Capítulo 7

1711 Words
Yasmin 🌝 Viemos o caminho todo conversando sobre os bebês. Beatriz queria passar em uma loja de bebê, mas eu não queria, tô meio enjoada e com um pressentimento r**m. Chegamos em casa e estacionamos o carro na garagem, e Beatriz veio me ajudar a sair. Yasmin: Não precisa disso, mulher — médica falou pra mim tomar cuidado com tudo, e agora essa doida vai querer me levar até no banheiro, se possível. Beatriz: Cala a boca, tô só cuidando dos meus sobrinhos, chata — me deu língua e foi indo abrir a porta. Peguei minha bolsa no carro. Beatriz: Yasmin, tu esqueceu de fechar a porta, fo... Yasmin: Não, eu fechei, porq... — ela tava parada na porta. Quando eu olhei pra onde ela tava olhando, eu não acreditei. Era meus pais ali sentados no sofá — Pai, mãe — eles até então tavam olhando pra Beatriz, mas assim que falei, eles olharam pra mim e o olhar caiu pra minha barriga. Eduarda: Yasmin, tu tá grávida? — falou se levantando e passando a mão no cabelo. Meu pai balançou a cabeça negando e olhou pro chão. Fui entrando e Bia ficou parada na porta. Yasmin: O que vocês estão fazendo aqui? Eduarda: Sua desgraçada — só senti um tapa na minha cara. Olhei pra ela sem acreditar. Bia veio pra perto de mim. Beatriz: Tá doida, sua maluca? — falou pra minha mãe. Eduarda: Quem é essa aí? — fez cara de nojo. Beatriz: Essa aí não, eu tenho nome. Yasmin: Não — falei pra Bia, porque minha mãe é doida e é capaz de bater nela, e isso eu não vou deixar. Marcelo: Quem é o pai dessa criança, Yasmin? — falou me encarando. Bia tava na minha frente, quase pulando na minha mãe. Yasmin: Pai, é... é... — gaguejei e fiquei olhando pro chão. Eduarda: QUEM É O PAI DESSA CRIANÇA, YASMIN? — gritou, me fazendo assustar. Yasmin: Eu não sei, eu não sei — falei me sentando. Eduarda: Como assim não sabe? Tu deu por aí e não sabe quem é o pai, sua desgraçada — ameaçou vir pra cima de mim, mas Bia se colocou na frente — Sai da minha frente, porque senão... Beatriz: Senão o quê, dona? — peitou minha mãe — Eu não tenho medo de ameaça não, senhora. Da onde eu vim, ameaça deixa nós ainda mais forte — Bia não me falou ao certo sobre a família dela, só falou que morava na Rocinha, tem seus irmãos e a mãe. Os irmãos fazem uns trabalhos e só isso. Marcelo: Falei pra ti que mandar essa aí vir pra cá não ia ser bom, olha o tipo de amizade que ela fez aqui — falou pra minha mãe. Na parte “essa”, ele olhou pra mim. Eduarda: Tu vai tirar essa criança, vem agora, Yasmin — falou pegando a bolsa em cima do sofá, e eu não levantei. Fiquei ali sentada, sem acreditar no que ela falou — BORA, c*****o. Yasmin: Eu não vou — eles me encararam — é meu filho, vai ser meu e de mais ninguém. Eu não pedi nada de vocês, ou pedi? Não, né? Então me deixa em paz. Eu cansei, eu cansei de vocês mandarem eu fazer as coisas e eu, com medo, ir fazer na hora. Mas agora não. É meu filho, uma criança que não tem culpa de nada. O erro foi meu e eu vou arcar com as coisas do meu filho. Marcelo: E como, Yasmin? Me fala como? Que eu me lembre, tu não trabalha, tua faculdade quem paga é nós. Vai cuidar de um filho como? Yasmin: Eu não trabalho porque vocês nunca deixaram. A faculdade que vocês pagam eu odeio, esse não é meu sonho e nunca vai ser. Eduarda: A gente te deu tudo, sua ingrata, nunca te faltou nada, Yasmin — comecei a rir. Yasmin: Nunca me faltou nada, dona Eduarda? E o amor? E o carinho? Não me faltou nada mesmo não, mas faltou vocês. Eduarda: Para, né, Yasmin. A gente te deu tudo, isso aí é de menos. Até parece que tu sabe o que é amor — encarei bem ela e só concordei. Yasmin: Verdade, isso é de menos vindo de vocês — eles me olharam sem acreditar que eu tava falando aquilo — mas, Eduarda, eu sei sim o que é amor, e sei o que é o maior amor, o amor de uma mãe pra um filho, uma coisa que você nunca sentiu por mim, né? Marcelo: Por que isso agora, Yasmin? Eduarda: Ela é uma ingrata, mas agora tu vai decidir: ou tu vive sozinha sem essa criança ou tu vive com ele. Mas se tu escolhe ele, tu pode ter certeza que tua vida de menina riquinha acaba no momento que tu escolher ele. Beatriz: Que p***a de mãe é tu? Uma mãe que não liga se a filha tá bem ou m*l, uma mãe que tá mandando ela decidir entre um filho e o dinheiro. Eduarda: E o que tu sabe sobre isso, menina? Deve ter nem onde cair morta — Bia riu alto e encarou minha mãe dos pés à cabeça. Beatriz: