Capítulo 4 – Provocações Sutilmente Calculadas

2596 Words
Ana não conseguia mais ignorar a tensão que pairava no ar. A cada dia, a presença de Marc parecia mais insuportável. Ele, o homem intocável, era agora uma presença esmagadora em seus pensamentos. Mas ela não podia ser a única a carregar o peso da atração que eles compartilhavam. Se Marc queria resistir, ela não tinha mais nada a perder. Decidiu que era hora de mudar a estratégia. Ela sabia o que Marc temia. O medo de ser vulnerável, o medo de perder o controle. Mas a verdade era que ele não estava apenas resistindo a ela, ele estava resistindo ao que ela representava. Ela era a mulher que, pela primeira vez, poderia desafiar suas certezas, a mulher que poderia mostrar que ele não era mais imune ao desejo. Naquela manhã, Ana acordou cedo e decidiu que enfrentaria o dia de uma maneira diferente. Colocou um vestido vermelho justo, que abraçava seu corpo com sutileza e confiança. O vestido, com um decote modesto, mas sugestivo, evidenciava suas curvas e deixava claro que ela não estava mais interessada em ser invisível aos olhos de Marc. Ela não estava ali para ser a garota que ele desprezava, mas a mulher que ele jamais poderia esquecer. Quando desceu para o café da manhã, encontrou Marc sozinho na cozinha, tomando seu café. Ele a olhou brevemente antes de retornar ao que estava fazendo, mas Ana percebeu a mudança em seu olhar. Ele tentava disfarçar, mas não podia evitar os segundos a mais que ele demorou para olhar para ela. O magnetismo entre os dois era palpável, mas ele não falava nada. A distância entre eles ainda estava ali. Ela caminhou até a mesa, deixando o vestido dançar em torno de suas pernas. Seu perfume suave, mas envolvente, parecia pairar no ar. Não era uma casualidade. Ela queria que ele sentisse a mudança. Queria que ele se perguntasse o que estava acontecendo com ela. — Bom dia, Marc — disse ela com um sorriso discreto, mas confiante. Marc a olhou de novo, agora com mais intensidade. Ele sabia o que ela estava fazendo, sabia que ela estava o desafiando, mas ainda assim, ele não cedia. Era como se ele quisesse mostrar que nada a faria desviá-lo de sua postura firme. — Bom dia, Ana — respondeu ele, a voz baixa e neutra. Ela se sentou à mesa, pegou uma fatia de pão e passou a manteiga com uma calma deliberada. Cada movimento seu estava sendo calculado. Ela sabia que Marc estava observando cada detalhe. Era uma batalha silenciosa entre eles, uma guerra de olhares e gestos. E Ana estava determinada a ganhar. Sem mais palavras, ela se levantou e foi até a janela, com uma naturalidade que ele não pôde ignorar. O vento da manhã entrava pela janela aberta, mexendo em seu cabelo. Quando se virou para Marc, o encontrou olhando para ela com uma expressão difícil de decifrar. Era como se ele estivesse lutando contra algo muito maior que ele mesmo. — Então, Marc... — começou ela, com um sorriso travesso, se aproximando lentamente dele, mas sem tocá-lo. — Como tem sido a sua estadia aqui? Está gostando de ver as coisas de uma perspectiva diferente? Ele tentou desviar o olhar, mas não conseguiu. Ela estava ali, desafiando-o de uma maneira sutil, mas eficaz. Cada palavra dela parecia provocar algo dentro dele. — Você está jogando um jogo perigoso, Ana — ele murmurou, tentando manter a compostura. Mas Ana não queria saber dos avisos. Ela sabia que ele estava se aproximando da beirada, e ela queria empurrá-lo para o limite. Queria que ele finalmente cedesse. — Eu não estou jogando nada — respondeu ela com um sorriso enigmático. — Só estou vivendo, Marc. Algo que você parece ter esquecido. Ela se afastou dele e foi até a porta. Antes de sair, lançou-lhe um último olhar. — Se você mudar de ideia, eu estarei por aí. Mas não espere que eu espere muito. E, com isso, ela saiu da cozinha, deixando Marc mais uma vez perdido em seus próprios pensamentos, com a mente em chamas. A provocação sutil de Ana havia alcançado seu objetivo: ele não conseguiria mais ignorá-la. O