1
Personagens:
Ana Júlia 21 anos : Branca, cabelo preto até o bumbum e magrela com algumas tatuagens e olhos verdes.
Pedro Guilherme 22 anos: loiro, magrelo, olhos azuis e todo tatuado.
Filho da Daiane e do Matheus.
Sophia, 17 anos: n***a, cabelo cacheado e com um corpão. Filha da Geovanna e do Ph.
Lorenzo 17 anos: n***o, cabelo na régua, forte. (Gêmeo da Sophia). Filho da Geovanna e do Ph.
Ana Beatriz 16 anos: Loira, olhos azuis, magra. Filha da Heloísa e do Pk.
Ana Luizza 16 anos: Loira, olhos azuis, magra. (Gêmea da Ana Beatriz). Filha da Heloísa e do Pk.
Matheus Henrique 18 anos: Moreno, olhos azuis, corpo normal, nem forte e nem magro. (Filho da Daiane e do Matheus)
Isis 16 anos: Ruiva, olhos verdes e magra. (Filha da Lilian e do Nicolas)
Letícia 16 anos: Morena, olhos castanhos e magra. (Filha do Rodrigo e da Margarida)
Leonardo 16 anos: n***o, olhos claros, cabelo loiro e magrelo. (Filho do Lucas e da Laura)
Personagens do primeiro e segundo livro... Apenas atualização da idade:
Heloísa, 35 anos.
Pk, 43 anos.
Lucas, 42 anos.
Laura, 37 anos.
Rodrigo, 63 anos.
Ph, 44 anos.
Geovanna, 36 anos.
Margarida, 56 anos.
Nicolas, 45 anos.
Lilian, 35 anos.
Daiane, 37 anos.
Matheus, 45 anos.
~ Ana Júlia Narrando~
Bom, como eu devo começar isso aqui?
Contando tudo o que aconteceu durante esses anos, ne?
Então, vamos lá!
Minha mãe Heloísa e o pai Pk, continuam juntinhos e não, eles não tiveram mais filhos.
O pai Ph e a tia Geovana também estão juntos e não tiveram mais filhos.
Como todo o resto da família.
Minhas melhores amigas posso confessar que são minhas irmãs e primas.
Eu sempre soube de toda a minha história, minha mãe nunca escondeu de mim e sempre foi muito objetiva no que dizia e diz até hoje.
Bom, hoje em dia eu sou sim a dona do comando vermelho.
Meu velho quis se aposentar e ficar só com o morro pra ele.
Ninguém sabe minha verdadeira identidade à num ser minha família.
Sou conhecida como "A morte".
Não entendi por que porras ganhei esse apelido.
Bom, deve ser por que agora não sou tão boazinha como antes.
Se tiver que matar, eu mato sem pensar duas vezes.
Minha família em primeiro lugar sempre.
E se eu sei que eles estão em perigo, antes de pensar já estou atirando.
Tenho orgulho dessa minha falta de jeito. Da minha personalidade forte. Do meu lado descontrolado e sem bom senso. Hoje eu bato no peito e digo: tenho orgulho dos meus defeitos.
São eles que mostram meu lado humano, que erra, que pisa na bola, que sai dos trilhos. E isso sim, é o que torna a vida verdadeira.
Digo e repito, tenho orgulho dos meus defeitos, e, com eles, ainda consigo ser melhor do que a maioria das pessoas.
Do que adianta ter um sorriso de orelha a orelha se a intenção é passar a perna no próximo? Não, obrigada.
Não forço simpatia, amizade, proximidade. E há quem se preocupe comigo, me considere uma ameaça à humanidade.
Tolos, m*l sabem que pessoas como eu são as mais inofensivas.
Em água transparente quase tudo se enxerga.
A gente deve correr é desses tipinhos que pagam de alma caridosa.
Que escondem seu lado mais podre embaixo de um lindo rostinho meigo, com palavras bonitas.
Andar as cegas é chamar de amigo quem de nada se sabe, só pela aparência de bom caráter e pelo jeitinho de boa pessoa.
Esses que mais parecem amigáveis são os que mais querem puxar seu tapete e meter a faca nas costas, sutilmente, pra que ninguém possa desconfiar.
Porém
Entretanto
Toda via
Preciso admitir, sou muito irônica, um pouco grossa e de vez em quando meiga.
Beeeem de vez em quando.
