Ontem, meu pai e eu tivemos uma noite maravilhosa. Jantamos em nosso restaurante favorito, conversamos sobre várias coisas, inclusive sobre meu aniversário de vinte anos que está chegando - falta apenas um mês.
Papai me perguntou se eu queria fazer alguma festa, mas eu disse que não, pois não conhecia muita gente e também não tenho amigos. Perguntei a ele se poderia fazer uma viagem sozinha, mas ele não gostou muito da ideia. Disse que ia me dar a resposta amanhã, pois hoje ele vai fazer plantão no trabalho e me mandou dormir sem o esperar. Eu e papai sempre jantamos juntos, só em dias como esses que eu janto sozinha e vou dormir mais cedo.
Papai já saiu para trabalhar, e como de costume, veio ao meu quarto e se despediu de mim. Nesse exato momento, estou maratonando minha série. Pedi para Maria preparar um balde de pipoca e trazer um litro de guaraná para mim. Nada melhor do que assistir Netflix dessa maneira.
Alguns minutos se passam, e Maria traz o que eu pedi. Agradeço a ela, e ela sai.
Passo a manhã inteira assistindo à minha série. Quando olho no relógio e vejo que já está na hora do almoço, vou em direção à cozinha.
Vejo que Maria fez um dos meus pratos preferidos: lasanha e escondidinho de carne. Minha boca até saliva quando vejo aquela preciosidade. Coloco bastante comida em meu prato para não desperdiçar e me sento à mesa sozinha. Enquanto devoro a comida, assisto a vídeos no meu celular.
Depois de comer, tomo um pouco de guaraná e subo para o meu quarto. Pego meu notebook, sento na minha cama e lá vamos nós para mais um dia de faculdade online.
Minhas mãos já estão doendo de tanto digitar, e olha que só faz uma hora que estou aqui. Começo a desanimar quando lembro que tem mais a tarde inteira de faculdade. Meus pensamentos são interrompidos com um barulho de algo caindo lá em baixo. Tento escutar mais alguma coisa, mas nenhum barulho vem. Dou de ombros, certeza é a Maria derrubando alguma coisa na cozinha
Frunzo as sobrancelhas ao escutar outro barulho seguido de um gemido de dor. Meu coração começa a acelerar, e eu já começo a pensar no pior. Levanto-me, calçando meus chinelos, e vou em direção à porta. Quando estou prestes a tocar na maçaneta, a porta se abre com um estrondo, fazendo-me dar um pulo para trás.
Homens, todos vestidos de preto, com toucas ninja e fuzis, invadem meu quarto. Engulo em seco, pois nunca vi esses homens aqui, e tenho certeza de que não estão a mando do meu pai. No fundo, eu já sabia o que aquilo significava.
Clara: Quem... quem são vocês?! — digo gaguejando, com lágrimas nos olhos.
Ret: Somos uns amigos muito queridos do seu pai — o homem do meio diz com sua voz grossa carregada de ironia.
PH: Ai, mina, nós não vamos te machucar, certo? Então, se trata de colaborar. Se você fizer alguma gracinha, vamos ser obrigados a te machucar — diz em um tom sério que me arrepia até a alma.
VK: Vai por mim, não queira ir pelo lado que te machuca — fala com um sorriso de lado.
Claro: Por favor, não façam nada comigo — digo, deixando as lágrimas caírem. Logo hoje que o papai está de plantão, acontece isso comigo. E cadê o segurança dessa merda.
Ret: E não se preocupe querida, já cuidamos dos outros funcionários — diz sério, fazendo-me arregalar os olhos em desespero. O que ele quis dizer com isso? Será que eles mataram todos? Meu Deus, Maria não pode ter morrido. Começo a chorar e a entrar em desespero com esse pensamento. — Aí, na moral, menina, para de choramingar, caramba — esbraveja todo estressado.
Vejo o homem da ponta direita tirar uma corrente de dentro de um saco; o mesmo olha para mim andando em minha direção. Começo a me desesperar e andar para trás.
Clara: Fica longe de mim, por favor — digo desesperada.
Vk: Garota, eu não tô com um pingo de paciência, ou você colabora ou eu vou aí te machucar — diz em um tom tão sério que me deu medo. O mesmo chega até mim e para em minha frente — Estende o braço — manda um pouco mais calmo.
Engulo em seco e estendo minhas duas mãos tremendo de medo, o mesmo as prende e me puxa pra frente, ele se move até ficar atrás de mim começando a me empurrar em direção à porta. Desço as escadas com os três me seguindo, eles me guiam até a sala onde vejo os meus funcionários todos ajoelhados com armas apontadas para sua cabeça, e ao contrário do que pensei, não era só esses três homens, tinham mais sete homens, todos de preto, com tocas ninja e armados até os dentes.
Ret: Vejo que os ratinhos estão comemorando — diz de maneira debochada.
Eu só sabia chorar, estava morrendo de medo do que esses bandidos possam fazer comigo. Papai nem deve imaginar o que está acontecendo, pois se soubesse, já teria mandado um batalhão de polícia pra cá.
