Capítulo 14
Ester narrando
Joca tinha saído bem cedo e eu fui para o quarto que era meu agora, tomo um banho, coloco um pijama e volto a dormir, acordo era umas 10h da manhã e a casa estava um silêncio, vou até a cozinha e começo a preparar algo para comer.
Eu nasci em berço de ouro, meus pais sempre foram muito ricos e por mais que a gente tivesse sido criado com diversos funcionários dentro de casa, minha mãe fez questão de me ensinar a cozinhar, porque isso era o mínimo para sobreviver, todo mundo me encara e acha que eu não passo de uma patricinha mimada, pode ser que eu seja mesmo , mas não 100%.
— Bom dia Ester – Sabrina fala com uma cara de sono h******l e eu a encaro.
— Bom dia, a noite foi boa – eu falo
— O que você está fazendo?
— Comida.
— E você sabe cozinhar?
— Sei – eu falo e ela me encara
— Ué, eu sei garota – eu falo rindo
— E você ? – ela pergunta
— O que tem?
— Como foi a noite?
— Boa , posso dizer – eu falo abrindo um sorriso
— Quem foi a vitima? – ela pergunta
— Ninguém não – eu falo para ela – fiquei de boa.
— Você estava no começo do baile dizendo que queria dar e agora vem me dizer que ficou de boa. – eu olho para ela rindo.
— Corta a cebola.
— Quero chorar não.
— Eu deixei gelar no freezer – eu falo – você não vai chorar.
— Isso funciona?
— Mais do que você pensa, minha mãe que me ensinou.
— Você sente falta dela? – ela pergunta
— Da minha mãe? – eu questiono e ela me encara
— Sim, dos seus pais – ela fala e eu olho para ela desmanchando um sorriso.
— Corta a cebola fina, ok? – ela me encara – odeio cebola grande na comida, o tomate também.
— Vou cortar tomate também?
— Agora vai – eu falo para ela e ela me encara.
Eu viro para a piá e limpo uma lagrima que desce do meu rosto e continuo fazendo a comida, tinha colocado água esquentar para fazer o arroz e já estava com tudo pronto para temperar o feijão, eu sempre gostei de comida simples, meus pais não eram aqueles ricos que só comiam caviar e lagosta, era comida caseira, gostosa.
— Bom dia – Kayane fala – nossa que cheiro gostoso, é você que está cozinhando Ester?
— Bom dia – eu falo sorrindo – também não vai acreditar?
— Vou sim, estou vendo – ela sorri
— A noite foi boa dona Kayane – ela fala me encarando.
— Eu sou sua mãe, me respeita garota – ela fala para Sabrina rindo.
A comida ficou pronta e arrumamos a mesa, Kayane tinha buscado uma coca bem gelada e a gente se senta para comer.
— Você estava no baile ontem?
— Não – ela fala – eu estava em outro lugar aí – ela diz rindo
— A mamãe agora tem uma vitima fixa.
— Para com isso – Kayane fala – e como foi o baile?
— Bom – eu respondo
— Maravilhoso – Sabrina fala
— Depois eu que ataco – Kayane fala rindo.
Joca e Sampaio entram na cozinha juntos, eu encaro Joca e ele me encara de canto de olho, mas não fala nada, ele apenas se senta e Sampaio sempre com a cara fechada faz o msmo.
— Bom dia – Joca fala e a gente cumprimenta ele de volta.
— Você não paga para ser gentil – Sabrina fala para Sampaio.
— Pago sim, a minha paciência – ele responde
— Come a comida então – Sabrina fala para ele.
Ambos se servem e eles começam a comer.
— E ai, gostaram da comida? – Kayane pergunta
— Sempre muito bom mãe – Sampaio fala
— Foi a Ester que fez.
— Você? – Joca pergunta e Sampaio me encara.
— Sim – eu falo
— Será que está envenenada? – Sampaio pergunta.
— Ainda não – eu respondo para ele e ele me encara com a cara fechada.
Capítulo 15
Sampaio narrando
Eu saio de casa após o almoço e vejo Alana entrando no salão, ela deixou a porta meia aberta, eu desço e jogo meu baseado fora, entro dentro do salão e ela leva um susto.
— O que você está fazendo aqui Sampaio? – ela pergunta me encarando
— Por favor Alana, você precisa me perdoar – eu falo para ela.
— Não sou eu que preciso te perdoar, é você que precisa perdoar a si mesmo.
— Você não olha direito na minha cara.
— E você sabe porque – ela fala me encarando.
— Você realmente acha que eu também não sofro com tudo isso?
