Capítulo 8

1340 Words
Beatriz 🙂‍↕️ Vim pra Paris pra realizar um sonho, o tão sonhado sonho de ser médica, a doutora Beatriz, como minha mãe fala pra mim. Minha vida foi maravilhosa, nunca me faltou nada, mas meu irmão mais velho sempre me falou que ele só entrou na vida do crime por mim, porque eu tava passando fome e isso ele não ia aceitar. Cresci e tudo que eu queria eu tinha, de roupa a brinquedos. Eles são minha maior riqueza, meu ponto de equilíbrio, dou minha vida por eles, mas claro que nem tudo eles me deram. Estudei, fiz curso de tudo um pouco, da parte da beleza à parte de escritório, mas meu sonho mesmo é ser médica. Trabalhei no morro, em uma loja de roupa, e de lá eu juntei uma boa grana, também a grana que meus irmãos me dão, e isso me deixa muito feliz. Sabe quando você sente que precisa ficar do lado de uma pessoa e ajudar até o fim? Então, é isso que eu sinto pela Yasmin. Desde o primeiro dia que eu vi ela, no avião, cabelo solto e chorando, eu senti que precisava ajudar ela, precisava ficar ali com ela. Então foi assim que eu encontrei uma amiga nela. Sim, tenho amigas no Rio, mas nenhuma foi como a Yasmin. Nós duas foi uma conexão de outro mundo, sabe? Como se nós se conhecesse há anos. Ela me falou tudo sobre ela e senti pena, sim, senti muita pena, porque a menina não sabe o que é amor de uma família, mas agora ela vai ter eu e minha família, e sinto que ela e meus sobrinhos vão ser muito felizes. Deixei a Yasmin me esperando lá fora e voltei pra dentro da casa, pra pegar o resto das nossas malas. Entrei na casa e esses dois idiotas estavam brigando, mas quando perceberam que eu entrei, pararam. Nem dei moral, porque se não eu sou capaz de pular neles. Fui pro quarto, peguei nossas duas malas e voltei pra sair da casa, mas eu não consegui passar direto. Beatriz: Eu espero que vocês sejam muito infelizes nessa vida que vocês acham perfeita — Sorri — E quando vocês verem a Yasmin por aí, vocês vão ver a mulher f**a que ela vai se tornar e nem cheguem perto dela, entendeu? — Se depender de mim, Yasmin vai ser a mulher mais f**a do Rio, pode anotar. Saí da casa e nem dei tempo deles falarem. Esses dois ainda vão se arrepender muito e quero estar perto pra xingar e rir deles. Beatriz: A gente chegou com duas malas cada e olha agora — Olhamos pras malas e no total são 7 e duas bolsas. Yasmin olhou e senti que ela queria chorar — Vem aqui, princesa — Abracei ela — Você tem a mim e agora vai ver o que é família de verdade. Yasmin: Obrigado, Bia, te amo — Sorri — Mas me fala pra onde nós vamos? — Pode ser loucura o que eu vou fazer agora, mas vou fazer assim mesmo, por ela e pelos meus sobrinhos. Beatriz: Vamos voltar pro Brasil agora — Falei e fui abrindo o porta-malas. Ela ficou parada e eu sei que ela vai falar. Yasmin: Bia, e a tua faculdade? Tá doida, menina? Teu irmão já pagou os 3 anos. Beatriz: Por meu irmão isso é de menor, Yasmin, o dinheiro que ele pagou nessa faculdade nem fez cócegas nele. Yasmin: Mesmo assim, amiga, é teu sonho. Beatriz: Esse sonho eu posso realizar lá no Brasil, Yasmin — Coloquei as malas que deu no carro, essa p***a tudo grande, aff. Yasmin: Amiga, mas... Beatriz: Mas nada — Interrompi ela — Agora vamos, que nosso voo de volta sai daqui a 1 hora e meia. Comprei em cima da hora, mas vai dar tempo — Comprei a passagem quando arrumei minha mala. Pode ser loucura? Sim, lógico, mas eu sinto que preciso voltar, ajudar ela, sabe? Não sei o que isso