Sete

1300 Words
CÉSAR - Eu não creio que deixará o Getúlio, sair ileso por tudo que ele fez! - Lívia, eu não tenho nenhuma vingança armada na minha mente, eu não vou perder meu tempo, para fazer nada contra o Getúlio, um dia a fruta podre cai. - CHEGA. Você é burro, i****a, deve ainda ter consideração por aquele doente, você sabe o que ele fez comigo e eu desconfio que a morte de minha avó foi culpa dele, eu te odeio, César, te odeio, eu vir para cá, achando que iria pôr aquele canalha atrás das grades, ele iria deixá-lo apodrecer na cadeia e você não vai mover um alfinete para manda-lo para o inferno. - Não sei de onde tirou que eu teria um plano contra o Getúlio, nunca mencionei nada Lívia, acho melhor você ir embora, não quero minha mãe agitada, com certeza, ela está ouvindo seus berros, se quiser vingança faça você mesma. Saio do escritório e minha mãe está aos prantos, Túlia está ao lado dela, não falo nada e saio para andar, não suporto essa pressão, o meu único erro, foi não ter dito a verdade no dia do assalto, deveria ter contado tudo, mas um amor fraternal, que eu tinha pelo Getúlio, me fez calar, não existe explicação, parece que deixamos de viver para agradar o outro e foi assim que aconteceu. Quando tínhamos vinte e cinco anos, já éramos formados nas áreas que almejamos, eu biólogo e Getúlio tinha passado na prova para delegado e ele para comemorar disse que queria extravasar a adrenalina e comemorar fazendo um assalto, eu rir achando que ele estava brincando, mas não era. Estava tudo planejado na mente no Getúlio, em uma madrugada, fomos na quitanda do japonês, para fazer o tal "assalto", eu tentei argumentar, ele ria me xingando de fresco, p**a linguaruda, coisas de "amigos". Ele foi na frente e quebrou a porta de vidros do estabelecimento, eu fiquei do lado de fora, quem imaginaria que os orgulhos da cidade Campo Limpo, seriam marginais? Ouço um estrondo de um tiro e entro correndo, crendo que Getúlio foi baleado, grande engano. Encontro, seu Moreira, morto, com um tiro na cabeça e questão de segundos a viatura chegou e eu fui preso em flagrante com a arma na mão, pela morte, do quitandeiro e o mais engraçado que hoje, já sabendo que o comparsa do Getúlio é o Mauricio, ele estava dentro da quitanda e na filmagem, é nítido me ver, pois o pastel, usava a mesma roupa que eu estava e por coincidência temos a mesma altura e corpo. O Getúlio não participou de nada, foi tudo armação, ele não era meu amigo, palavras dele quando ia na prisão, torturar minha mente, dizendo se eu falasse algo minha mãe iria pagar as consequências. Lívia, Val e Vini, éramos o quinteto mais invejado, porém a mente perversa do delegado, não permitia, amor, amizade e cumplicidade. Eu tenho sim, muita mágoa dentro de mim, não quero aproximação com Getúlio, eu quero minha paz e se algum dia pensar em vingança, com certeza farei sozinho. LÍVIA - Tia Clotilde, me perdoe. Eu não entendo o motivo que até hoje o Ceck não denunciou o Getúlio, não o humilhou, não o fez pagar por tudo. - Lívia, é melhor ir embora, não quero meu filho preso novamente, sei que tens suas mágoas e eu me compadeço com sua dor, porém, o Getúlio é rei, ele manda e desmanda. E se não for pedir muito, não volte mais aqui. Agradeço por tudo que fez, mais eu quero meu filho vivo e seu ódio está estampado na sua face e desde do dia que viemos morar nessa fazenda, você que trouxe, essa sombra do passado para cá. Saio aos prantos, entro no carro, junto com dois seguranças, que me trouxeram para Lago Bonito, aonde fiquei no hotel, pois não tinha ônibus para hoje. Mando vários