Gosto do meu lado apaixonada, mas quase nunca aparece.
Tenho um gênio difícil e um temperamento forte. Às vezes barraqueira, outras vezes calma até demais.
Dura como pedra e frágil como vidro. Um poço de orgulho. E mais conhecida como a rainha dos dramas.
É, essa sou eu. E sabe de uma coisa, ainda tem gente que gosta.
Antes de encerrar o resuminho que fiz de mim pra vocês, vocês devem estar se perguntando, tá e o Pedrinho?
Ah, eu e o Pedrinho somos um caso beeeem enrolado.
Nós ficamos mas sem cobrança, não vale a pena se estressar sabe?
Então sem cobranças, até por que eu amo minha liberdade!
Prefiro acreditar no destino, se for pra ser será, Maktub não é mesmo?
Mesmo que eu e ele siga caminhos diferentes, conheçam novas pessoas e nos afaste ao ponto de nem conversarmos mais.
Mesmo que ele vá pra China e eu resolva tentar a sorte no México, ou na Argentina.
Mesmo que eu forme família e ele arranje uma namorada com cara de modelo.
Quando é não tem nada, mas nada mesmo, que consiga estragar o final feliz.
Confiar: não importa quantas voltas o mundo dê, se for pra ser, ele volta pro mesmo lugar.
Enquanto a fumaça do narguile sobe, não, a gente não fuma, são apenas essências e álcool.
Mas, enquanto a fumaça sobe, deslizo sobre seu colo, sentindo tudo encaixar.
Sinto o Pedro puxar meus cabelos, beijar meu pescoço.
Pedro Guilherme: Você tá ficando cada vez melhor nisso. - e morde minha orelha.
Ana Júlia: faz direito faz. - peço ficando totalmente de quatro na cama.
Sinto ele entrar em mim e pela milésima vez nos levando ao êxtase.
Pedrinho narrando
E nós voltamos pra aterrorizar, agora é minha vez de contar a história.
Bom muita coisa mudou, o tio pk ,ph, NC ainda controlam o morro, mas o tio Rodrigo agora tá com eles.
Meu pai também tá com o morro dele, assim como o tio Lucas.
Mas o que realmente mudou, bom agora o comando vermelho tem novos donos mais conhecidos como morte e Pr.
Pros íntimos Ana Júlia e Pedrinho.
Minha velha quase teve um infarto quando eu pedi pro meu pai me treinar, eu lembro que ela começou a chorar desesperada e rezou uns trinta pai nosso e uns vinte ave Maria.
Meu pai tentando a acalmar enquanto eu dava risada, mas com o tempo ela aceitou a ideia.
Pra ser bem sincero se ela me pedisse pra sair dessa vida eu não pensava duas vezes antes de sair, minha velha é tudo pra mim, eu devo minha vida a ela.
Ela acolheu a mim e meu irmão sem medo algum, enfrentou aquela mulher que me concebeu, fez tanto por mim e por meu irmão que eu não tenho coragem de negar nada a ela, por ela eu vivo e morro.
Eu e meu pai somos muito apegados também, ele me ensinou tudo o que sei e quando digo isso não falo de armas, tiro, matar ou sei lá mais o que.
Meu pai me ensinou a ter caráter, a ter valores, meu pai me ensinou a ser homem de verdade e não qualquer muleque, a assumir meus b.o seja lá qual for.
Me ensinou a ser como ele, o homem que eu tanto admiro, que é e sempre será meu herói, minha fonte de inspiração, e claro me ensinou como ter sempre meus contatos, afinal ele é cheio dos contatos.
Meu irmão bom aquele ali é uma figura, o palhaço da casa mas também o moleque mais da hora que eu conheço, tá comigo pra qualquer enrascada, nunca me deixa na mão, meu maior confidente, ele gerência o morro junto com meu pai o que fez minha mãe ter outra crise de surto, o véia pra dar crise, é até engraçado quando ela da essas neura dela.
E falta falar da minha Julinha, eu e ela somos um grande caso complicado, ou melhor ela é, aquela ali gosta de ser independente uma verdadeira mulherão da p***a e isso me deixa muito orgulhoso.
Mas sei lá acho que as vezes ela complica as coisas que nem tem que complicar, me deixa louco com essa história de ser desapegada, de não ter nada sério.