significa, mas eu sempre ouço meu coração e ele tá mandando eu voltar logo pra lá. Hugo já tinha chegado e colocado as malas e as bolsas no carro dele. Menino legal, mas sei lá, não rolou aquela química e se não tiver eu não quero. [...] Chegamos no aeroporto quase voando, mas deu tempo. Fizemos check-in despachando as malas, só ficamos com nossas bolsas. Hugo: Então, não vou te ver mais? Beatriz: Vou tentar voltar pra te ver — Menti? Sim — Mas qualquer coisa você pode ir lá me ver também — Espero que não queira. Hugo: Pode ir mesmo? Beatriz: Sim, a gente pode ver isso, me manda mensagem — Ele concordou e me deu um abraço, um selinho e um beijo no rosto. Sorri pra ele e nosso voo foi chamado. Hugo: Boa viagem pra você, gravidinha — Abraçou ela — E pra essas meninas também. Beatriz: Meninas? Hugo: Eu sinto que é meninas, mas quando for fazer o chá revelação me avisa — Eu ia fazer um chá simples só pra nós duas e minha mãe em chamada de vídeo, mas agora eu vou fazer é uma festona no morro, pensei rindo. Yasmin: Tá rindo assim por quê? Beatriz: Surpresa, bebê, vamos — Ela concordou e nós despedimos do Hugo mais uma vez e fomos pro nosso portão. Fizemos tudo que tinha pra fazer e entramos no avião, sentamos e vi ela nervosa — Ei, fica assim não, agora é vida nova. Yasmin: Em menos de 24 horas minha vida virou uma montanha-russa e eu tava sem cinto. Beatriz: Deus sabe de tudo, meu amor, Ele na frente sempre. Yasmin: Eu tô com um pouco de medo, sabe? Beatriz: Medo faz parte da vida, amiga, mas vai dar tudo certo, você vai ver. Yasmin: Eu te amo demais, maluca. Beatriz: E tu nem imagina o quanto eu te amo, mini maluca — Ela riu e senti ela mais calma. Vamos chegar no Brasil à noite. Pelos meus cálculos vamos chegar lá já vai ser quase 11 da noite e meus irmãos vão estar no baile, é sexta. Eu não consegui avisar ninguém da minha casa e não tinha como explicar pros meus irmãos por telefone que eu ia voltar e ainda por cima ia levar uma amiga e ainda grávida, que os pais tiraram tudo dela e ela não tem nada. Como fala isso pra eles? Eu nem me preocupo tanto com os 4 patetas, agora com o LR esse sim me preocupo, ele vai pirar, vai falar que não pode, vai falar que tenho que pensar nas coisas, blá blá blá, mas se minha mãe deixar, ele não pode fazer nada e nada. E falando em irmãos, eu não contei pra Yasmin sobre o corre deles, só falei que eles ganham bem, que nós vivemos bem e foi só. Mas sei lá, agora parando pra pensar, a mina é toda perfeitinha e com certeza em dia de tiroteio ela vai querer sair fora de lá, ela é toda medrosa e acho isso tão fofo nela, mas vou começar a ensinar ela a ser mais dona de si própria e não deixar ninguém pisar nela. Beatriz: Vocês vão ser felizes, meus amores — Falei olhando pra ela que tava dormindo e passei a mão na barriga dela, essa barriguinha que daqui mais um pouco vai explodir, ela odeia escutar isso — Vocês vão ter uma família de verdade e um lar onde vocês vão poder dizer um dia pros amiguinhos: lá em casa só tem doido e minha tia é a pior — Ri da minha fala. Eu sei que meus irmãos nunca vão me dar um sobrinho, porque pra eles casamento, filho, não é uma boa, por isso esses bebês vão ser meus únicos sobrinhos — Quero um dia vocês falando pros amigos de vocês: vamos lá pra casa, minha tia é de boa, eu amo vocês demais. Uma loucura? Lógico, mas essa loucura eu fazia duas, três e quantas vezes fosse necessário por eles...
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