PH: Bora ralar daqui, antes que alguém perceba e os cu azul brotem aqui — diz, e todos concordam.
Vejo o homem da voz mais grossa que já ouvi em minha vida ir em direção ao meu segurança. Ele tira sua toca, mas não consigo ver seu rosto, pois ele está de costas para mim.
Ret: Avisa para o seu chefe direitinho quem fez isso aqui e diz para ele que é só o começo. O Ret mandou um recadinho — o mesmo dá um tapinha na cara do meu segurança, se levanta e coloca a máscara novamente.
Seus olhos caem sobre mim, e o desespero volta ao meu corpo. Ele vem em minha direção, e eu começo a chorar ainda mais. Ele tenta me puxar pelas correntes, mas não consegue, pois cravo meus pés no chão, medindo força com ele. Mesmo sendo inútil, já que ele tem o dobro do meu tamanho e o triplo da minha força, vejo seus olhos escurecerem de ódio.
Ret: Já perdi a paciência com você, vagabunda — diz bufando de ódio e agarra meu cabelo, me fazendo arfar de dor. Ele sai me arrastando pelos cabelos, fazendo-me tropeçar em meus próprios pés. Grito em desespero e dor, pedindo para que ele me solte, mas ele me ignora.
Quando estamos do lado de fora da minha casa, vejo um carro preto estacionado. A porta de trás está aberta, e o homem que eu descobri que se chama Ret me joga de qualquer jeito como um saco de batata no banco de trás. Sinto um alívio quando sua mão se solta do meu cabelo.
Ret: Se você tentar uma gracinha, garota, eu juro que meto uma bala na sua cara e ainda mando sua cabeça de presente para o seu pai, tá me entendendo? — diz sério, apontando o dedo em minha cara. Começo a chorar com suas palavras horríveis, mas mesmo assim concordo com a cabeça. Ele se senta no banco do passageiro, e logo os outros dois que estavam com ele entram no carro. Em seguida, saem disparados pela rua .
Começo a chorar, conformando-me que não vou sair viva dessa. Eles provavelmente vão me levar para o mato e me matar. Nunca mais vou ver papai e nem Maria. Começo a me despedir de papai, agradecendo por todas as coisas que fez por mim.
Depois de alguns minutos, eles tiram a toca, e eu posso ver seus rostos perfeitamente.
O que está dirigindo tem o cabelo cortado, pintado de azul. Suas tatuagens dão um contraste perfeito com sua pele branca. Ele não tem muitos músculos, mas também não é magrelo.
Já o que está no banco do passageiro tem um músculo enorme, os braços cheios de tatuagens. O maxilar marcado o deixa mais obscuro e lindo ao mesmo tempo. Se eu disser que ele é feio, vou estar mentindo, mas o que ele faz acaba o deixando feio.
Ret: Tá olhando o quê, menina? Perdeu alguma coisa aqui? — me assusto com sua voz rouca, minhas bochechas coram ao saber que ele me pegou olhando.
Fico quieta até o resto do caminho. Em determinado momento, vejo eles entrando em uma estrada de terra. Minha respiração começa a ficar acelerada ao saber que estou a caminho da morte. Sem perceber, já estou chorando de soluçar. Não queria que fosse o meu fim, mas na altura do campeonato, duvido muito que meu pai vai vir me buscar antes deles me matar .
PH: Qual foi, tá chorando porque agora, c****** — diz sério.
Clara: Por favor, não me mata, eu não quero morrer — digo em prantos.
Ret: Fica sussa aí, garota, ninguém vai te matar não, você tá sendo só a isca, tendeu — diz, e eu suspiro um pouco aliviada. Pelo menos não vou ser morta, e até lá, meu pai já veio me salvar.
Respiro fundo, tentando me acalmar.
Alguns minutos depois, o moço que está dirigindo, e eu não sei o nome direito, entra em uma rua cheia de casas de tijolos uma em cima da outra. Nunca tinha visto um lugar assim. Vejo várias crianças brincando de futebol na rua, homens armados e sem camisa a cada esquina, mulheres com o short mais curto que eu já vi na vida, umas sentadas na calçada conversando e outras desfilando por aí.
Ret: Sai da rua aí, pivete. Não tá vendo que nois tá passando? — diz todo m*l-humorado.
Xxx: Foi m*l, chefe — diz uma criança de pele morena, sem camisa e descalça, com a bola no pé.
Enquanto o carro anda, observo o lugar em que estou. A cada rua e esquina, vê-se uma pessoa ou uma criança brincando.
Onde estão os pais dessas crianças? Elas ficam jogadas assim o dia inteiro? Não têm medo de que as sequestrem?
São tantas perguntas na minha mente que fica difícil responder.
Dou um suspiro ao imaginar que eu não vou sair daqui tão cedo. Esses caras são inimigos do meu pai. Só espero que eu não seja morta por isso.
Por favor, papai, vem me buscar logo.