Eu sempre fui louco pela minha Julinha, sempre a amei muito, quando eu vi que ela tava falando sério sobre herdar o comando vermelho eu disse que estaria com ela sempre e tento manter minha palavra, afinal eu faço de tudo pra ver ela feliz.
Até aceitei essa merda de nada sério, aceitei ter que botar um sorriso no rosto quando ela fala de algum outro cara, aceitei ver ela com outro e não fazer nada, aceitei até conversar com os três pais + o NC pra falar que tava afim dela mesmo, por que uma vez eles me viram ficando com ela e tiveram um treco.
Eu aceito de tudo pela minha Julinha, sei que isso é só uma fase e que um dia vamos ter nosso lance sério .
É aquela coisa né o famoso maktub, por mais que estamos dando toda essa volta pra ter nosso lance tudo vai se encaixar.
Por que eu não tenho dúvidas de que eu e a Julinha nascemos um pro outro, e o destino vai se encarregar de provar isso, estava escrito ou melhor tinha que acontecer isso tudo é maktub.
A noite vai passando e mais uma vez cá estamos, eu e a Julinha juntos mais uma vez.
Ana Júlia: você nunca me decepciona - ela diz depois de chegarmos ao nosso êxtase mais uma vez
A puxo pra mim e a beijo, beijo a menina da minha vida.
Ela é a dona do comando vermelho, mas logo mais será a minha dona, a dona da minha vida, a minha Julinha.
Ana Júlia narrando
Acordo com o radinho tocando, mas que bosta.
O que esse c*****o de vapores já querem???
Ana Júlia: é bom ser importante em.
Rato: aninha
Ana Júlia: oi rato
Rato: é o seguinte patroinha chefe tá te chamando, disse que quer você na boca.
Ana Júlia: conta dez que eu tô chegando.
Desligo e olho no relógio vendo que já é quase onze horas, pulo da cama e pego uma calça preta, uma regata e minha jaqueta, coloco um tênis e tiro uma fotinha de lei pra postar.
Pego minha arma e coloco na cintura, desço e minha mãe tá tomando café
Ana Júlia: bom dia mamis
Heloísa: bom dia meu bebê
Ana Júlia:. Tô indo
Heloísa: não vai tomar café coisa feia?
Ana Júlia: me respeita que eu sou pura gostosura tá, mas não vou não, mãe já deu merda logo cedo vê se pode. - falo e ela me olha assustada.
Heloísa: como assim deu merda ?
Ana Júlia: sei la, mas papis tá me chamando então deu merda, fuiiii.
Saí jogando um beijo no ar e batendo a porta logo escutando o grito da minha mãe.
Heloísa: QUEBRAAAAA MESMO, NÃO FOI VOCÊ QUE PAGOUUUUU
dou risada e já subo na minha moto, dou uma buzinada pros vapor que faz vigia aqui em casa e desço direto pra boca.
Vejo na entrada duas motos diferentes, deixo a minha no lugar de sempre e entro na boca.
Dou bom dia pros vapores e vejo tio NC puto com alguma coisa vou até ele que não está na sala dos papis e dou um abraço ele beija minha testa como de costume.
Ana Júlia: qual a merda da vez?
NC: máfia russa tá lá dentro
Ana Júlia: QUE? - fudeu mores.
NC: pois é, o Rodrigo falou pra eu te esperar aqui fora e te explicar o que ia rolar lá dentro.
Ana Júlia: e o que vai rolar?
NC: eles vão cobrar aquela dívida que temos com eles e temos que estar preparados pra tudo, bom você dá a palavra final, você é a dona agora.
Ana Júlia: mas que merda de dívida a gente tem com eles?
NC: eles ajudaram a gente no resgate dos meninos lembra? nos ajudaram naquela guerra.
Ana Júlia: p**a que pariu tinha me esquecido que eles brotaram lá pra ajudar, mas que merda, achei que o tio sombra já tinha resolvido esse b.o
NC: não eles nunca pediram nada em troca, pelo menos não até agora
Ana Júlia: ok,vamos logo ver o que eles querem.
Entramos na sala do pai PK e estavam todos lá, todos mesmo, vou e me sento na cadeira do meio onde fica o foco, ou seja eu né mores.
Ana Júlia: a que devo a ilustre visita?
Pergunto assim que me ajeito, meus pais me ensinaram tudo o que eu sei, e se tem uma coisa que eu sei é que não deve deixar ser intimidada por esse tipo de bandido, eles acham que são bons e tão sempre tentando tirar proveito.
