três.

946 Words
— A mocreia pensa que vai mudar o mundo. — Baral começou a reclamar mais uma vez da professora e jogou a bituca de cigarro no chão. Olhei em volta, vendo quem estava por perto, me certificando que ninguém que não devesse nos ouvisse. — mais fácil eu enfiar meu p*u naquela xereca do que largar o crime! — A "mocreia" vai nos tirar daqui, então larga a mão de babaquice. — Tanto faz, é só por causa dela que estamos presos nessa merda, quero mais é se f**a! — Por causa do pai dela, Baral, e a dívida já foi paga, irmão. — não ousei me aproximar. Pela expressão dele, sabia que meu parceiro estava extremamente puto. — Mas eu ainda continuo preso! Tentei não ligar pro soco que ele deu na grade, atraindo a atenção para nós dois e inclusive, a do guarda que observava nosso banho sol. Suspirei. — NÓS continuamos. — respirei fundo e vi quando ele acendeu mais um cigarro. — E concordamos naquela noite que a filha do Ricardo estava fora disso. — Mesmo assim, Baco, c*****o! Não sei como tu pode tá tranquilo com essa merda! — Tô tranquilo porque a mina m*l sabe que o pai era envolvido com o crime, ela nem sabe que ele era pai dela! A p**a velha da vó nunca comentou e nem vai, coisa que ela mais tem é vergonha do filho. — massageei meus olhos e encarei Baral, minha paciência tava indo para casa do c*****o! — O cara tá morto, seu b***a mole, matar a menina vai adiantar de que além de satisfazer o seu ego? Já falei que ela é nosso passe pra fora daqui, mas se tu começar a botar os pés pelas mãos, faço questão de te larga nesse presídio do c*****o. É tu quem escolhe, vai agir pelo certo confiando em mim ou vai agir que nem um mimado querendo vingança? — Independente, Baco. Tô aqui perdendo minha vida por causa da família dela e a baranga tá lá, solta! — Baral tu tá aqui por matar um policial, torturar três pessoas, comprar e distribuir drogas, maluco! — Uma coisa não tem nada a ver com a outra, Baco, c*****o. A polícia não ia saber de nada disso se o pai daquela desgraçada não tivesse 'abrido' a boca! — E tu já não meteu uma na testa dele, moleque? Ele já não tá a sete palmos do chão? — Graças a Deus. — Baral fez o sinal de cruz e mandou um beijo para o chão. — Que o d***o o tenha! — Tu é muito i****a, cara. Acabamos rindo e encarando o guarda que andava pelo pátio. Vez ou outra, ele nos encarava. — Como é que tu fez pra mensagem chegar em quem devia? — Botei uma mensagem pro Proeza na bolsa dela. — me espreguicei enquanto deitava no chão, olhando pra cima. Baral me acompanhou, se sentando também. — Ele já sabia que ela tinha sido escolhida, quando veio me ver me falou sobre mandar mensagens por ela. — E como é que vai ser isso? — Dessa vez, falei pra ele assaltar ela quando tivesse no morro, mas nas próximas, não sei como vai ser. Espero que nenhum dos arrombados tenha 'relado' no rostinho bonito dela, ou eu mato um. — Assaltar pode, mas bater no rosto da mocreia é demais? — Sim. — Baral riu debochadamente e me encarou, com um sorrisinho malicioso. — Tá querendo comer a cria do teu inimigo, cuzão? — E se ele tivesse vivo pra ver eu comeria na frente dele. — Ela é bonita mesmo, ainda bem que não tem nada a ver com o pai. Quem é a mãe? — Provavelmente, a p*****a da Kátia. — Aquela que cagava e você comia? — Olha o respeito, filho da p**a! Eu ainda sou teu chefe. — Deu gatilho, foi? Meu amigo me encarava dando risada e eu me afastei para não quebrar a cara dele. — Arrombado. Sim, Kátia foi meu antigo amor e ela retribuiu a sentimentondando pra quem devia ser meu amigo. O resultado disso foi eu preso, ele morto e sabe-se lá onde aquela vagabunda foi parar. Também não fazia diferença. Pra piorar, a filha dela era mais parecida com a mãe do que eu gostaria de admitir e isso estava acabando comigo. Por sorte, eu só a veria uma vez na semana e quando finalmente conseguir sair daqui, nunca mais olharia pro seu rosto de novo. Não estava nos meus planos ter que lidar com o fantasma de uma mulher que me fez perder a cabeça, quase perdi o meu morro por causa daquela vagabunda! — Vai pra onde, cara? Tu nem terminou de me contar a fofoca. — Tu é muito do 'baitola', Baral. Sai de perto de mim que eu não vou te comer. — Que pena, tudo o que eu queria hoje era dar meu botão pra você! — Só uma pessoa vai chegar perto desse p*u aqui, doente, e não é você. — É a Maria Fernanda? Respirei fundo tentando não ligar pro humor porco desse fodido. — Não, a p**a da sua mãe! — Isso é s*******m, Baco, a minha mãe morreu. Arrombado do c*****o! Dei risada quando meu amigo saiu de perto, pelo menos eu tinha conseguido que ele se distanciasse. Todo aquele assunto tinha trazido de volta a tona um monte de coisas dentro de mim e eu não estava nem um pouco confortável pra lidar com elas mais uma vez. Caminhei calmamente até minha cela, na esperança de tirar um cochilo e torcer pra que Maria Fernanda não aparecesse nos meus sonhos também.
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