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O Trono Vago

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Blurb

Na região mais temida do continente europeu. No lugar mais sombrio da Romênia. No local mais remoto e assustador na Transilvânia, apenas sussurrado pelos mais bravos, ignorado pelos mais sábios, “a consequência há de recair sobre os infelizes escolhidos”, era o prenúncio revelado e – no eclipse solar total, quando o dia virou noite e permaneceu assim para os Strigoi, toda a maldade pura, nua e crua por atos, falas e pensamentos ou rituais do mundo, batalhas sanguinárias por territórios, desavenças, invejas, ódios, violência gratuita cometida por humanos de várias civilizações condensada se reuniu e sob o olhar atento do m*l, relutante, mas – passivo, a extinta família Malaimare (fortuna ligada à terra) formada pelo patriarca enérgico Atanasie (que significa imortal), o filho mais velho de caráter reto Cosmin e o filho mais novo romântico Dragos receberam toda essa carga maléfica, e assim dava-se início à origem vampírica no mundo como a temida família Strigoi (referência direta aos mortos-vivos). Nada a ver com religiosidade, maldição, folclore, crença ou qualquer vertente, ainda que de origem improvável ou absurda, que caiba dentro desse contexto. Tanta dor e desespero só agravaram as “qualidades” desvirtuadas do Atanasie que, imediatamente, como um servo dedicado a mando de seu mestre, cumpriu com excelência e gosto os mandamentos vampíricos, criados por si próprio, vindo a ser conhecido apenas como “Pai”, descritos no Livro de Atanasie e a Sociedade com regras duras e severas, estava criada, levando consigo seus filhos que – por respeito ao pai agiam na mesma linha! Por mais de dois séculos eles acreditaram serem os únicos da espécie, acumulando riquezas, conhecimentos e influência, sempre com total discrição a fim de preservar os seus e o estilo de vida. Mas tudo estaria para mudar quando o filho mais novo, Dragos, primeiro desobedece ao Pai quando não mata sua presa e, mais tarde, inevitável e inexplicavelmente, ele se apaixona pela doce e meiga camponesa Alina (que significa brilhante ou luz) e resiste à Sede não sugando seu sangue ao que Dragos nos dá não uma história escrita com palavras, encontrada em páginas comidas por traças ou amareladas, mas – nos convida educadamente a uma história envolvente, real, sentida na alma, visualizada com olhos fechados, vivenciada por cada batida de um coração acelerado, energizada por cada toque de pele com pele, amaciada pelo cheiro que emana dos corpos seduzidos entregues ao amor...

Motivos mais do que suficientes para levá-lo de uma simples advertência à punição mais severa, no entanto, não desproporcional ao ato. E num primeiro ato de desobediência coletiva, Cosmin, o filho mais velho, intercede pelo irmão que, também, não é bem visto e recebe uma punição. Para piorar, não é sabido se foi arquitetado ou coincidência, uma família suspeita e com alta probabilidade de rivalidade se instala chamando a atenção dos Strigoi que num primeiro encontro já é o suficiente para a guerra entre eles estar declarada!

Um século após este cenário que – não demora muito e se torna apocalíptico, um estudante búlgaro de arqueologia, Ivan, obcecado por fazer uma descoberta arqueológica que o revelará para o mundo encontra a bela arqueóloga londrina Charlotte de um jeito inusitado e – juntos, encontram as ruínas da Sociedade e o Trono do Poder, embora, com marcas visíveis da ação implacável do tempo, ainda imponente e o pergaminho vampírico que marcará não só o retorno da Sociedade, mas também, um novo conceito de dominação, antes ignorado a todo custo em benefício de sua própria espécie, e cabe a eles juntamente com os famosos “Iluminados”, seres remanescentes outrora humanos de suas eras abastecidos pela energia do bem comandados por uma seita religiosa sem nome liderados por um alguém muito especial que se revelará no momento mais oportuno lutarem contra estes seres das trevas que retornam triunfantes da batalha no inferno, sedentos por sangue, porém, não mais por uma sobrevivência oculta e de migalhas!

Conheça a origem, queda e renascimento de uma das famílias vampíricas romenas mais intrigante e desafiadora de conceitos do gênero, trazendo a verdade sobre o vampirismo, que se tornou a conhecida saga em toda a Romênia da família Strigoi.

Mas o que ninguém sabe é que são observados atentamente sem que fujam de suas maquinações.

Meu palpite: você certamente torcerá pelo Dragos. Depois me conta!

