O momento de tensão parece congelar enquanto Dominic entra na cena, sua presença imponente preenchendo o espaço com uma aura de autoridade. Seu olhar sério recai sobre Lucas, que recua instintivamente diante da figura paterna.
Eu me sinto aliviada por um momento, finalmente livre das garras de Lucas. Mas ao mesmo tempo, a presença de Dominic traz uma nova onda de incerteza. O que ele está fazendo aqui?
Ah, que merda. Eu moro aqui agora.
"Você está se metendo onde não é chamado, pai." Lucas tenta manter a compostura, mas há uma nota de nervosismo em sua voz.
Dominic ignora o comentário do filho e se volta para mim, seu olhar penetrante estudando-me por um momento antes de se suavizar com uma expressão de preocupação.
"Você está bem, Anny?"
A gentileza em sua voz é reconfortante, e eu me forço a respirar fundo para acalmar meus nervos.
"Estou bem, obrigada. Apenas uma pequena discussão de casal. Você é o pai de Lucas?"
Pergunto, tentado não parecer tão surpresa. Ainda tinha um plano.
Não é exatamente uma mentira. Lucas e eu costumávamos ser um casal, afinal de contas, e a discussão certamente foi pequena em comparação com o que eu estava prestes a fazer com ele.
" Sim, eu sou o pai desse rapaz. Você deve ser a namorada."
"Ex-namorada. Eu não tenho mais nada com ele."
Dominic assente, parecendo satisfeito com a resposta, e volta sua atenção para Lucas.
"Eu sugiro que você vá embora, filho. Não é educado incomodar os vizinhos desta maneira."
"O que está fazendo aqui?"
Aquilo fica melhor. Lucas está confuso. Quero rir.
Ele não sabia onde o próprio pai morava?
Céus, isso ficava bom a cada segundo.
"Eu moro aqui, ao lado."
Dominic aponta para a porta. Lucas fica surpreso e então me olha, parece sentir vergonha e a cena fica ainda melhor quando ele se afasta ainda mais de mim.
Pra bem longe.
"Eu não imaginava. Só queria falar com Anny e tentar resolver as coisas."
"Ela parecia não querer. Não pode obrigar ninguém te ouvir. Agora vai para casa. Aconselho se quer conversar com a jovem, mande uma mensagem antes. Não é agradável o que estava fazendo. Você não precisa disso."
O homem falam tão firme. Naquele momento eu sinto a tensão. Meu corpo se arrepia todo.
Lucas parece relutante em obedecer, mas a autoridade implícita na voz de Dominic o convence a recuar. Com um último olhar furioso na minha direção, ele se afasta, desaparecendo pelo corredor do prédio.
Não fala nada. Qual era o problema dele com o pai? Nem mesmo sabia onde ele morava?
Então a reputação da relação deles ser assim não era mentira.
Fico ali, olhando enquanto ele se vai, uma mistura de alívio e ansiedade se misturando dentro de mim. Eu sabia que Lucas não ia desistir tão facilmente, e agora, com seu pai envolvido, as coisas só poderiam ficar mais complicadas.
Quando volto minha atenção para Dominic, ele está me observando com uma expressão intrigada.
A presença de Dominic ao lado me deixa intrigada. Ele é uma figura enigmática, envolta em mistério e autoridade.
"Espero que não seja uma ocorrência frequente ver meu filho causando problemas por aqui."
A leveza em sua voz me faz sorrir, apesar da situação desconfortável.
"Não se preocupe, senhor Barette. Isso foi apenas um mal-entendido. Eu sou nova no prédio e ainda estou me ajustando à vizinhança."
Ele assente, parecendo satisfeito com a explicação.
"Bem, se precisar de alguma coisa, não hesite em me procurar. Estou sempre disponível para ajudar meus vizinhos."
A generosidade de sua oferta me surpreende, mas eu agradeço sinceramente.
"Obrigada, senhor Barette. Vou me lembrar disso."
"Então você era a garota que meu filho ficou por esses anos? Não fomos apresentados antes. Não sou tão presente na vida de Lucas."
"Meu nome é Anny Colin. Recentemente ele agiu de forma idiota e não pude perdoá-lo. Fazer isso era como me perder. Então foi até bom não ter conhecido o senhor."
"Conheço seu pai. Um homem de respeito. Fico feliz em ver que ele pelo menos tentou se relacionar com uma boa garota. Uma pena que tenham terminado."
Aquilo me coloca com várias coisas na cabeça.
"Por que não se dão bem?"
Vejo ele morder o lábio inferior e suspirar, um suspiro resignado e até tenso.
"Problemas de pai e filho. Somos duas pessoas difíceis. Fica tudo melhor assim."
"Eu não consigo me imaginar longe dos meus pais."
"As vezes essas coisas ajudam mais do que ficar perto demais e acabar se decepcionando com as pessoas que gostamos, Anny."
" Uma vez ele comentou que errou na empresa e isso afastou vocês. Ele se dedicava muito para agradá-lo."
Ele riu.
" Ele falou isso? "
Encaro os olhos escuros e quase me perco no brilho deles. Ele não é apenas um homem mais velho e experiente, isso fica claro. Ele é atraente, de uma maneira linda.
" Sim, não foi esse o motivo? "
" Lucas era jovem, mas erros cometidos mais de uma vez se tornam escolhas. Ele sabe o que fez."
"Realmente, ele sabe o que faz."
Sinto os olhos encherem de água. Tento segurar. Tento mesmo. Mas acaba deslizando. Corro pra limpar e quando ergo o olhar, um homem me encara como se eu fosse um espetáculo.
Ótimo, chorando!
" Está na hora de seguir sua vida. Você é jovem e bonita. Isso é apenas um término. Vai encontrar alguém que cuide de você e queira o mesmo que você."
Aquilo só termina de me levar pro banco de reserva, deixar de lado a máscara e suspirar fundo.
"Como algo pode te deixar com tanta raiva e tristeza ao mesmo tempo?"
Com delicadeza ele puxa um lenço do bolso do terno. Aquilo me surpreende.
" Não tenta entender o que está sentindo. Vai parecer que você tem culpa em alguma coisa. Apenas sinta e deixa passar. "
Parece sensato. Até mais do que eu e o meu plano.
" Já estou fazendo isso. Tenho trabalho no começo da semana e vou colocar minha energia nisso. "
" Não gaste sua energia apenas nisso."
" No que mais eu gastaria? "
" Em você. "
Minha respiração pesa um pouco mais.
" Você sempre sabe o que dizer?"
"Apenas quando é necessário." Ele olha para o relógio e depois para mim. " Você aceita uma xícara de café ou um suco?"
O convite me deixa surpresa, penso em tudo que planejei para esse momento. Mas é natural quando respiro devagar e abro um pequeno sorriso.
" Talvez um chá. "
Aceito, consciente do que eu iria fazer.