— Não – ela fala afirmando – e sabe porque eu sei? – ela me encara – porque todas as vezes que eu pedi para você largar o morro por nós duas, você negou, você disse que daria conta de ser pai, marido e dono do morro e você falhou na coisa mais importante, em ser pai e me fez falhar como mãe também.
— Eu jamais quis que aquilo acontecesse e você sabe disso.
— Eu não sei de nada Sampaio – ela fala – por favor, vai embora do meu salão, porque você me procura? Porque? – ela fala nervosa – eu tento fugir de você, evito passar perto de você, mas você vem aqui e me faz reviver essa dor toda vez, você acha que não é dolorido para mim?
— Eu jamais quero te fazer m*l, eu quero te fazer feliz Alana.
— Eu nunca mais vou ser feliz – ela fala me encarando – desde o dia que eu enterrei a minha filha, a minha felicidade morreu com ela e a minha vontade de viver também.
— Alana – eu falo para ela
— Vai embora! – ela grita.
Eu olho para ela e resolvo realemnte ir embora, eu saio do salão e encontro a sua irmã.
— Porque está aqui? – Patricia pergunta
— Eu vim falar com a sua irmã.
— Não cansado de ter sido culpado pela morte da minha sobrinha, você também quer m***r a minha irmã?
— Eu não quero o m*l da Alana – eu falo para ela – você sabe que eu a amo.
— Se você ama ela de verdade, então se afasta dela de vez , deixa ela – ela fala – você não tem noção como a sua presença faz m*l a ela.
Patricia entra dentro do salão e eu passo a mão pela cabeça, toda vez que eu enchia a cara e me drogava como fiz no baile, era isso, eu ficava alucinado por aquela noite, por aqueles tiros e ver a minha filha morta no chão, por segurar seu corpo tão pequeno e frio em meus braços.
Eu entro dentro da boca encontrando Joca contando um dinheiro, ele me encara.
— Que grana é essa? – eu pergunto para ele
— A grana do tio da Ester – ele fala – esqueceu que precisamos mandar.
— Estou cansado de mandar grana para esse filho de uma p**a – eu falo
— E você quer causar guerra?
— Ainda não – eu falo com os olhos vermelhos.
— O que você usou em essa noite – ele fala me encarando.
— Leva a p***a dessa grana de uma vez.
— Vou fazer isso – Joca fala.
Capítulo 16
Sampaio narrando
Eu saio da boca para ir até a boca geral para falar com HT que era responsável por ela, queria saber do lucro do baile.
— O que está acontecendo aqui? – eu vejo HT e Sabrina se pegando.
— Sampaio – ela fala me encarando – tem o que fazer não?
— Agora HT tá trabalhando, a noite se vem aqui visitar ele.
— Idiota – Sabrina fala e eu começo a rir e ela sai.
— Tinah que chegar agora – HT fala
— Quer ficar com ela, fica mais tarde, se está trabalhando rapaz – ele abre um sorriso
— É o lucro do baile é.
— Demorou para mandar agora eu sei o motivo.
— Está aqui – ele fala me entregando um papel – vendemos muito bem.
— Quase um recorde – eu falo
— Subiu muita gente do asfalto – ele fala – estamos predominando.
— O problema é os outros morros começarem a ficar de olho grande e querer acabar com o nosso rendimento.
— Vão não – ele fala – e eles vão querer confusão com a gente ou com o Pedro Henrique? Somos o morro do alemão Sampaio, as vezes você parece esquecer disso.
— Esqueço não, comando o maior morro que esse país já viu – eu olho para ele.
— E Joca?
— Foi levar a grana para o Pedro Henrique.
— Até quando você vai ficar dando dinheiro para aquele velho imundo? Ainda mais agora que estamos com a sobrinha dele aqui.
— Duvido que ele saiba o que o sobrinho fez ou – eu falo
— Ou o que?
— Pensei em uma coisa aí, mas to deixando baixo por enquanto.
— Eu acho que eu sei o que você pensou, a garota é herdeira de uma grana fodida né?
— É – eu afirmo
— E se ela morrer quem fica com a grana.
— É o único herdeiro vivo – eu respondo
— João Pedro, o famoso JP vigarista – HT fala
— Deveria ter matado ele quando tive oportunidade, Pedro Henrique jamais iria saber que eu matei o sobrinho dele.
— A hora dele vai chegar e ele vai pagar por tudo.
— O problema é aguentar a garota até lá sem m***r – ele começa a rir
— Pensa, que pode ser isso que JP quer, ai você vai dar a vitória para ele.
— Porra – eu falo – tá difícil o meu problema.
HT começa a rir e contamos a grana, JP era esperto pra c*****o e sabia que mandando Ester para cá poderia colocar ela em uma balança, até porque a garota era terrível e desbocada, adorava afrontar todo mundo e ele sabia que esse jeito dela poderia levar ela para pior e ele ficava vivo bem de boa e a gente sem a grana.
