REENCONTRANDO AMIGOS

2106 Words
FLÁVIA Convencer o Dimitri a viajar não foi uma tarefa fácil, convencer o meu pai foi mais difícil ainda, mas aqui estamos, em Madrid. O apartamento é muito bem localizado e a decoração é elegante e intimista. Adorei. Assim que deixamos as malas no hall de entrada, Dimitri foi até a sacada, que se divide após a sala por portas de vidro que permitem uma iluminação natural intensa e revigorante no interior do apartamento. Após passar pelas portas, ele escorou no parapeito. Estamos na cobertura e isso nos dá uma boa vista da cidade. Fui atrás dele e, parada atrás de seu corpo, apoiei meus braços em seu ombro esquerdo e olhei para a cidade, assim como ele. É uma cidade digna de se admirar. — Fará bem para nós. Você vai ver. Ele não disse nada. — Entrei em contato com uma amiga. Para sair um pouco e redescobrir a cidade. Já morei alguns meses em Madrid. Foi tempo suficiente para fazer algumas amizades. — Não tô com clima para festa. — fala rouco e grave. Ele anda assim. Sério. Tão sério que até o tom da sua voz mudou. Sinto falta do Dimitri de antes, mas sei e respeito o que ele está passando. Nada disso é atoa. — Não é festa. É só uma reunião com amigos. Não vamos ficar trancados nesse apartamento, por mais que ele seja extremamente confortável. Ele balançou a cabeça, concordando comigo. — Vou guardar as roupas. Quer vinho? — Já deu tempo de encontrar uma garrafa de vinho? — Claro! A pequena adega está de cara para quem passa pela porta do apartamento. — apontei e voltei para a sala. Era uma pequena adega feita de madeira, que não fazia nada além de servir para manter as garrafas de vinho na inclinação correta para o envelhecimento. Escolhi um deles e levei para a cozinha. Depois de nos servir, puxei a primeira mala a ser desfeita até o nosso quarto. E que quarto! Uma cama bem larga, cômodo espaçoso, com closet e um banheiro enorme. Tia Stefania tinha razão. Esse lugar é muito bom! A arrumação foi demorada. Eram quatro malas com coisas minhas e do Dimitri. Terminei quando já era noite e me arrumei para sair com a Daniela. Minha amiga de Madrid. Ela está animada em saber que estou aqui e como também está namorando e sabe que estou comprometida, podemos ter um bom passeio de casais. Usei um vestido de lurex cinza. Ele brilha muito e chama a atenção por causa disso, mesmo sendo pouco decotado e nem muito curto. Arrumei as alças finas em meus ombros e modelei meus cabelos enquanto Dimitri tomava o seu banho. — Já ligou para os seus amigos? — perguntei em frente ao espelho. — Para ser sincero, saí daqui corrido por conta dos vários problemas que arranjei. Perdi o contato com os amigos que tinha. — ele apareceu com uma toalha enrolada no quadril. Tão gostoso! Sorri para ele. Tenho tentado arrancar sorrisos de seu rosto e trazê-lo para fora do abismo que a morte do tio Giuseppe o levou. Ele não anda de todo relutante. Ainda temos momentos bons e carinhosos. Só não é como antes. Acho que vai demorar para voltar a ser. Ele veio até mim com um pequeno sorriso e me abraçou assim que afastei a modeladora. Beijou a minha cabeça. — Você é maravilhosa. Tenho tanta sorte. — levantou o meu rosto e eu não escondi o sorriso por ouvir esses elogios. — Desculpa por estar atrapalhando o tempo que deveria ser feliz. — Você não está atrapalhando nada. Essas coisas levam tempo e desde que estejamos juntos sem brigas e tentativas de homicídio, já é um tempo feliz. Desta vez ele deu uma boa risada. Parece que tenho que lembrar do caos que foi o início do nosso relacionamento para fazê-lo rir. — Essa fase já passou. Nada vai atrapalhar o nosso relacionamento, não é? — Não. Se tentar eu mato. — Eu também. — beijou uma última vez a minha cabeça e se voltou para a prateleira onde arrumei nossos produtos de beleza e cuidado. [•••] — Que