đź–¤ NARRADO POR PLAYBOY — “O DIA SEGUINTE (OU: A MULHER QUE RI DA PRĂ“PRIA SENTENÇA)” O silĂŞncio na minha casa costuma ter som de ordem. É o vácuo de quem controla cada centĂmetro do prĂłprio chĂŁo. Mas hoje? Hoje o silĂŞncio estava errado. Tinha um chiado metálico ao fundo, um som rĂtmico de algo quebrando entre dentes e o brilho azulado de uma tela que eu nĂŁo tinha ligado. Eu acordei irritado. NĂŁo foi um pesadelo, nem o peso da consciĂŞncia eu nĂŁo carrego esse tipo de luxo. Foi instinto. O instinto de quem sabe que o territĂłrio foi marcado por algo que nĂŁo sou eu. Levantei da cama sĂł de cueca, porque a dignidade ainda nĂŁo tinha sido totalmente restaurada depois da noite anterior, e marchei em direção Ă sala, pronto para expulsar qualquer entidade que tivesse invadido meu espaço. E foi aĂ qu