Dn. Máfia: e você quem é?
Ana Júlia: devia aprender a pesquisar melhor seus aliados, satisfação sou morte.
Ele me olha assustado mas concorda na mesma hora, se tinham medo do meu pai é por quê não me conhecem ainda.
Dn. Máfia: temos uma dívida de longa data e agora precisamos quitar ela.
Ana Júlia: diga o que quer e verei o que posso fazer.
Dn. Máfia: digamos que a máfia portuguesa roubou algo que é meu e quero de volta e preciso de alguém que possa nos ajudar.
Ana Júlia: olha se quer mesmo minha ajuda tem que ser mais específico na sua explicação, não trabalho com teorias.
Meu pai me olha orgulhoso como sempre.
O cara joga uma pasta na mesa e abro vendo a foto de uma garotinha que chuto ter uns 7 anos.
Dn. Máfia: essa é Larissa, minha filha, meu bem mais precioso, a dois dias fizeram uma falsa invasão e conseguiram pegar ela de mim, eu sei que vocês zelam pela família de vocês e é só por isso que vim pedir sua ajuda, por mim nossa dívida já estava esquecida a muito tempo, mas eu preciso de vocês nesse caso.
Ana Júlia: quantos homens?
Dn. Máfia: preciso de pelo menos dez homens pra essa operação e preciso de um líder, alguém emprestado por uns meses depois que salvarmos minha filha eu sei que uma grande guerra vai acontecer e preciso de alguém que me ajude a treinar meus homens, pois sei que vai ser coisa séria.
Rodrigo: Pr vai. - dou um risinho.
Ana Júlia: a mas não vai mesmo!
O Pedrinho me olha sem entender e meu pai também.
Ana Júlia: te dou um ótimo vapor mas meu sub não vai.
Rodrigo: só um minuto
Meu pai vem até mim e fala só pra mim.
Rodrigo: vem Princesa vamos conversar um minuto.
Olho pro Pedrinho e vou atrás do meu pai que já está na sala do pai ph, fecho a porta com força e ele me olha.
Ana Júlia: eu não vou mandar o Pedrinho nessa missão suicida.
Meus olhos já se enchem de lágrimas na hora, sei que meu pai vai acabar me convencendo a fazer isso, mas não vou deixar, não o meu Pedrinho.
Rodrigo: princesa, olha pra mim.
Levanto minha cabeça já secando minhas lágrimas.
Rodrigo: eu não colocaria ele nessa, se eu não tivesse certeza de que iria ficar tudo bem .
Ana Júlia:o senhor não tem como me prometer isso e sabe disso. Você me ensinou tudo, inclusive que nunca se deve por a família em risco, e eu e o senhor sabemos muito bem que por o Pedrinho nisso é loucura.
Falo com minhas lágrimas que não param nem por um segundo.
Ana Júlia: se ele for contra a máfia vão marca o rosto dele e a qualquer momento podem querer se vingar, e tem mais, o que o senhor acha que vai acontecer se eles estiverem encurralados? Acha que eles vão pensar duas vezes antes de jogar ele no meio do fogo cruzado?
Rodrigo: ele precisa ir meu amor, não podemos mandar outra pessoa e você sabe disso tanto quanto eu, o Pedrinho sabe se virar, ele vai ficar bem, nós precisamos manter essa aliança com a máfia russa, não vai ser nada bom os termos como inimigos.
Sento e passo minhas mãos pelo meus cabelos, não acredito que vou ter que concordar com isso.
Saio da sala do meu pai ph e volto pra sala onde tá tudo mundo, fico de frente pro cara e olho mais uma vez pro Pedrinho que concorda como se dissesse que ficaria tudo bem.
Ana Júlia: eu te dou dez homens e meu melhor soldado, meu sub.
Dn. Máfia: eu agradeço mui.. - o interrompo.
Ana Júlia: cala a boca que eu ainda não terminei!
Ele me olha assustado
Ana Júlia: escuta bem o que eu vou te falar, eu vou te emprestar meu sub, mas se eu souber que ele teve QUALQUER arranhão eu juro que vou te mostrar o que é uma verdadeira guerra, eu te garanto que não me chamam de morte atoa.
O encaro por longos segundos
Ana Júlia: reunião encerrada
Saio da sala e bato a porta com toda a força e saio da boca na mesma hora.