coincidência! — me espantei ao descobrir que o namorado de Daniela era simplesmente um dos amigos do Dimitri. Leon. Tem a cara de babaca Dimitri carregava antes de estarmos juntos. Devem ter aprontado horrores nesta cidade. — Pois é! Agora podemos sair todos juntos. — Daniela me deu mais um abraço e o cheiro forte de flores de seus cabelos castanhos consumiram minhas narinas e me embebedaram. Seria bom se não fosse não forte. Suspeito até que ela derramou o frasco de perfume nos cabelos. — Tem mais gente vindo. Eu tomei a iniciativa de chamar outro amigo meu. — Leon avisou. — Eu também chamei uma amiga. — Dani contou. — Na verdade, ela perguntou o que iríamos fazer hoje e eu fiquei sem querer mentir. Mas ela é legal. Vocês vão adorar. — Tá bom. — olhei para Dimitri e dei um pequeno sorriso. Ele reproduziu a minha expressão. — Vamos tomar alguma coisa? — Vamos. O lugar era um barzinho de iluminação baixa com decoração vintage, localizado há alguns quarteirões da minha casa. Pedimos uma bebida criada pela própria casa. A base de conhaque com frutas levemente azedas e no fundo adocicadas. Era uma bebida para saborear. Eu particularmente gostei. Dimitri começou a conversar com Leon e eu bati um papo com a Dani. — Faz anos que não nos vemos! — Sim. Mais de cinco anos, suspeito. O que aconteceu com as outras? — fiquei curiosa. Nós andávamos em bando. — Algumas se casaram, tiveram filhos, outras foram morar em outros países. — E você ficou. — Você sabe. Eu nunca deixaria essa cidade. Adoro o clima, tudo. — Leon é daqui? Há quanto tempo estão juntos? — um sorrisinho escapou de meus lábios e ela também sorriu. Parece bem apaixonada. — Faz dois anos entre términos e voltas. Estamos pensando em morar juntos, mas ainda é um passo muito grande no relacionamento. Não acha? — Sim. Eu e Dimitri estamos morando juntos faz algumas semanas. O meu pai só quer matá-lo por ter me tirado de casa, mas eu já me acostumei. — contei animada. A única coisa que não nos deixa mais feliz é o luto, mas se não fosse isso, acho que estaríamos nos divertindo muito entre quatro paredes. — Telma chegou. — ela avisou olhando para a porta e vindo em nossa direção estava uma morena peituda, com lábios extremamente avantajados por procedimento estético. Os rapazes, assim como 90% das pessoas que estavam no bar olharam para ela. E ela cumprimentou o meu namorado primeiro. — Dimitri! Quanto tempo! Se conhecem! Eles deram um rápido abraço. — Tudo bem? — Estou ótima. E você? Como vai? — Estou ficando. Leon, que carregava nos lábios um sorriso babaca, também a cumprimentou. Foi aí que Daniela a trouxe até nós e nos apresentou. — Telma, essa é a minha amiga Flávia. Flávia, essa é a Telma. Tem sido o meu ombro nas noites de tormenta. Ou seja, melhores amigas. — Tudo bem? — estendi a mão e trocamos beijos no rosto. — É um prazer. — ela abriu um grande sorriso de tecla de piano. Ela é mais baixa do que eu. — Quer uma bebida? — Dani perguntou. — Quero sim. — ela se animou e foram as duas até o balcão. Fiquei ali perto dos garotos e Dimitri me puxou e me abraçou, beijando a minha cabeça. Ele não parece tão triste depois que reencontrou o amigo. Elas demoraram um pouco e eu as vi conversando do balcão. — Então você é a sortuda que domou o Dimizão, foi? — Leon era mesmo um bobalhão. — Foi. — Nem precisou de muito. A mulher me colocou na coleira facinho. — Aham. — Encarei meu namorado e sua cara de p*u. — Quer um lustra móveis não para passar na sua cara de p*u? — Por que? Eu era completamente apaixonado por você. Você que não me queria. — Você era um babaca. Ele apertou o meu pescoço com o braço e beijou a minha cabeça. — Ramon! — Leon exclamou, fazendo um turbilhão de memórias relacionadas a esse nome reacenderam na minha mente. Memórias nada românticas. Apenas memórias que eu preferia não