áudios para o César, nenhum é visto, estou devastada, acreditei piamente, que estava na hora de pôr os pratos na mesa e acabar com a vida do Getúlio. Mando mensagem para Vini, por coincidência ele está na obra do hospital que fica aqui em Lago Bonito, marco pra gente se ver para conversamos, certamente nosso amigo sabe de alguma coisa, Ceck deve ter comentado e bem discretamente irei descobrir tudo. ********** Já passou meia hora, que estou esperando o Vini, ele mandou mensagem que precisou trocar o pneu e em pouco tempo chegaria, aproveitei e pedi batatas fritas, sei que calopsita ama. César ainda não recebeu meus áudios, eu precisava pôr tudo para fora, não estou conformada com esse silêncio quem não quer se vingar por ser preso justamente? O César. - Desculpa o atraso, Lilith. - Ahhhh, até você Vini? E os anos não passam nunca calopsita? Que homem mais lindo. - A culpa é do César e da Túlia, aquela ali sabe das coisas. - Eu a vi lá. Ela parece ser feliz com César. - Pensei que estava aqui a muito tempo, Lívia. - Não, cheguei hoje e hoje fui posta para fora, com toda educação, por tia Clotilde. - Sinto muito. Mais a Túlia é o Tércio, lembra do loirinho da escola Campo Limpo, ele agora é ela. - Sério! - Sim. Mais porque tia Clô, te pôs para voltar no mesmo dia? - Por culpa do Getúlio... - Livia, desde do dia que o Ceck, saiu da penitenciária, o nome de Getúlio NUNCA foi mencionado, nem por tia Clô, então, amiga, se disse algo errado, peça desculpas. - Eu estraguei tudo, gritei com César, o xinguei, eu mereci. - Que pena! Mais se quiser ficar aqui na meu casebre, fica a vontade, não irei voltar para Campo Limpo hoje, lá está uma pé d'água que alagou a cidade. - Eu ouvi alguém no hotel comentando. - Passamos no hotel, pagamos suas coisas, ficamos matando a saudade e colocamos os papos em dias. - Têm notícias da Val? - Pergunto. - Anos que não sei dela. Desde da morte da Felícia, ela tomou o chá do sumiço. - Aquela morte foi muito estranha, ele foi encontrado morto. - Ela. - Sim, ela. Quem fez aquela barbárie? - A família a rejeitava e ainda disse que a culpa foi dela, por ter virado as costas para "deus". - Foi na comemoração do doutorado do Getúlio. - Bem lembrado. Essa batata frita está ótima. - Está sim. Nem no sepultamento ela apareceu. - Eu tenho para mim, que Val estava transando com Felicia e outra pessoa. - Porquê pensa assim, Vinícios? - Na noite da comemoração, ela estava muito doidona, parecia ter ingeridos drogas, ela sempre gostou de um baseado, porém, aquela madrugada, estávamos dando uns amassos no estacionamento da casa de eventos, aquela ali era louca, ela tirou a roupa toda e me deixou vestido, disse que era um fetiche, eu ia pedi-la em namoro aquele dia, já não aguentava aquela relação aberta, não gostei de vê-la, com o Mauricio, lembra dele, hoje é advogado, então, a Felicia nos flagrou e disse que ela não teria fôlego para depois. Ela mandou a Felicia se afastar, que estava gozando e que em dez minutos aparecia no lugar combinado. - E porque a deixou ir? - Ela me jurou que seria a última vez e que pela manhã iria lá pra casa, empurrou a cadeira me levando para a festa e saiu. - Ela não tem redes sociais, a tia dela ficou maluca. - Tristemente. Ela foi encontrada, pedindo socorro, toda sanguentada dizendo que estava saindo com o d***o. - Vamos mudar de assunto. - Falo. - E Lilith a oferecida, está solteira ainda? - Calopsita, para de me chamar assim. Gargalhamos juntos. Apesar da minha tristeza no meu coração, rever os amigos é sempre bom. **************
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