Escuto me chamarem mas ignoro, não tô bem pra conversar no momento e se for falar com alguém vou acabar sendo muito grossa, então subo na minha moto e vou pro lugar que posso esfriar a cabeça.
O topo do morro, chego lá e me sento em uma pedra alta que dá pra ver o morro inteiro, respiro varias vezes até que sinto o cheiro dele.
Pedro Guilherme: sabia que você viria pra cá
Ana Júlia: me desculpa.
Pedro Henrique: você não tem que pedir desculpas por nada.
Ana Júlia: tenho sim, a gente prometeu que sempre protegeria um ao outro.
Paro de falar por conta das lágrimas que já descem pelo meu rosto, o Pedrinho e o resto da minha família são os únicos que vêem esse meu lado.
Pro mundo eu sou a dona do comando vermelho que é durona como pedra e que dá medo por onde passa, mas pra eles eu sou só a doce e assustada Ana Júlia, respiro fundo antes de continuar a falar.
Ana Júlia: prometemos cuidar um do outro e eu te mandei pro meio de uma guerra da máfia.
Ele me abraça na mesma hora e faz um carinho na minha cabeça, enquanto beija suavemente minha testa, levanta minha cabeça fazendo com que eu olhe em seus olhos.
Pedro Guilherme: tá tudo bem, eu vou ficar bem, se não fosse eu seria você e acha mesmo que eu deixaria você ir?
Ana Júlia: mas... - ele me interrompe.
Pedro Guilherme: não tem mas morena, eu te prometo que vou ficar bem, mas você tem que me prometer que vai ficar também.
Olho pra ele e penso em tudo o que ele está dizendo.
Pedro Guilherme: me promete que vai ficar bem morena.
Ana Júlia: eu prometo.
Pedro Guilherme: que bom.
Ele se aproxima e beija meus lábios suavemente mas logo se torna um beijo intenso, acabamos com selinhos e ele me olha com seu olhar penetrante, deito minha cabeça em seu ombro e ficamos ali por mais um tempo.
~ Pedrinho narrando ~
Deixo a Ana Júlia e vou em direção ao meu morro.
Entro em casa e minha mãe já está virada rezando pra ave Maria.
Daiane: liberta a mente dele senhor..- fala e eu prendo o riso.
Pedrinho: mãe? - falo e ela levanta do chão e me encara séria.
Daiane: eu não te criei pra morrer, tá de castigo por tempo indeterminado. - sorrio.
Pedrinho: mãe, está tudo bem. Eu vou ficar bem, eu sei me cuidar.
Daiane: você vai morrer Guilherme, o que a Ana Júlia acha disso?
Pedrinho: tá me gorando mãe? Ela não queria mas teve que concordar mãe. Vai ficar tudo bem. - ela me olha com os olhos cheios de lágrimas.
Daiane: e quando você vai?
Pedrinho: amanhã. - fala e ela respira fundo.
Daiane: quando você volta?
Pedrinho: daqui à um ano.
Daiane: como assim eu vou passar o dia das mães sem um dos meus filhos? Ano novo e Natal??? Isso não Pedro.
Pedrinho: Mãe, estamos no dia 2 de janeiro. No próximo dia dois de janeiro eu estarei aqui pra vocês e por vocês, eu prometo. - ela desvia o olhar respirando fundo. - eu amo você, velhinha.
Matheus Henrique: Traz uma russa pra mim, diz que sou gostosão e que quero casar e ter filhos...- reviro os olhos.
Pedrinho: Ana Luiza não curtiu isto. - ele ri.
Matheus Henrique: pelo amor de Deus, ela não pode nem escutar isso!!! Ela é louca, surtada.
Daiane: se é surtada é porque você dá motivos né. - manda um beijo pra ele. - vou arrumar sua mala.
E sobe as escadas.
Ela não gostou, mas é preciso né.
Matheus: Precisa ir mesmo? - assunto. - É pra voltar hein, se não eu vou ter que te buscar amarrado!
Pedrinho: Vá a merda, Henrique! - meu radinho toca. - Late.
Sombra: Olha como tu fala com teu pai hein moleque. - reviro os olhos. - E não revira essa p***a de olho.
Pedrinho: Bença pai.
Sombra: Deus te abençoe, desce aqui.