me recordar, mas tendo um namorado como o Dimitri, me preocupam. Quantos Ramon existem em Madrid? Estiquei o pescoço e era ele. Em carne e osso. O Ramon com quem tive um rolo que acabou muito m*l por causa das bobagens que esse i****a adora falar. Independente da idade que tem, pelo sorriso irritante, vejo que ele não mudou nada. Os rapazes o cumprimentaram e ele falou comigo como um conhecido. — Tudo bem? — Estou bem. E você? — Melhor agora. Pelo visto ele não interpretou a aproximação calorosa entre mim e Dimitri como um suposto relacionamento amoroso. — Parece que todos se conhecem. — Leon se divertia com isso. Daniela não sabe escolher namorado e o Dimitri sabe escolher amizades tanto quanto eu selecionava os caras que ficava há seis anos atrás. As meninas voltaram. Elas cumprimentaram o Ramon e eu fiquei perto delas, rezando para não ouvir nenhuma babaquice desse venta-de -panela-de-pressão. Passamos do primeiro drink para o segundo e o terceiro, até que Telma foi ao banheiro e Daniela me puxou de lado. — Amiga, eu descobri uma coisa. Não sei se você vai ficar confortável. — O que? Tô menstruada? A minha roupa está manchada? — tentei ver a minha b***a, mas não deu. Ela riu. — Não. A Telma me contou que já ficou com o Dimitri. Ergui minhas sobrancelhas surpresa. — Sério? Meu coração bateu forte em alerta. — Sim. — ela mordeu o canto do lábio. — E isso faz quanto tempo? — Foi no tempo em que ele morava aqui. — Ah. — o assunto se tornou sem importância imediatamente. — Então não faz diferença. Eu achei que tinha sido pouco tempo antes de estarmos juntos ou que ele tinha me traído com ela. — Você não se importa? Porque eu chamei sem saber. — Não. — Não tem ciúmes? Amiga, eu teria. Não confio em homem nenhum. — Eu confio no meu homem. Depois de mim, acho difícil o Dimitri querer outra mulher. — tomei um gole da minha bebida e ela ficou rindo. — Eu não confiaria desse jeito no Leon. Claramente Dimitri e Leon são diferentes. [•••] DIMITRI — Dimizão. — Leon me chamou na frente do bar. Eu saí para tomar um ar, mas o seu cigarro atrapalhou a pureza da ventilação natural. — O que foi? — Cê já conhecia o Ramon? — Não. É a primeira vez. — E a sua garota já te falou sobre ele? — Não. Ele não parece ter muito significado para ela. Da mesma forma que Telma não tem para mim. Ele riu com o cigarro na boca e depois exalou a fumaça pelo nariz. — Cara… ele me contou umas coisas que me deixou um pouco preocupado. Sei que você é esquentado, por isso eu te aviso. Ele às vezes é um pouco babaca. Não liga para as indiretas dele não. Eu não tinha me importado antes, mas pelo andar da conversa, parece que tem algo que eu preciso saber. — O que ele andou falando? — cruzei os braços. Ele balançou a cabeça de um lado para o outro. — Começou, agora termine. — Ele gosta de se gabar. Quando estávamos fumando um baseado agora a pouco, ele me contou que já ficou com a sua mina. Que fodeu todos os buracos dela e botou pra mamar até gozar na garganta dela. Cerrei os olhos e descruzei os braços também cerrando os punhos. — Você tinha razão. Eu sou esquentado demais para ouvir essas coisas. — voltei para dentro do bar e fui direto na minha namorada. — Flávia, vamos embora, agora. — segurei seu punho. — O quê? Por que? — Vamos antes que eu perca o controle e faça alguma merda. E certamente faria se esse i****a que gabou tais sacanagens aparecesse em minha frente neste meio tempo. Abri a carteira e deixei uma nota suficiente para pagar o que consumimos e mais um pouco. Deixei na mesa das meninas. Elas pareciam confusas com a minha ideia, mas Flávia não relutou. Se despediu rapidamente e eu fiz o mesmo, mas de longe, então saímos da boate. Já vi que esse tempo em Madrid não nos trará tanta paz como minha namorada imaginou.
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