um lado e a família Lucchesi de outro. Em paz finalmente.
Esse dia não é só o meu casamento, mas um dia histórico para as duas famílias.
No meio estavam nossos parentes distantes, tirando fotos, algumas senhoras falando eu estava bonita e o nervosismo se converteu e felicidade, comecei a sorrir. Alguns flashes foram disparados em minha direção, me causando uma leve cegueira que foi revertida por segundos depois.
Nos bancos da frente estava a nossa família mais próxima. Os pais, nossos tios, na fileira esquerda eram as minhas madrinhas. Olívia lá no topo, com um sorriso de orelha a orelha num vestido lilás, depois a Cecília e minhas outras amigas de infância e adolescência. Eram sete. E do lado direito, perto do Dimitri. estavam os padrinhos. Damon, Hernando, Thomas, Hugo e outros amigos de Dimitri. Felizmente Leon não estava aqui. Não o convidamos. Ele e sua namorada não fazem parte da nossa vida depois de tanta confusão.
Nossos pais estavam na primeira fileira, sorridentes. Isabel chorava e minha mãe também. A tia Estefânia estava em prantos mais do que nenhuma outra.
Parei em frente ao genuflexo e Dimitri desceu alguns degraus até nós. meu pai beijou a minha testa e segurou a minha mão, depois a entregou para Dimitri, dando uns tapinhas em seu ombro.
— Ela é um dos meus bens mais preciosos. Cuide bem dela.
— Eu vou cuidar com a minha vida. — Dimitri segurou a minha mão. Estava gelado e molhado e sorriu para mim, mordendo os lábios. Respirei fundo e fiquei ao seu lado, na frente do altar. Ele cochichou próximo ao meu ouvido. — Você está perfeita, mais perfeita do que nunca.
— Você também. — sorri.
O padre começou a realizar a cerimônia e cada palavra que ele dizia era como se estivesse sendo tatuada na minha memória. Era esse tipo de casamento que eu queria ter na minha vida. E o casamento que todos da família Lucchesi e da família Callalto tem. Aquele casamento que é para o resto da vida, até o fim, que você mataria e morreria por essa pessoa. Parecia uma característica comum na família Lucchesi e também na família Callalto. Sempre nos amamos intensamente, sempre vivemos paixões intensas, seja namorando, seja no casamento, até o fim. Não será difícil viver dessa forma ao lado de Dimitri. Eu o amo com todas as forças e sinto que ele me ama dessa mesma forma.
Falamos o sim mais sinceros das nossas vidas e trocamos as alianças que iremos usar até o dia das nossas mortes e depois.
— Eu vos declara o marido e mulher.
Meu marido sofrendo. — sussurrei no seu ouvido e ele me beijou.
— Minha mulher. — como se ele já não me chamasse desse jeito na frente de todo mundo, bem mesmo antes de me pedir em casamento.
E é claro que ninguém seria contra o nosso casamento. Até mesmo a tia Stefania, quando soube que estávamos noivos, ficou feliz! Não seria diferente para o resto. Todos ficaram felizes pela nossa união e nós somos um casal é uma família se unindo a outra. É uma trégua que perdurará até o fim das nossas vidas.
Entre aplausos e lágrimas, saímos do altar casados, segurando a mão um do outro, feito marido e mulher. Na saída da igreja, recebemos chuvas de arroz e não tão longe dali estava a nossa festa, fomos até lá na limousine, com uma felicidade gritante, transparente em nossos rostos.
A nossa festa poderia ser um caos de agora para frente mas nada disso tirava o sorriso de nossos rostos nesse momento tão feliz.
Todos que estavam na igreja foram para nossa festa e recebemos os parabéns de todo mundo.
— Dimitri, meu filhinho. Você não vai sumir da vida da sua mãe só porque se casou, vai? — tia Stefania estava preocupada com isso. É claro, é o bebê dela.
— Claro que não, eu moro perto de você. Não tem como fugir. — ele brincou. Depois da vingança, ele voltou a ser o palhaço de sempre.
— Estou desolado. — Hernando se aproximou de nós. — Como assim só eu fiquei solteiro?
— Eu também sou solteiro. — Hugo avisou.
— Você não é ninguém, menino! Tô falando do meu grupão. Eu, Damon e o Dimitri. Agora só eu tô solteiro.
— Entra na fila do buquê. Quem sabe você não casa? — eu sugerir lhe dando um abraço.
— Flávia do céu! — Olívia me puxou pelo braço. — Você não está com medo de rolar uma guerra no meio dessa festa?
— Sim, mas eu acredito que ninguém vai fazer isso aqui na minha festa.
Cecília comia feito uma desesperada, com a barriga de gravidez já aparente. — Eu devo estar grávida de gêmeos! Não tem condições. — comentou preocupada.
— Mas você já fez o exame?
— Semana que vem. Se for gêmeos, vocês vão me ajudar a cuidar, não vão?
— De jeito nenhum! — Olívia recusou. — Eu não tô cuidando dos meus! Contrate uma babá!
