NARRADO POR ELE — “DESCIDA PRO QG: O FUNERAL DA MINHA PACIÊNCIA” Desci os degraus da minha casa como quem tá indo pra própria execução. O ar do morro tava frio, pesado, cheio daquele silêncio típico de quando o universo inteiro tá segurando o riso da tua desgraça. Eu? Eu tava com o maxilar travado, a alma cansada. E no caminho até o QG eu pensei, repensei, e concluí pela quinta vez só naquela manhã: — Eu devia ter deixado ela com o rato. Ele era guerreiro o bastante pra aguentar. Eu não. Quando virei a esquina e o QG apareceu… Porra. A desgraça brilhou. Eu parei na porta. A cena parecia pós-guerra: • buraco no teto • pedaço de gesso no chão • mesa quebrada • fio pendurado igual cipó • cadeira torta • o rádio chiando como se tivesse trauma E no meio disso tudo… SOMBRA. C