Pedrinho: Acabei de subir pai.
Sombra: É confusão.
Pedrinho: Ai sabe que eu amo confusão né? Tô descendo. - desligo o radinho.
Daiane: Confusão? Tô dentro! - desce as escadas.
Pedrinho: Já arrumou a minha mala? - ela assente. - hummm ligeirinha.
Matheus: Vamos logo, vou até levar o celular...
(***)
Ao chegar na boca.
Pedrinho: Qual foi do caô bebê? - falo pro meu pai, enquanto havia um menino aparentando ter a idade do Matheus na nossa frente.
Ele estava completamente sujo.
Sombra: Eu não sou mais o dono do morro como você sabe. - assinto. - então, resolva.
Sai da cadeira e me empurra pra sentar na cadeira.
Pedrinho: Sério isso pai? Tá. O que você quer? - o menino me olha um pouco assustado. - Primeiramente, qual teu nome?
Xxx: Ítalo.
Pedrinho: E o que você quer?
Minha mãe olha pra ele com pena, o mesmo olhar que eu recebi no passado, quando ela me adotou.
Ítalo: Um emprego na boca.
Pedrinho: Quantos anos você tem?
Ítalo: 16 anos.
Pedrinho: Cadê tua família?
Ítalo: Não tem não, senhor.
Pedrinho: Mora aonde?
Ítalo: na rua, senhor.
Daiane: Você não pode, ele é uma criança, Pedro!
Ítalo: Sou não senhora, se eu não trabalhar eu vou morrer de fome na rua senhora...- fala ainda firme.
Pedrinho: Então...- eu ia falar, mas minha mãe me interrompe.
Daiane: Você não pode fazer isso! - Coço a cabeça. - Filho, por favor!
Sombra: E tu quer que ele faça o que?
Pedrinho: Tem família mesmo não? - ele n**a. - E se tu roubar minha casa?
Matheus: Como assim? Ele vai morar com a gente? - pergunta.
Pedrinho: Shiii.. E aí?
Ítalo: Preciso de pena de ninguém não senhor, só quero um emprego.
Daiane: E quem disse que a gente tem pena de você? - minha mãe vem pro meu lado. - Pena eu tenho é de mim, amanhã ele vai pra uma guerra com a máfia russa e ainda por cima estou menstruada. - fala e ele sorri. - Então, eu tenho pena de mim. A gente só quer ajudar você, eu sempre ajudo os menores que vem aqui, só que você é diferente rapaz.
Sombra: E tudo novamente se repete.- minha mãe olha feio pra ele. - Já me calei.
Daiane: Todos que passaram até aqui vieram na maldade de trabalhar mesmo e a maioria tinha escolhas, você não tem escolha. Como você mesmo disse ou trabalha ou morre de fome. Deixa a gente ajudar você, não precisa me chamar de mãe e nem o sombra de pai, mas deixa a gente te ajudar. - O menino vira o rosto. - Você já deve ter passado muita coisa de r**m na vida, deve estar com fome, com sede, cansado, se não quiser ficar com a gente, só vai lá come, bebe e descansa um pouco e depois vai embora.
Ítalo: Eu não quero ser um peso na vida de ninguém de novo. Tô cansado de fugir, de passar fome na rua, de brigar por comida, de bater de porta em porta nas empresas e eles não quererem nem ouvir, mas eu não quero ser um peso na vida de ninguém, só quero ter o meu.
Matheus: eu não vou cuidar de você, não vou fazer comida pra você, lavar suas roupas nem pensar, nem muito menos te mimar, até por que eu sou o mais novo da família, mas posso ser teu ombro amigo e pá. Só vem com a gente.
Pedrinho: O que você acha, pai?
Sombra: Na nossa casa sempre cabe mais um, e se ele topar você não vai ser o mais novo Henrique.
Matheus: Problema, vou ser o mais novo mesmo assim.
Pedrinho: E aí? Qual vai ser? Quer uma família ou quer o tráfico?
Na maioria das vezes quando um menor vem aqui, eu pergunto e eles sempre escolhe o tráfico.
Ítalo: Eu acho que prefiro....Uma familia. - minha mãe respira aliviada.
Daiane: Você vai fazer igual eles fizeram, vai completar os estudos. E se lá na frente você quiser entrar pro ramo da família você entra ou se você quiser cursar uma faculdade QUE É O QUE EU PREFIRO SÓ PRA SER MAIS EXATA você faz. Você decide o seu futuro, Ítalo.