— Controla as crianças dos Lucchesi é muito difícil. Eu fui a única Vitória que conseguiu dominar os filhos do Thomas.
— Minha filha, se você é casada com o Thomas, se você é madrasta da Sofia e do Hugo r ainda está viva e com juízo na cabeça, claro que você vai conseguir cuidar de mais dois! — eu garanti e Olívia riu.
Tia Stefania se aproximou ainda emocionada. — Agora eu tenho três noras. Todos os meus filhos estão casados. Estou sozinha, abandonada.
— Não mesmo. — desmenti. — A senhora sempre está na casa de um e de outro, querendo mexer nas coisas. como é que se diz que está sozinha?
— Um dia desses, eles eram bem pequenos… Hugo vem cá, meu filho, vem cá. Não quer passar a semana na casa da vovó não? — ela nos abandonou e saiu com ele, conversando.
— Se o Hugo for morar na casa da tia Stefania, vocês já sabem. Será pior do que os três filhos dela juntos, o quão mimado que vai crescer.
— Se ele crescer mais um pouco não vai passar pela porta. — Cecília retrucou e demos gargalhadas.
Tiramos várias fotos e na hora de jogar o buquê, o Hernando resolveu entrar no meio. Eu já ri demais com ele e esse drama de não estar casado enquanto os amigos dele estão. Enganei todos os solteiros por duas vezes, até que na terceira joguei o buquê de verdade e no meio da briga, todo mundo se afastou para saber aonde que tinha caído.
Uma garota exclamou. — É meu! Você o tomou de mim!
— Não. Isso aqui é meu. Vamos tirar uma foto, Flavinha. — Hernando trouxe o buquê e fotógrafo tirou fotos enquanto eu rachava de rir.
— Sabe que esse desespero isso aí é tudo drama. — Dimitri me alertou. — Ele nunca vai casar. Vai colocar esse buquê para enfeitar o armário dele.
— Agora é a hora da dança dos noivos. — a cerimonialista nos avisou.
Finalmente eu pude ter um tempo com meu noivo, já que desde que chegamos na festa, tivemos que dar atenção aos convidados. Como boba apaixonada que sou, pedi para que colocasse a música do John Legend para tocar na nossa primeira dança. Abracei o meu marido e dançamos olhando para o outro, ao som de All of me. Mais clichê é impossível. É um sonho.
— Será que exagero dizer que esse é o dia mais feliz da minha vida? — ele perguntou.
— Podemos dizer que o primeiro muito, pois será.
— O primeiro de muitos. Eu quero viver do seu lado, quero fazer muitas viagens, muitas loucuras e construir uma família enorme com você.
— Vamos repensar essa parte da família enorme. O resto eu aceito com certeza.
Nós rimos.
Várias pessoas já estavam dançando na pista também. Damon e Olívia, Thomas e Cecília, Hernando dançando com a Sofia, Frederico com a Ysla e a tia Stefania dançando com o Hugo.
— Eu tenho medo de dizer aquela frase que sempre falamos ao final de uma grande batalha nas nossas vidas.
— Eu sei que frase é essa. Acho melhor não tocarmos nesse assunto mesmo.
— Mesmo assim eu quero te dizer que eu te amo demais, Flávia. Você sempre foi a minha paixão e sempre será a única mulher da minha vida… de agora para frente.
— De agora para frente. — repeti essa parte rindo. — Eu também não imagino com ninguém além de você. Quero ter você até o fim da minha vida, até o fim e além. — nos beijamos.
EPÍLOGO
5 meses depois…
Eu e Olívia viemos visitar o novo Lucchesi. Thor. O filho do Thomas. Ele m*l nasceu e já fez uma revolução na família. Para entrar na casa do Thomas é uma dificuldade com a segurança do lugar.
— É a cara do Thomas. — Olívia comentou.
— Sim. bonitão, não é?
Eu ri. — Essa família fica cada vez maior.
— Vamos fazer as contas. — Olívia levantou os dedos. São três do Thomas, dois do Damon, mais um que está a caminho, seis, mais dois do Dimitri que estão a caminho. Oito netos. Será que a Stefania não vai se satisfazer com essa quantidade?
Toquei a minha barriga preocupada comigo mesma. Cecília riu de mim. — O que você me disse mesmo no dia do seu casamento? Que se eu tivesse grávida de dois, poderia cuidar. Você também pode. Afinal, Dimitri não é menos complicado que o Thomas.
— Nem se compara, garota. Dimitri é um santo!
Elas riram de mim.
— O melhorzinho de todos é o Damon.
— Também, Olívia! Vive debaixo da sua unha!
— Triste será a que vai aguentar o Hernando. — comentei e rimos. — Será que ele vai arranjar alguma corajosa?
— Depois do buquê, eu acho que sim.
— Eu também acredito nisso. — Cecília concordou.
— Vamos esperar para ver. Hernando vivendo uma história de amor. Eu quero acompanhar de perto.