NARRADO POR RENATO (CARDEAL) — O ECLIPSE DA SANIDADE As chaves do Mercedes tremiam na minha mão, mas não era de medo; era o excesso de voltagem correndo nas minhas veias. O asfalto da cidade parecia um rastro de borracha queimada enquanto eu cruzava os sinais vermelhos. O mundo lá fora era um borrão. Na minha cabeça, a voz do Playboy e o olhar de nojo da Eduarda eram as únicas coisas reais. Cheguei à mansão como um invasor em território próprio. O silêncio era absoluto. O segurança no portão nem ousou me olhar nos olhos; ele cheirou o sangue e a loucura emanando de mim. As crianças não estavam a creche era o refúgio delas, um lugar onde o nome do pai ainda não evocava pesadelos. Pilar estava na sala de música. Eu a vi pelo reflexo do espelho do hall. Ela estava sentada, um livro nas mã

