NARRADO POR SUZANA — “A VERDADE QUE VEIO NO SABOR PRESUNTO” Sombra deu a mordida no sanduíche como quem assina contrato com o d***o. Eu dei outra mordida também, pra acompanhar a tragédia. Aí ele olhou ao redor. Olhou a cozinha. Olhou o chão. Olhou o rastro de farelos que eu tinha deixado igual João e Maria versão criminosa. E soltou: — …ah. Agora entendi por que o patrão tava puto hoje cedo. Eu parei de mastigar. — Que que eu fiz? — perguntei com a boca meio cheia, meio triste, meio presunto. Ele apontou pra cozinha. — Isso AQUI. — abriu os braços, teatral. — A casa dele tá de pernas pro ar, e a cozinha dele parece que brigou com uma padaria e perdeu. Eu olhei ao redor. Pão aberto. Maionese sem tampa. Pedaço de presunto que voou quando eu me assustei com a campainha. E eu, n