O filho da p**a era esperto, mas não tanto quanto eu, o que era dele estava guardado e quem levaria a pior seria ele.
Eu saio da boca geral e vou subindo, até que vejo alguns vapores em cima de uma laje e eu subo.
— Vocês não tem trabalho não p***a? – eu pergunto – querem lazer, vocês podem ter, mas depois do horário de trabalho.
— Foi m*l ai patrão – um fala
— O que tá acontecendo Cerro?
— Ah é a garota lá.
— Que garota c*****o? Todas as drogas para contar e distrubuir e vocês aqui olhando garota.
— É que vale a pena chef – outro vapor fala
— Me dar essa m***a aqui.
Eu pego um dos binóculos e olho em direção a minha casa e vejo Ester, com um biquini micro em cima da laje da minha casa passando bronzeador pelo corpo e depois ligando a mangueira e se molhando.
— Vão tudo trabalhar p***a! – eu grito – quem tiver aqui nos próximos dez segundos vai levar bala, vão trabalhar seus vagabundos.
Sai neguinho para tudo que é lado, eu pego o binóculos e volto a olhar em direção a laje e ela continua la se molhando com a mangueira, jogo o binóculos longe, acendo o baseado e desço da laje.
Capítulo 17
Ester narrando
Eu estava na laje tomando um banho de sol e pego o meu celular e até penso em ligar para o meu tio, mas eu sentia tanto nojo dele que eu desisto.
Começo a ver todas as mensagens que eu ainda não tinha respondido e tinha uma mensagem da minha prima Mirella, perguntando onde eu estava que todo mundo estava preocupado comigo, a maior mentira, estão preocupados com a galinha de ouro deles, até porque só restava a minha herança.
— Você está aqui – Kayane fala chegando para tomar banho de sol.
— Estou, aproveitando esse sol lindo e quente do Rio de Janeiro.
— Somos privilegiados aqui no Alemão – ela fala sorrindo
— Meu cabelo está h******l, preciso fazer uma hidratação nele – eu falo
— Tem o salão da Alana – ela fala – ela aprece ter gostado de você.
— Sim, eu conheci ela – eu falo sorrindo
— Só não toque no nome do Sampaio, de resto ela vai te atender muito bem.
— Eles tiveram algo né – eu falo para ela
— Sim – ela fala – mas acabou em tragédia.
— Como assim?
— Eles tiveram uma filha e essa filha foi assassinada – ela fala – em um confronto com um outro bandido.
— Meu Deus – eu olho assustada.
— Alana nunca perdoou Sampaio e Sampaio nunca se perdoou – ela fala
— Quantos anos ela tinha?
— Era bem pequena aminha nerta, ela era linda – Kayane fala dando um sorriso fraco – é uma dor para todos nós.
— Eu imagino, sinto muito.
Kayanne ficou bem pensativa e eu resolvo descer da laje, entro no quarto, coloco uma camiseta larguinha e um micro calção, prendo meu cabelo em um coque e pego meu celular, eu saio de dentro da casa e vou descendo o morro, vários vapores me encarando e eu desço bem tranquila.
— Oi – eu falo entrando no salão
— Oi Ester – Alana fala
— Eu queria fazer meu cabelo, tem horário?
— Tem sim – ela fala entrando – senta aqui.
A irmã dela chega e não aprecia ser uma pessoa tão simpática como Alana, eu e Alana vamos conversando várias coisas.
— E ai o que achou?
— Eu amei – eu falo
— Seu cabelo é lindo, olha essa cor, é natural?
— É sim, nunca pintei ele – eu falo sorrindo para ela. – fica quanto?
— 200 reais – ela fala
— Aqui – eu falo tirando do bolso e entregando a grana para ela.
— Achei que você não tinha dinheiro – Patricia fala me encarando – seu irmão te trocou por divida.
— Patricia – Alana fala
— Foi Joca que me deu.
— Joca? – ela fala me encarando
— Sim – eu falo sorrindo
— Mal chegou e já está sentando para bandido, dar para ver pelas rouipas que usa.
— Chega Patricia – Alana fala
— Pode deixar Alana – eu falo – eu adoro que falem de mim, significa que eu a***o a vida das pessoas , não é mesmo Patricia? Porque se eu não fosse importante, você não pararia seu tempo, seu trabalho, sua vida para pensar ‘’ olha, a Ester é uma p**a que deita para bandido ‘’ – ela fecha a cara e me encara. – até mais Alana, eu volto sexta fazer as minhas unhas e me arrumar para o baile.
— Ta bom – ela fala sorrindo.