Talibã narrando
Assim que eu cheguei no baile, nem perdi tempo.
Subi direto pro camarote.
O som já tava batendo forte, grave estourando no peito, luz piscando, gente subindo e descendo sem parar. Do jeito que eu gosto: cheio, vivo, intenso.
Mas eu não misturo.
Enquanto geral tá ali pra curtir, eu tô ali pra observar.
Sempre.
Passei pelos vapores, fiz sinal e segui até a mesa onde eu costumo ficar. Já é meio que território marcado. Quem é de dentro sabe.
Nem precisei pedir.
A mina do bar já veio trazendo meu combo: whisky, energético e gelo de coco.
— Patrão — ela falou, colocando na mesa.
Só assenti.
Peguei o copo, preparei minha mistura do jeito que eu gosto e dei o primeiro gole, sentindo o líquido descer queimando.
Encostei no sofá e fiquei olhando lá pra baixo.
O baile tava começando a encher.
Gente chegando sem parar.
O DJ já tava com o som estalando, batendo pesado, colocando o morro pra tremer.
Peguei o rádio e chamei:
— Seba.
— Fala, patrão. Na escuta.
— Traz uma seda, um haxixe e um ice.
— Já vou pegar na tabacaria.
— Demorou.
Desliguei e voltei pro meu copo.
Fiquei ali, na minha, analisando o movimento.
Quem entra.
Quem sai.
Quem tá estranho.
Quem tá à vontade demais.
Tudo.
Foi quando o Zoio apareceu.
Subiu direto pro camarote e veio na minha direção.
— Qual foi — ele falou, fazendo o toque comigo.
— Suave.
Ele encostou do meu lado e já foi soltando:
— Deixei duas patricinhas subir… amiga da moradora nova.
Olhei de canto.
— Tá na tua responsa então.
— Já passei a visão.
— Fica de olho. Tá ligado que a gente nem conhece essas mina.
— Pode páh.
Assenti e voltei minha atenção pro baile.
Os aliados começaram a chegar, ocupando espaço, fortalecendo presença. O camarote foi enchendo, o clima ficando mais pesado.
Foi quando eu vi.
As três.
Subindo na direção do camarote.
As mesmas.
Zoio já se aproximou dos vapores, falando pra liberar.
Eu nem falei nada.
Já tinha ficado com uma delas.
E, sendo bem direto…
Desde que não ficasse grudando, não me incomodava.
Ela era bonita.
E eu percebi na hora.
Os aliados também perceberam.
Olhar deles já mudou.
Sempre muda.
Seba voltou e colocou as coisas na mesa.
— Tá na mão.
— Valeu.
Peguei o dichavador, a macønha e comecei a dichavar, com calma. Aquilo pra mim já é quase um ritual.
Sem pressa.
Sem erro.
Dei mais um gole na bebida enquanto terminava. Coloquei o Ice depois que deixei no ponto pra bolar.
Depois acendi.
Traguei fundo, segurando a fumaça antes de soltar devagar.
Foi quando vi elas dançando.
As três juntas.
Mas uma em especial chamou atenção.
A moradora nova.
Ela começou a rebolar olhando diretamente pra mim.
Sem vergonha.
Sem disfarçar.
Subindo e descendo com aquele corpo, chamando atenção de todo mundo… mas mantendo os olhos em mim.
Fiquei observando.
Sem pressa.
Só analisando.
Ela percebeu. Ela jogava o cabelo, fazia quadradinho, quicava com o dedo na boca. E foi então que ela veio na minha direção com um copo na mão e parou na minha frente.
— Será que posso fumar com você? — perguntou, olhando pro baseado.
Olhei pra ela por um segundo.
Depois estendi.
Ela pegou, tragou, soltou a fumaça devagar… sem tirar os olhos dos meus.
Devolveu.
— Obrigada.
E saiu.
Rebolando.
Voltando pras amigas.
Zoio riu do meu lado.
— A mina tá afim de tu, já se ligou né?
Dei de ombros.
— Tô suave.
Ele sorriu de canto.
— Então tá de boa se eu der ideia?
— Vai na fé.
Ele nem pensou duas vezes.
Levantou e foi na direção delas.
Voltei a olhar pro baile.
