TALIBÃ NARRANDO
tava na boca olhando pra Yasmin enquanto ela fazia um bøquete do cäralho, quando meu rádio tocou com um dos vapores avisando que a patricinha estava subindo o morro com as paradas dela e eu concordei falando para ele que era para ficar de olho e qualquer parada estranha me acionar e eles desligaram.
Olhei pra Yasmin que massageava minhas bolas enquanto engolia todo meu päu. Acendi meu baseado e sentindo meu päu pulsar e quando gözei na boca dela, ela levantou toda safada vindo pra meu colo, mas eu já estava satisfeito.
— mete o pé.- falei abrindo a gaveta da minha mesa e puxei duas notas de 100 entregando para ela.
— Mas eu ainda nem terminei Talibã.- ela fala que eu dou de ombros olhando pra ela de r**o de zóio.
— føda-se, eu já terminei Então pode vazar.- ela respirou o fundo e levantou arrumando a roupa, pegou o dinheiro da minha mão e tacou marcha indo embora.
Eu entrei no banheiro e fui me limpar. Peguei o papel me secando, e depois saí do banheiro vendo o zóio entrando na sala.
— Qual foi?.- perguntei para ele pegando o meu baseado em cima da mesa e o isqueiro e me sentei acendendo ele.
— O informante ligou — ele disse, direto. — O tenente tá se preparando pra subir.
Meu maxilar travou na hora.
— Então dá o toque de recolher.
Ele assentiu.
— Manda geral ficar na atividade. Quero só o necessário na rua. O resto descansando.
Ele entendeu na hora.
— Pra não perder homem à toa — ele completou.
— Exato.
Porque confronto não é brincadeira. E eu não perco gente por descuido.
— Pode pá, vou dar o alerta — ele disse, já saindo.- vou meter o pé também, então qualquer parada tu me aciona já é?.
Balancei a cabeça concordando, e fiquei olhando para os papéis em cima da minha mesa. Fiquei parado por alguns segundos, pensando.
O clima já tava mudando. E eu precisava tá preparado.
Peguei minhas coisas. Ia aproveitar aquele tempo pra dar um pulo na minha goma, tomar um banho e tentar descansar um pouco.
Porque quando o bicho pega… Não tem descanso.
Subi na moto e segui direto pra casa. O caminho era rápido, mas minha mente não parava.
Polícia subindo. Morro sob alerta. Por um minuto passou pela minha cabeça que foi só a patricinha chegar, quê o tenente resolveu subir. vou investigar ela para ver se foi só coincidência ou se tem alguma ligação, porque tá muito estranho essa parada.
Balancei a cabeça. Não era hora de pensar nisso.
Quando cheguei em casa, o portão já tava aberto. Entrei e ouvi o barulho vindo da cozinha.
A tia Maria ainda tava lá. Ela trabalhava comigo há anos. Discreta, na dela… nunca deu problema.
Fui até a cozinha.
— Tia, pode deixar tudo aí e ir pra casa.
Ela olhou pra mim, já entendendo.
— Já tá tudo pronto, só falta lavar a loucinha.
— Não precisa. Pode ir.
— O morro tá agitado, né?
— Tá. Os caras Já deram o toque de recolher, então pode ir pra casa beleza?
Ela secou as mãos no pano de prato.
— Então eu já vou indo mesmo.
— Vai com cuidado.
Ela assentiu e saiu.
Fiquei alguns segundos parado na cozinha, olhando a comida pronta. Mas sem fome nenhuma.
Subi as escadas devagar.
E, como sempre… Foi aí que o peso veio.
Eu posso passar o dia inteiro na rua. Resolver problema, mandar, decidir, controlar…
Mas chegar em casa… É sempre a pior parte de todo meu dia. É aqui que o silêncio fala alto. É aqui que as lembranças voltam. Entrei no quarto e parei no meio. Tudo no lugar. Exatamente como sempre. Era assim que a Vanessa gostava, e eu nunca tive coragem de mandar trocar nada.
E, mesmo assim… Vazio. Passei a mão pelo rosto, respirando fundo.
— Inferno…
Fui direto pro banheiro e comecei a tirar a roupa. Precisava de um banho. Precisava tentar tirar aquele peso de cima de mim.
Entrei debaixo do chuveiro e deixei a água cair. Fiquei ali, parado, sem fazer nada. Só sentindo. E pensando.
Tem dias que a saudade bate mais forte. E hoje… Era um deles.
Fechei os olhos.
E foi automático. A imagem veio. O grito. O desespero. A sensação de não ter chegado a tempo.
Meu maxilar travou.
Sentei no chão do banheiro, deixando a água escorrer pela minha cabeça.
E, junto com ela… Veio tudo.
A raiva. A dor. A culpa.
Eu ainda ouço. Ainda escuto os gritos delas. Como se tivesse acontecendo agora. Como se eu ainda pudesse fazer alguma coisa.
Mas não posso. Eu não consegui salvar.
E isso… Isso nunca vai sair de mim.
Passei a mão no rosto, sentindo a água misturar com algo mais.
Respirei fundo, tentando me recompor.
Mas era inútil.
Porque no fundo… Eu só tinha uma certeza.
Eu vou encontrar. Eu vou achar o filho da püta que fez isso com a minha família.
Nem que seja a última coisa que eu faça na minha vida.
E quando eu encontrar… Ele vai desejar nunca ter existido. Porque vou arrancar até o último coro da pele dele, vou olhar nos olhos dele, pra ele saber que o pesadelo dele sou eu.
Saí do banheiro sentindo minha cabeça doer. Preciso comer e tirar um descanso porque não tenho feito muito isso ultimamente. Quando chega perto do dia em que tudo aconteceu, é quando eu fico pior, é quando mais dói e quando eu mais peço pra Deus me levar com elas.