Quando a porta do quarto se abriu e a sombra dele entrou, todo o ar sumiu. Meu corpo sabia antes da minha mente: aquela noite mudaria tudo.
Aidan fechou a porta atrás de si, em silêncio. O quarto estava escuro, iluminado apenas pela lua que atravessava as frestas da cortina. Mesmo assim, pude ver os contornos de seu corpo, os ombros largos, a tensão nos músculos, a hesitação nos olhos cinzentos.
— Você pediu. — murmurou, a voz rouca, grave.
Sentei-me na cama, o coração disparado. — E você veio.
Por um instante, ficamos apenas nos encarando, como dois prisioneiros decidindo se deviam ou não quebrar as grades. Mas então ele deu o primeiro passo. E eu soube: não havia mais volta.
O beijo veio como um incêndio. Diferente dos anteriores, não havia contenção. Ele me tomou com uma urgência quase selvagem, a boca esmagando a minha, a língua invadindo, dominando, como se quisesse me consumir inteira.
Ofeguei contra seus lábios, mas não recuei. Ao contrário, minhas mãos agarraram sua camisa, puxando-o com força, desesperada por mais. O peso dele me empurrou contra o colchão, e senti cada linha de seu corpo, cada músculo tenso, cada batida acelerada de seu coração.
Era fome. Era necessidade. E era recíproco.
As mãos dele desceram pela minha cintura, apertando, explorando, como se quisessem memorizar cada curva. Deslizaram por minhas coxas, firmes, possessivas, até alcançarem a barra da minha saia. Arfei quando seus dedos roçaram minha pele nua, fria e quente ao mesmo tempo.
— Aidan… — minha voz saiu em súplica.
Ele interrompeu o beijo por um segundo, o olhar ardente fixo no meu. — Diga que pare. — pediu, a respiração pesada.
Balancei a cabeça. — Não vou.
E foi tudo o que ele precisou.
A camisa que o cobria foi arrancada por minhas mãos trêmulas, revelando a pele marcada por cicatrizes. Tracei cada uma delas com a ponta dos dedos, sem medo, sem repulsa. Ele estremeceu sob meu toque, como se fosse a primeira vez que alguém ousasse vê-lo inteiro.
— Você não sabe o que faz comigo… — murmurou contra meu ouvido, a voz quebrada.
— Então me mostra. — respondi, sem hesitar.
E ele mostrou.
Seus lábios desceram pelo meu pescoço, deixando um rastro de beijos quentes e mordidas leves. Cada toque fazia meu corpo se arquear contra o dele, cada suspiro arrancava outro ainda mais profundo. Minhas mãos percorriam suas costas, sentindo os músculos se moverem sob a pele.
Quando suas mãos deslizaram por baixo da minha blusa, arranquei um gemido que não consegui conter. Ele me olhou nos olhos, como se buscasse permissão em minha expressão. E o que encontrou foi desejo. Puro, nu, incontrolável.
Num gesto rápido, a blusa foi arrancada, e sua boca encontrou a pele nua do meu peito. Senti os lábios quentes, a língua explorando, e um arrepio percorreu meu corpo inteiro. Meus dedos se enterraram em seus cabelos, puxando-o para mais perto, incapaz de suportar qualquer distância.
O calor aumentava, crescendo até o limite do insuportável. Nossos corpos se moviam em sincronia, como se a própria respiração fosse coreografada. Ele me deitou contra o colchão, apoiando o peso sobre mim, o corpo rígido, mas entregue.
Quando suas mãos finalmente alcançaram o tecido que ainda nos separava, quase chorei de alívio. Cada barreira sendo arrancada era uma libertação. Cada pedaço de roupa no chão era uma confissão sem palavras.
Até que não restou nada. Apenas nós. Pele contra pele.
O momento em que ele me penetrou foi choque e rendição. Um gemido escapou de meus lábios, misto de dor e prazer, e ele tentou parar. Mas agarrei-o com as pernas, trazendo-o de volta.
— Não. — sussurrei. — Eu quero.
E ele se entregou.
O ritmo começou forte, urgente, como se fosse a única forma de apagar todos os anos de silêncio e dor. Cada estocada arrancava suspiros, gemidos, palavras desconexas de mim. Mas logo se tornou mais que apenas brutalidade. Era ternura, era necessidade, era cura.
Ele me beijava entre cada movimento, me segurava como se fosse ao mesmo tempo a coisa mais preciosa e mais perigosa que já teve nas mãos. Eu o arranhava, o puxava, o implorava sem vergonha. E, juntos, nos perdemos.
O clímax veio como uma onda, nos arrastando sem piedade. Meu corpo inteiro se arqueou contra o dele, cada nervo em chamas, cada célula viva como nunca antes. Senti-o se desfazer dentro de mim, o corpo rígido, o rosto enterrado em meu pescoço, o gemido abafado contra minha pele.
E, por um instante, não havia guerra, não havia mãe, não havia porão. Havia apenas nós.
Depois, ficamos deitados em silêncio, ainda entrelaçados, os corpos suados, os corações descompassados. Aidan me segurava como se tivesse medo de me soltar, e eu não queria que soltasse nunca.
Ele beijou minha testa, devagar, quase com reverência. — Você vai me destruir. — sussurrou, mas a voz não tinha mais força.
Sorri, cansada, satisfeita, inteira pela primeira vez. — Então me leve com você.
E, naquele momento, soube: não havia mais volta.