O movimento lá embaixo tava intenso.
Gente dançando, bebida rolando, energia alta.
Mas sempre tem aquele ponto…
Que muda o clima. Quando olhei de novo pra frente, vi Zoio estender uma carreira na mesa.
As três se aproximaram.
Cada uma deu um tiro.
Soltei a fumaça devagar.
— Espero que não vem dar problema depois… — murmurei.
Voltei olhar pra pista.
Na minha.
Sempre na minha.
Mas não demorou muito…
Ela voltou.
Dessa vez, diferente.
Veio direta.
Sem pedir.
Sem pensar.
E sentou no meu colo.
O olhar já tava diferente.
Mais pesado.
Mais solto.
— Será que a gente pode se divertir? — ela falou baixo, perto do meu ouvido. — Eu gostei muito da última vez.
Olhei pra ela.
Os olhos já entregavam.
Ela tava bem mais solta do que antes.
Inclinei levemente a cabeça.
— Tu tá brincando com fogo, patricinha.
Ela sorriu.
E me puxou pelo rosto.
O beijo veio sem aviso.
Forte.
Intenso.
Do jeito que ela queria.
Do jeito que ela tava buscando desde o começo. Afastei ela, porque odeio que me beijem.
Não falei nada.
Só levantei.
E puxei ela.
Fomos pro quartinho.
O resto…
Foi só impulso.
Joguei ela na cama, encapei meu paü, e já mandei pra dentro sem muita cerimônia. Ela gemia alto pra cäralho, como se fizesse questão que todos ouvissem que nós estávamos ali.
Ela gozou uma, duas, três. Mais eu não tava conseguindo chegar lá. Já tava ficando bolado com isso, então tirei da bucëtinha dela, e enfiei no c.ü que na hora esmagou meu päu. Fechei os olhos sentindo a sensação que eu queria. Ela gritava de prazer estimulando o clitøris dela.
— Cäralho Talibã, eu vou gozar de novo.- ela fala acelerando ps movimentos da mão e eu soquei ainda mais forte nela. Segui até o banheiro e fui me limpar. Lavei o päu na pia mesmo.
Quando eu saí de lá, o baile ainda tava rolando pesado.
Mas pra mim…
Já tinha dado.
Passei a mão no rosto, ajeitei a postura e fui até o Zoio.
Ele tava ocupado.
Se pegando com uma das amigas dela, sem nem se importar com quem tava olhando.
Nem olhou quando eu cheguei.
— Tô metendo o pé — falei.
Ele só fez um sinal com a cabeça.
— Fica na responsa do baile.
Nem respondeu.
Já tava envolvido demais.
Balancei a cabeça e fui saindo do camarote.
Mas antes de descer…
Senti alguém segurar meu braço.
Virei.
Ela.
De novo.
A moradora nova.
Com o mesmo olhar.
Mesma intenção.
— Posso ir com você? — ela perguntou.
Soltei o braço dela.
— Tô suave.
Ela insistiu.
— Ah, vai… vai ser bom…
Respirei fundo.
Perdi a paciência.
Segurei ela pelo pescoço, firme.
Sem machucar… mas deixando claro.
— Já falei que eu tô suave.
Ela arregalou os olhos na hora.
— Se continuar enchendo, tu vai me conhecer de verdade.
Ela só assentiu.
Na hora.
Soltei e virei as costas.
Sem olhar pra trás.
Saí do baile.
O som ainda estourando atrás de mim.
Já devia ser umas três da manhã.
Subi na moto e segui direto pra casa.
O vento batendo no rosto, ajudando a clarear um pouco a mente.
Quando cheguei, ainda dava pra ouvir o grave do baile lá de longe.
Entrei direto.
Fui pro banheiro.
Abri o chuveiro.
E fiquei ali.
Deixando a água cair.
Lavando o corpo.
Tirando o cheiro dela que estava em mim.
Saí, peguei uma toalha e fui pra varanda.
Sentei.
Silêncio.
Só o som distante do baile.
E meus pensamentos.
Horas atrás, eu tava rodeado de gente.
Barulho.
Movimento.
Corpo.
Agora…
Só eu.
E a lembrança.
Sempre ela.
A única que ficou.
E a única que nunca vai embora.