CAP 04: CLARA MARIA.

1546 Words
Chegamos em uma casa no topo de um morro. Não vou negar, a casa é bem grande e chique, única em comparação com as outras. O homem vem até o meu lado da porta e me arranca de lá com um puxão no braço. Tento me soltar, mas ele me lança um olhar mortal, fazendo-me desistir na mesma hora. Ele me arrasta para dentro. Apertando meus braços com força, ele me arrasta pela escada. Começo a resmungar que está doendo, mas ele me ignora. Entramos no corredor que tem cinco portas; provavelmente, devem ser os quartos. Ele anda até a terceira porta e abre a mesma. Caio como um saco de batatas quando ele me joga na cama com toda a força do mundo. Não entendo todo esse ódio; nunca fiz nada para ele. Ret: Vou te falar uma vez só, demoro — diz, apontando o dedo em minha cara, fazendo-me encolher no canto da cama, morrendo de medo. — Lá fora tá cheio de vapor, meu; se tu tentar qualquer gracinha ou tentar fugir, eu dei a ordem para eles descerem bala em você — diz, fazendo-me arregalar os olhos. — Estamos entendidos? Clara: Si.. sim — respondo gaguejando. Abaixo a cabeça e o mesmo sai porta a fora, escuto o barulho da chave girando, tendo a certeza de que ele me trancou aqui dentro. Não consigo segurar e me desabo em lágrimas. Até quando eu vou ficar com esses bandidos? Eles podem muito bem acordar um dia e decidir me matar, até porque o monstro já deu indícios de que eu não vou sair dessa viva. Vou ficar aqui definhando e esperando o dia da minha morte. É impressionante como, em minutos, minha vida se tornou um inferno. Estava em casa estudando e, de repente, bandidos invadem minha casa e me sequestram. O pior de tudo foi bem no dia em que meu pai ia ficar de plantão. Será que ele já está sabendo do meu sequestro? Aposto que sim. Uma pitada de esperança cresce em meu coração. Talvez eu tenha uma chance de sobreviver. Só espero que meu pai não demore muito para me buscar. ————//———— Não faço a mínima ideia de que horas são, só sei que está de noite, pois vejo lá fora pela janela. Fiquei o resto da tarde chorando feito uma criança que queria um doce e os pais não podiam comprar. Minha barriga já está roncando; minha última refeição foi o almoço. Será que pelo menos aquele monstro vai me dar alguma coisa pra comer? Ou eu vou morrer de fome. Saio dos meus pensamentos quando escuto a porta sendo destrancada. Um dos homens que ajudaram a me sequestrar entra; o mesmo tem uma sacola nas mãos. Vk: Ai, garota, tô ligada que tá morrendo de fome, toma aí — diz tacando a sacola em cima da cama, me fazendo encarar a mesma — vai agradecer não, fia. Desvio meu olhar para ele e faço uma careta. Vk: Tenho medo de cara feia não, garota. m*l agradecida, da próxima te deixo com fome. — revira os olhos . Fico quieta, olhando para o mesmo por alguns segundos, pensando bem se devo agradecer ou não. Afinal, ele é um dos meus sequestradores. Engulo em seco e me preparo para falar. Clara: Obri... obrigado — digo gaguejando. Minhas bochechas coram ao falar, acho que o mesmo percebeu, pois fez uma careta engraçada. Vk: Não precisa gaguejar, pow. Nois não vai te fazer nenhum m*l se você colaborar. E te falar, mina, é melhor você fazer tudo o que o patrão mandar. Garanto pra tu que ele não tem a mesma paciência que eu, não. — diz sério, e eu assinto com a cabeça. O mesmo sai logo em seguida, trancando a porta novamente. Sem cerimônias, acabo atacando o lanche assim que a porta se fecha. Quase solto um gemido de satisfação quando dou uma mordida, pego a coca de lata e abro, dando um gole bem grande. Estava morrendo de fome e sede, então não vou desperdiçar nada. Como até o último farelo do lanche. Quando acaba, estou satisfeita o suficiente. Pego as embalagens e as coloco dentro da sacola. Vou em direção a uma porta, crendo que seja a porta do banheiro. Comprovo isso quando abro a mesma, vendo um banheiro lindo, com banheira, ducha, espelho até o chão e a pia no canto da parede, com duas torneiras, provavelmente com água quente e fria. Procuro o lixo e logo o vejo no cantinho, taco a sacola lá dentro e fecho a porta do banheiro. Percebo outra porta dentro do quarto, vou em direção