Meu amor, se eu quiser, eu compro o Rio de Janeiro todo, só basta uma ligação do meu irmão e pronto, queridinha — minha mãe arregalou os olhos — eu posso tantas coisas e tu nem imagina — Bia debochou na cara dela. Eduarda: Yasmin, quem é essa menina? — sei que, pelo jeito que Bia falou que tem dinheiro, minha mãe já ficou interessada. Yasmin: Isso não é da tua conta. Chega, eu tô no meu limite, eu já sou de maior nessa merda. Eduarda: Como é, sua... — tentou de novo vir pra cima de mim, mas Bia não deixou e empurrou minha mãe — tá ficando maluca, sua filha da p**a? Beatriz: Lava tua boca pra falar da minha mãe, sua desgraçada, e sim, eu sou muito maluca, tu não viu nada. Marcelo: Chega, p***a — falou alto — já sabemos quem você escolheu, Yasmin — me encarou feio — mas saiba que, a partir de agora, essa tua vidinha acabou. Não vai ter dinheiro no final do mês, não vai ter faculdade, nem essa viagem, e nem essa casa, porque ela é minha, entendeu? E esqueça que tem pai e mãe, porque pra nós você não existe mais. Bora, Eduarda — pegou na mão da minha mãe e foi pra porta — tu tem três horas pra tirar tuas coisas e dessa menina da minha casa, senão eu vou mandar jogar tudo fora. Beatriz: E eu saio com muito carinho e levo a Yasmin comigo. Só vou falar uma coisa: quando vocês se arrependerem disso tudo, eu faço um inferno na vida de vocês. E vocês nunca mais chegam perto dela de novo. E sim, isso é uma ameaça — Bia não deixou eles falarem nada e me puxou pro quarto. Eu não tava chorando, mas tava sem reação por tudo isso — arruma tuas coisas agora, Yasmin. Yasmin: Amiga — me sentei na cama e aí sim eu chorei, chorei de raiva, ódio e várias outras coisas. Ela veio me abraçar. Beatriz: Fica assim não, Yasmin — fez eu olhar pra ela — arruma tuas coisas agora. Yasmin: Vamos pra onde, amiga? Eu tenho dinheiro, mas era pra pagar as coisas dos nenês. Se eu gastar, eles ficam sem nada. Beatriz: p***a, Yasmin, tô aqui há seis meses contigo e tu ainda pensa que eu vou te deixar sozinha, c*****o? — falou séria — só arruma tuas coisas rápido. Vamos sair dessa casa — limpou minhas lágrimas — a partir de agora, tua família vai ser eu e esses bebês. Escutou o que eles falaram? — concordei — então, amiga, você não tem pai nem mãe e eles não têm filha. Então você e eles — passou a mão na minha barriga — vão ter outra família. E pode ter certeza que essa família vai dar a vida por vocês. Então arruma logo tudo, e tudo mesmo, e vamos vazar daqui — encarei ela — vou pro meu quarto arrumar minhas coisas e agora, meu amor, tu vai conhecer o amor de verdade — me deu um beijo no rosto e saiu do quarto. Não entendi muito bem a parte da nova família. Fiz o que ela pediu e comecei a arrumar tudo, roupa, maquiagem etc. Arrumei tudo e o quarto ficou do jeito que tava no dia que nós chegamos. Já tinham se passado duas horas e já tava tudo pronto. Fiquei sentada na cama, esperando a Bia. Beatriz: Já, meu amor? — concordei — então vamos — me levantei da cama e coloquei minha bolsa nas costas, peguei as duas malas e faltou mais uma, mas Bia vai vir pegar. Fomos pra sala e meus pais ainda tavam ali sentados no sofá — que p***a vocês ainda tão aqui, c*****o? Eduarda: Olha a boca, menina — Bia pegou o espelho e olhou a boca dela. Beatriz: Linda demais minha boca, né, tia? Yasmin: Vamos, amiga, deixa esses dois aí, não adianta brigar. Marcelo: É isso mesmo que você quer, Yasmin? Vai deixar tua vida por um bastardo? Yasmin: Lava tua boca pra falar do meu filho, p***a. Eduarda: Pensa que tá falando com quem? Yasmin: Com duas pessoas que preferem o dinheiro, o luxo, do que a filha. Tô falando com um homem que falou pro motorista me acompanhar na festinha do Dia dos Pais, da mulher que nunca amarrou meu cabelo. Tô falando de duas pessoas que vão passar a vida sem amor, mas meu filho, sim, ele vai ter amor de mãe — segurei minha mala — e foi um prazer esquecer vocês, Eduarda e Marcelo. Vamos, amiga — ela olhou pra mim toda orgulhosa e concordou. Saímos da casa e fomos pro carro — nossas malas não vão entrar nesse carro, amiga — falei querendo chorar, mas aguentei. Beatriz: Eu sei disso, por isso já chamei o Hugo pra ajudar nós — Hugo é um ficante dessa maluca — vou lá dentro pegar o resto das malas, já volto. E a partir de agora minha vida continua, com um novo capítulo: eu, meus filhos.
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