Ele sorri.
Sombra: Agora vamos, precisamos curtir o último dia antes do Pedro viajar..
Ítalo: Como assim?
Pedrinho: Te explicamos no caminho.
~ Ana Júlia narrando ~
Depois de quase uma hora no topo do morro resolvo ir embora, desço o morro na minha moto e vou direto pra casa.
Sei que tô cheia de coisa pra resolver na boca, mas não tô em condições de resolver nada agora.
Só quero chegar em casa e ir direto pro meu quarto chorar.
Passo pelos vapores que faz a vigia e como sempre buzino.
Entro em casa e vejo minha mãe deitada no sofá.
Ana Júlia: oi mãe. - digo sem ânimo.
Quando vou subir pro meu quarto, ela me puxa.
Heloísa: o que aconteceu meu amor? por que você tá com essa cara?
Na mesma hora começo a chorar, mas que droga, tenho que aprender a me controlar, minha mãe me abraça na mesma hora.
Ana Júlia: eu tô fazendo m*l pra ele mãe, eu quebrei a promessa, eu mandei ele pra uma enrascada, eu eu eu....
Não consigo falar e minha mãe só me abraça.
Heloísa: Júlia, olha pra mim! - manda.
Respiro fundo e olho pra ela
Heloísa: sobe toma um banho e eu vou fazer um chá pra você, e depois que você se acalmar, você me fala o que aconteceu e aí eu tento te ajudar, tá?
Eu apenas concordo e subo pro meu quarto, tomo um banho bem demorado, aqueles que lava até a alma, era tudo o que eu precisava, um banho pra deixar a água levar tudo aquilo que tá me fazendo m*l.
Saio do banheiro e minha mãe já está na minha cama com minha xícara de chá que pelo cheiro sei que é de camomila.
Deito do lado dela e tomo o chá e ela só me observa, assim que termino ponho a xícara no criado mudo e deito minha cabeça no colo dela.
Heloísa: e aí agora você pode me explicar o que aconteceu?
Começo a falar tudo o que aconteceu depois que eu saí de casa e quando termino a contar, quero chorar, mas desta vez eu me controlo.
Heloísa: tá, e agora é a parte que você me conta o por que desse desespero?
Ana Júlia: mãe, a senhora não ouviu o que eu acabei de te contar? eu mandei ele pro meio da guerra mãe!
Heloísa: eu sei, eu ouvi.
Ana Júlia: e o que mais a senhora quer ouvir?
Heloísa: filha nós vivemos numa guerra constante, em qualquer lugar vamos ter perigo ainda mais envolvidos com o que somos, já enfrentamos tanta gente, bandidos, os bota, e em todas nos viramos muito bem, principalmente os meninos e o Pedrinho, ele sabe se virar e seus pais não seriam nem loucos de colocar ele no meio disso se não tivessem certeza que ele ficaria bem.
Ana Júlia: eu sei que o Pedrinho sabe se virar mãe, mas sei la tanta coisa pode acontecer... - respiro fundo.
Heloísa: filha, tem certeza que o que tá te deixando assim é o fato dele ir pro meio dessa guerra?
Ana Júlia: como assim?
Heloísa: meu amor, eu sei que você e o Pedrinho tem algo...- interrompo ela.
Ana Júlia: e o que tem?
Heloísa: você tá assim por que ele vai pra guerra ou por saber que não terá ele ao seu lado por um ano?
Ana Júlia: eu não sei mãe.
Heloísa: filha, seja sincera com você mesma.
Ana Júlia: tenho medo de não saber me virar sozinha, eu e ele lideramos tudo isso juntos desde o começo, e se eu não conseguir liderar isso sem ele? e se nesse um ano algo muito sério acontecer? e se ele encontra...- penso no que ia falar.
Congelo na mesma hora.
Heloísa: alguém? - ela completa.
Ana Júlia: é e se ele encontrar alguém? alguém que se entregue totalmente à ele, alguém que o ajude quando ele precisa, alguém que assuma algo sério com ele, alguém que esteja disposta a ser o que eu não tive coragem de ser..
Não consigo mais me segurar e volto a chorar.
Acho que finalmente minha ficha caiu, tenho medo de perde-lo.
Minha mãe volta a fazer cafuné no meu cabelo.