a mesma e a abro. Vejo um closet gigantesco vazio. E falando em closet, como vou tomar banho sem minhas roupas e coisas íntimas? Vou ficar fedendo até quando? Saio do closet e me sento na cama de novo. Não estou nem vinte e quatro horas dentro desse quarto e já estou começando a surtar. Bufando em paciência, observo o quarto em que estou. Meus olhos param em cima de um criado-mudo. Vejo um controle de televisão e só agora percebo uma TV de quarenta polegadas grudada na parede. Levanto-me rapidamente, pego o controle, ligo a TV e vejo o símbolo da Netflix. Meu sorriso vai até na orelha, pelo menos vai ter alguma coisa dentro desse quarto. Procuro minha série favorita e meu sorriso se alarga mais uma vez quando acho. Dou play na mesma, e logo o episódio começa. Tiro meu sapato, me acomodando na cama. Já estava no terceiro episódio da segunda temporada quando escuto novamente o barulho da chave na porta. Desligo rapidamente e jogo o controle embaixo do travesseiro. Logo o monstro entra dentro do quarto. Ele fecha a porta e fica me encarando. Desvio o olhar, abaixando a cabeça. Não consigo ficar olhando muito para ele, que minhas bochechas já esquentam e meu corpo reage de um jeito estranho. Não sei exatamente o que significa isso, mas sei que não é nada bom. Ret: Tá assustada por quê, hein? — diz com sua voz grave que me dá medo. Levanto a cabeça e fico o encarando, sem dizer nada — Vai responder ou eu vou ter que te obrigar a falar. Me encolho mais ainda na cama quando o mesmo vem chegando perto demais. Clara: Não tô fazendo nada, eu juro — sussurro, o encarando com medo. Ret: E eu acho muito bom mesmo você não tentar nenhuma gracinha, demoro — diz chegando perto, e me encolho mais ainda, vou virar uma bola daqui a pouco. O mesmo gruda suas mãos em minha bochecha e as aperta fortemente, meus olhos se enchem de lágrimas pela dor. Clara: Por favor, para, está me machucando — me engasgo com o próprio choro. Minhas lágrimas descem pelo meu rosto, mas o mesmo não se comove com isso. Vejo o prazer em seus olhos; ele gosta de me ver sofrer e chorar. Ret: Ah, estou te machucando, ratinha? — diz fazendo um bico fingindo uma falsa pena. — Pena que eu não ligo. — O mesmo abre um sorriso de psicopata, aperta mais seus dedos em mim, e eu resmungo de dor, começando a chorar ainda mais. Clara: Para, pelo amor de Deus! O que eu fiz para você? — digo com dificuldade por conta do choro. O monstro empurra minha cabeça para trás, me soltando, e eu acabo batendo a cabeça na cabeceira da cama. Ret: Você, ratinha, não me fez nada. Já seu paizinho, que você tanto ama, arruinou minha vida — cospe suas palavras com tanto ódio que eu nunca vi na vida. Mas o que o meu pai fez de tão r**m a esse cara? Meu pai não faria m*l a ninguém. Clara: Eu sei que meu pai não faria m*l a ninguém, juro por tudo. Seja lá o que essa pessoa fez, ela não é meu pai — digo chorando. Conheço meu pai e sei que ele não faria coisas ruins, seja com inocentes ou com pessoas maldosas. Meu pai apenas faz o trabalho dele. Ret: Pelo visto, a ratinha ordinária não conhece o pai que tem — diz olhando-me com raiva, fazendo-me abaixar a cabeça. Eu conheço muito bem meu pai e sei o que estou dizendo. — Mas fica tranquila, na melhor das hipóteses, você e o seu pai vão ganhar uma surpresinha, e você vai conhecer quem é o teu papai de verdade — diz, saindo e batendo a porta, trancando-a novamente. Me desabo em lágrimas, sem entender o que aquele monstro está querendo dizer. Ele está tentando me colocar contra o meu pai? Insinuando que eu não o conheço? Fazendo parecer que meu pai faz coisas ruins? Será que é realmente verdade, pois aquele homem não parece o tipo que brinca com serviços. Balanço a cabeça, livrando-me dos meus pensamentos. Eu sei que meu pai é um herói e não tira vidas, mas as salva, ao contrário desse monstro que só sabe matar e roubar. Deito minha cabeça no travesseiro, começando a chorar novamente. Desde quando cheguei aqui, a única coisa que sei fazer é isso, e só de pensar que não tenho data para voltar para casa e, muito menos, se vou sair viva daqui.
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