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Capítulo 1 (O Inevitável)
Atanasie trança as mãos, as levanta e do céu um raio cai ao que Radu se esquiva muito pouco e lança um olhar como quem diz: isso não é nada ou isso é o melhor que pode fazer? Visivelmente mais forte e inteligente, Radu mais do que depressa faz movimentos não só com os braços, mas também com os pés numa dança sincronizada que chama a atenção e uma rajada de poder arrasta tudo e atinge em cheio Atanasie que é mandado para longe, mesmo se defendendo, ainda que, sem saber muito bem como fazer. O impacto é forte nas costas ao acertar uma árvore que cai ao chão com toda a força e permanece lá. Como se aquele fosse seu lugar de direito. Atanasie cospe sangue. Um poder mais do que ele poderia supor. Um ataque de dano interno. Embora, Atanasie seja novo, o que mais pega é a falta de conhecimento, pois o seu corpo é fortíssimo. O que é demonstrado imediatamente já que ele se levanta. Uma nova estratégia é formulada ao que ele corre rapidamente em direção ao seu inimigo. A sua determinação é louvável, medida pela sua força de vontade e não pela loucura ao ir de encontro para uma ação sem vitória. Os braços abertos já demonstram a sua estratégia e arma, suas unhas afiadas como adagas. Radu nem se mexe. Espera calmamente a chegada de seu oponente determinado, como um ser confiante de si e mais, das suas habilidades e poder, julgados superiores. O destino é alcançado e Radu se desvia para a direita, seguido para a esquerda, se inclina para trás ao que as unhas de Atanasie passam rente ao seu rosto e num único momento de mudança de defesa para ataque Radu pega tão rapidamente no pescoço do Atanasie que nem é possível ver, mas é certamente sentido, e erguido. - Pai? – não longe dali, Cosmin vê o inacreditável e, ao mesmo tempo que se desespera temendo pela vida de seu pai, se descuida da sua própria batalha e toma um dano, uma faca enfiada na barriga que o faz berrar de dor chamando a atenção dos outros oponentes e de seu irmão mais novo, Dragos, não se saindo muito bem na sua luta, imobilizado. Os irmãos querem ajudar o pai, mas não sabem nem como se livrarem dos seus próprios problemas. - Você, ou melhor, isso –, que é a nova geração de vampiros? – Bogdan o provoca e gira a faca que faz Cosmin gritar ainda mais... - Aguenta, irmão! Eu já vou! - Ha, ha, ha, ha... – as irmãs Loredana e Ioana riem demasiadamente tendo Dragos imobilizado. - Nenhum de vocês merecem este poder! Nenhum de vocês são dignos de serem nomeados vampiros, de carregarem esta condição milenar ou simplesmente ousarem se apresentarem como tal. – Radu fala calmamente, soando como desprezo. Atanasie continua elevado, porém, o que muda é a força exercida pelo Radu que o aperta mais e mais, sem pressa de acabar, com gosto e satisfação. É sabido que um vampiro não respira, logo, não pode ser sufocado, porém, algo acontece e Atanasie parece estar a ficar mais fraco e – nem as suas tentativas de fazê-lo largar deram resultado e apenas cortes foram feitos nos braços e rosto de Radu que se regenera instantaneamente e continua obstinado a vencer por esta força superior, por esta estratégia aparentemente simples, mas vitoriosa. As nuvens se movem. Ninguém nota. Cosmin vence a disputa de forças e se desprende da afiada faca, mas isso não valida a sua ação por completo ao passo que seu oponente faz a faca virar uma espada. Só tem tempo de curar um pouco o ferimento fundo e ir rastejando sem ver o que tem atrás mantendo o seu foco no oponente. Do outro lado, Dragos se livra apenas de uma das irmãs, mas continua capturado pela outra e o seu grito é ouvido no campo de batalha, não de dor, mas sim, uma profunda frustração consigo mesmo, pois o resultado esperado da sua ação era se livrar das duas. Radu o vira para ver a sua prole prostrada e derrotada. - Veja o quão patéticos seus filhos são. Veja o quão fracos seus filhos são. Seres assim nem deveriam existir. Não, não, não desfaleça agora, seu inútil. Veja a sua linhagem findar pelas mãos dos Corvin! Matem-nos! – neste momento Atanasie percebe o fim, não só o seu, mas de seus filhos também e, isso pode ter sido o gatilho, o fim de uma era nada longínqua, ou ainda, a perda de um poder recém-conquistado, ainda sem saber se merecido, mas o fato é que a imortalidade lhe cai muito bem e ainda há muito o que se realizar... mas a verdade é que os seus olhos avermelharam como um rio de sangue, uma vontade, ou algo mais forte, um ódio o incentivou de tal maneira que até Radu se surpreendeu, porém, não o soltou. A incredulidade atingiu em cheio Radu que viu a antes coloração mais pálida do que a normal sumir dando lugar a um rubor nada característico como se as forças lhe fossem bem-vindas novamente, ainda que a origem fosse desconhecida, em seguida o seu corpo se inflama, Radu o solta, mas ele não cai, paira majestoso com a cabeça erguida para trás, em transe, os braços são abertos e esticados ao máximo, as mãos abrem-se e os dedos também esticam e em um piscar de olhos... Bum... – uma explosão se dá! Curiosamente, a energia soube diferenciar os seus e recai devastadoramente em cima de todos seus oponentes que viram cinzas. Mais do que se preocuparem consigo, os irmãos, cada um a seu modo, a seu tempo e como conseguem, vão em direção ao pai que – misteriosamente, já é possível perceber, não há sinal dele. Após a constatação, não há clamor ou chamamento pelo Atanasie e permanecem no inevitável e insistente silêncio, sendo este, quebrado pelo som do fogo que consome a floresta. Os irmãos encontram-se, e ambos ao mesmo tempo, refletem o pior demonstrado nos olhos e não nas palavras, ainda que, verídicas. - Pai! – uma única palavra é dita pelo Dragos. Tão pequena que não precisou de ser pronunciada por sílabas numa aparente falta de forças. Uma inverdade nua e crua de um acontecido que não podia ser desfeito, porém, sussurrada com sentimento. Sentimento, palavra desconhecida para um vampiro, mas que diante do terrível caso, acabou por si só fazendo todo o sentido do mundo.

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