Capítulo 13

784 Words
Eu deveria ter sabido que não duraria. Segredos nunca duram nesta casa. Não com minha mãe. Passei o dia seguinte ainda sentindo a pele dele na minha. Cada toque, cada beijo, cada gemido ainda ecoava dentro de mim. Aidan tinha se tornado mais que uma obsessão, mais que um vício. Ele era meu. E, pela primeira vez, não sentia vergonha disso. Mas minha mãe sentiu. Naquela manhã, acordei com a sensação de estar sendo observada. E estava. Minha mãe estava sentada na cadeira do canto do quarto, os braços cruzados, os olhos duros cravados em mim. — Onde esteve esta noite? — perguntou, a voz fria como lâmina. Meu coração parou. A respiração falhou. Engoli em seco, tentando me recompor. — Aqui. Dormindo. Ela riu. Um riso sem humor, sem alegria. — Não minta para mim, Ivy. Eu ouvi. Meu corpo inteiro gelou. — Ouviu… o quê? Ela se levantou devagar, cada passo calculado, como um predador se aproximando da presa. — Seus suspiros. Seus gemidos. — Seus olhos faiscavam de fúria e nojo. — Eu sempre soube que havia algo errado entre você e aquele homem. Minha garganta fechou. Não havia como negar. Não depois disso. — Mãe, eu… — Cale-se! — gritou, e a fúria em sua voz fez minhas pernas tremerem. — Como ousa? Na minha casa? Com aquele… monstro? As palavras cortaram mais fundo do que qualquer faca. Mas, em vez de me destruir, acenderam uma chama em mim. — Ele não é um monstro. — respondi, a voz mais firme do que eu esperava. — Ele me vê. Ele me ouve. Coisa que você nunca fez. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Minha mãe me encarava como se eu tivesse cuspido blasfêmias. — Você é vulgar. — disse, por fim. — Sempre foi. Eu tentei te consertar, mas já vejo que não tem salvação. — Não preciso ser salva. — respondi, e percebi que minha voz tremia não de medo, mas de raiva. — Preciso ser livre. A discussão terminou com ela batendo a porta com força, me deixando sozinha. Mas o pior ainda estava por vir. Naquela tarde, ouvi os passos dela no corredor, descendo as escadas. Corri até a porta do quarto e vi. Minha mãe estava diante da porta do porão, batendo com força. — Sr. Blackwell! — chamou, em voz alta. — Saia já daí. O pânico me tomou inteira. Corri até ela. — Pare, mãe! Ela me empurrou com violência. — Você pensa que pode me enganar? Pensa que vou deixar minha filha se deitar com um homem quebrado, um assassino? — cuspiu as palavras, o rosto vermelho de fúria. — Eu vou expulsá-lo desta casa. Aidan abriu a porta antes que eu pudesse responder. Estava sério, tenso, mas não surpreso. Como se já soubesse que esse momento chegaria. — A senhora não precisa se preocupar. — disse, em tom firme. — Eu vou embora. Meu coração se partiu ao meio. — Não! — gritei, agarrando o braço dele. — Você não pode! Minha mãe sorriu com triunfo. — Viu? Ela é só uma menina tola, enfeitiçada. Quando você sair, tudo volta ao normal. Mas eu sabia que nada voltaria ao normal. Nunca mais. — Ivy… — Aidan murmurou, os olhos cinzentos pesados, cheios de dor. — Talvez seja melhor assim. — Não ouse. — segurei seu rosto entre minhas mãos, ignorando a presença da minha mãe. — Não me deixe. Você não entende? Eu preciso de você. Minha mãe avançou, tentando me afastar dele. — Está envenenada, garota! Ele só vai arruinar você como arruinou tudo na vida dele. Mas eu não soltei. Pela primeira vez, não me curvei ao peso dela. — Você não manda mais em mim. — disse, firme, olhando-a nos olhos. — Não manda no que sinto. O choque em seu rosto durou apenas um segundo, antes de se transformar em ódio puro. — Então você escolhe esse homem? — cuspiu. Olhei para Aidan. Para o homem quebrado, marcado pela dor, mas que me fez sentir viva como nunca. E soube a resposta. — Sim. Eu escolho ele. Minha mãe saiu furiosa, os passos ecoando pela casa. Eu sabia que a batalha estava apenas começando. Ela faria de tudo para nos separar. Mas, quando fiquei sozinha com Aidan no corredor, meu corpo ainda colado ao dele, percebi que não importava. Porque eu nunca mais iria desistir. Ele segurou meu rosto, os olhos cheios de uma mistura de dor e ternura. — Você não sabe o que está fazendo. — Sei, sim. — respondi, sem hesitar. — Estou escolhendo você. E, naquele momento, percebi que não havia mais retorno. A guerra tinha começado. E eu estava pronta para lutar.
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