Quatro

1267 Words
SÁTIRA Mudança é sempre um problema, sair de uma cidade grande e vir morar em uma cidade ainda em crescimento é muito desafiador. Fui transferida para Campo Limpo, quase em segredo, deixei o passado, bem no passado, família hipócrita, amigos interesseiros, tudo isso me fez enxergar o quão eu estava vivendo um ciclo vicioso, com desculpas, falta de amor próprio, falares que não opunha a mulher de hoje. O crescimento é todo dia, mais o interessante é ser quem é, do que ser moldado para caber no molde do outro. E essa regra é para qualquer âmbito da vida, quão seja a dor, as lamentações, analisar sempre com cunho próprio ou viver naquilo que dizem: " eu sei o que é melhor para você". - Dona Sandra, aonde iremos colocar esse tapete? Sandra? -É Sátira.- Coloque desse lado esquerdo, e as plantas na parte de fora. E aqui as coisas das cozinhas e esse cômodo pode armar o guarda roupa e a cama. Vendi tudo que eu tinha, com ajuda da Mallu, que é a única que sabe aonde estou, ela expôs em site de desapego e em questão de duas horas, já havia vendido tudo. E passei em uma loja e comprei o básico, nada de muito coisa, encher a casa com muita informação, dá mais trabalho para limpar, então, um tapete, almofadas, fogão, geladeira, cama, climatizador e guarda roupa dá pra começar, né? Fiz a faxina completa, ainda bem, que a responsável pela casa, deixou a casa lavada, porém a poeira existe, precisei limpar, cada cantinho, coloquei minha ervas aromatizadas, pelo banheiro, quarto e a saída da cozinha, adoro um frescor da limpeza. Meu estômago ronca tão alto, que me faz perceber que estou só bebendo água e na viagem para cá, comi uma salada de frutas. Fui fazer minha higiene e aproveitei lavei o cabelo, mesmo muito cansada, tinha muita poeira. A casa fica localizada em uma vila, pequena e aconchegante, como não conheço aonde consigo algo para comer, entrei em contato com a dona da casa e ela me indicou o Bar da Lala. Me aproximo da casebre, com cara de casa dos desenhos do Scobby-doo, a única diferença, que era branca e barulhenta. Entro e sou recepcionada por uma jovem, na cadeira de rodas, sorridente e linda. - Bem-vinda, moça. Esse cabelo é seu? Me agacho em sua altura. - São meus cabelos sim. - Ela nem espera eu autorizar e já passa a mão, nos meus cachos. E se defende. - Todas às moças que aparecem aqui, dizem que comprou o cabelo, aí entendi depois que são colocados no salão. E como não tenho nenhum fio, fico apaixonada. - Pode me dizer se ainda tem algo para comer? - Peça panqueca de qualquer sabor, lamberá os dedos. - Prazer, me chamo Sátira. - Eu sou a Lídia. Me aproximo do balcão e uma senhora toda risonha se aproxima. - Olha uma nova forasteira. - A senhora fala. Fico enrubescida. - Me chamo Lala, veio visitar algum parente? - Não. Vir transferida pela empresa de carvão. - Seja bem-vinda... - Laênia, a Sátira está com fome, deixa as apresentações depois. Lídia minha anja da guarda. Ao fazer meu pedido, todos me olham incrédulos, fico perdida nesses olhares. - Ela é igual ao Gegê, quem diria que alguém gostasse a mesma merda que o Gegê come. - Me senti fora de órbita agora, quem é Gegê? - O delegado da cidade, só ele que pede panqueca com pimenta e o mais engraçado você pediu os mesmos complementos. - Que bom saber que alguém aqui tem ótimo gosto. Dona Laênia, faz minha marmita e eu me dirijo para minha nova moradia, percebo que terei aonde comer e conversar um pouco, já que Lídia foi tão simpática. Volto em um rompante, a cidade muito pacata, morar na Vila tem a vantagem de ser bem iluminada e muita gente na pracinha, adentro no meu cantinho, tiro a roupa e coloco um hobby roxo, com minhas pantufas de elefoa e sento no tapete cheio de almofadas, ligo o abajur, o climatizador e me delicio comendo a panqueca, de carne, bastante queijo, azeitonas, pimenta e molho rosé. GETÚLIO A Lala deve estar bêbada, mandou um áudio s*******o falando da nova moradora da vila, quase todo dia alguém chega por aqui, Campo Limpo, tem a empresa de carvão, de café e de bolsas, sem falar das ótimas escolas de excelência e a universidade, cidade crescendo, pessoas aparecem. Há mais de uma semana, que não saio de casa, contratei os serviços de dona Rosa, como diarista e de boqueteira, a safada sabe lamber um mastro rígido. Preferir trabalhar de casa, pois mandei investigar quem deveras ser a loira que estava com César, que tomou chá de sumiço. Alguém bate na porta. Se acaso Maurício, apareça sem maiores informações da loira, nem da porta ele passa. - Mamãe, Papai, pela hora aconteceu algo grave? - Viemos cuidar do nosso menino, não podemos? - Devem minha rainha. - Filho, vamos viajar, um pouco para uma nova lua de mel. - Vocês não se cansam? - O amor é lindo, Gegê, você que ainda não permitiu olhar nos olhos de uma mulher, antigamente eu achava que a Lívia seria a mãe dos meus netos, mas agora se você tiver um filho com alguma mulher, posso morrer feliz. Esses olhos azuis lindos, quem herdará será minha neta. - Hummmmm... E a senhora já sabe que será uma neta? - Não esqueça que sua mãe é, sensitiva. Ela percebe o bem e o m*l no olhar. Minha mãe observando, como lê-se minha alma, não é a primeira vez, que a vejo me olhar assim, parece que enxerga minhas falhas, medos, inseguranças e erros. - O que foi querida? - O Gegê vai se apaixonar, mas só dependerá dele continuar feliz... - Mãe. - A interrompo. - Vamos mudar de assunto, não crie suas expectativas pra cima de mim. - Perdoe-me. Saiu sem querer. Iniciamos uma conversa sobre a viagem e todos os lugares que eles iriam conhecer, são trinta e dois anos de casados e o meu pai ainda a olha apaixonadamente. Nunca os ouvi discutindo, de cara feia, até com meus erros, eles eram unidos. Fui um péssimo filho, na verdade, eu sou um péssimo filho, prefiro estar longe deles, eles são muitos melosos, carinhosos e eu jamais irei entender, qual motivo levam a eles serem assim. A fortuna da família, está em volta da empresa de carvão, Papai soube investir no seu futuro e com dinheiro que eu ganhava por causa do Q.I alto, eles fizeram uma generosa poupança que ao passar do tempo, ressarce minhas necessidades e muito mais que posso imaginar, tenho dinheiro suficiente e não dependo deles, porém eles, nunca pegaram um centavo meu, mas eu já os furtei várias vezes e mesmo confessando o ato, minha mãe, chorava e cantava um louvor, nunca me bateu ou fazia algum tipo de ameaça, mesmo merecendo a surra e o castigo. E papai, acatava as ordens de minha rainha, o que ela fala é lei para ele, minha mãe também tem uma parte na empresa de carvão e tem três escolas particulares dentro da cidade, a última é quase uma caridade, que infelizmente tive que participar, para comunidade menos favorável, que hoje podem sonhar em ser gente, pois a maioria usam roupas rasgadas, shorts curtos e usam drogas, um bando de gentalha, que devem muito a minha mãe, que se compadeceu e acha que nesse ambiente possa existir algum mini Einstein, Elvis Presley ou Mahatma Gandy. Nova moradora. Getúlio é insensível.
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