jogo de poder entre os dois havia começado, e não havia mais como voltar atrás. O resto da manhã passou em um turbilhão de pensamentos para Marc. Ana estava diferente. Não só fisicamente, o que já era evidente, mas sua atitude havia mudado. Ela estava mais ousada, mais desafiadora, e isso o deixava cada vez mais fora de controle. Ele não entendia por que se importava tanto. Não era apenas o desejo — embora fosse forte, quase incontrolável. Era a certeza de que ela estava jogando com ele, mexendo com seus sentimentos, e ele não gostava de ser manipulado. Marc sabia que ela estava calculando cada movimento, cada palavra. E ainda assim, ele não conseguia afastar a atração que sentia. Ele tentou se convencer de que era apenas uma fase, que ela estava apenas tentando provar algo para si mesma, mas havia algo em seu olhar que o desconcertava. Algo que dizia que ela não estava apenas jogando; ela estava jogando para ganhar. Ana, por sua vez, não podia mais ignorar a tensão crescente entre eles. Cada vez que seus olhos se cruzavam, ela sentia seu coração acelerar. Não era só sobre o desejo — era sobre o poder de influenciar Marc, de fazer com que ele a visse de uma maneira que nunca havia visto antes. Ela queria que ele a desejasse, mas não apenas como uma mulher qualquer. Ela queria que ele a desejasse profundamente, de um jeito visceral, de um jeito que ele jamais se perdoaria. Após o café da manhã, ela se dedicou a dar mais um passo em sua provocação silenciosa. Sabia que Marc a observava de longe, tentando esconder sua luta interna, mas os olhos dele nunca deixavam de segui-la. Aproveitando-se disso, Ana começou a tomar atitudes que mexeriam com a percepção dele sobre ela. Decidiu não se esconder mais atrás da segurança do seu antigo papel. Ela estava ali para mostrar que era muito mais do que ele jamais imaginara. Na tarde seguinte, Marc estava em uma videochamada de trabalho quando a ouviu entrar na sala. Ele sabia que ela estava ali, mas manteve os olhos na tela, concentrado no que estava fazendo. Até que ela se aproximou sem fazer barulho, e, antes de perceber o que estava acontecendo, ela se sentou na poltrona perto dele, bem visível. Ana não disse uma palavra. Ela apenas o observou, com um olhar provocante e cheio de intenções. Marc sabia que ela estava testando seus limites, tentando descobrir até onde ele iria para manter a compostura. — Você parece muito focado — comentou Ana, sua voz suave, mas cheia de malícia. — É uma reunião importante, não é? Ele respirou fundo, tentando manter o foco no trabalho. Mas o calor emanado de sua presença não o deixava pensar direito. — Sim, é importante. — Ele ainda não olhava para ela. Mas sentia seu corpo tenso, como se ela estivesse se aproximando demais, ainda mais quando ouviu o som suave de seus saltos batendo no piso frio. — Você precisa de alguma coisa? Ana sorriu de canto, se inclinando ligeiramente para a frente, de forma que seus olhos brilhassem sob a luz suave da sala. — Nada de mais. Só achei que... — Ela fez uma pausa dramática, como se estivesse decidindo suas palavras. — Só achei que poderia aproveitar para me mostrar o quanto você é disciplinado. Marc quase se engasgou. O tom dela não era casual. Era uma provocação, pura e simples. Ele sentiu o desejo de afastá-la, mas, ao mesmo tempo, algo em seu corpo o impedia de fazer isso. Ela se levantou e caminhou até a janela. Marc a observava de soslaio, tentando não ser óbvio, mas seu olhar seguia cada movimento. O vestido dela, levemente rodado, se movia com graciosidade, destacando a forma de seu corpo. — Você não responde as minhas provocações, Marc — Ana disse, sem olhar para ele, mas com a voz cheia de uma confiança arrebatadora. — Não sei se você tem medo ou se apenas está esperando eu me cansar de tudo isso. Mas... saiba que eu não sou uma mulher paciente. Marc ficou em silêncio, suas mãos apertando a mesa. Ele queria falar, queria gritar, mas o medo de perder o controle o paralisava. Ela estava conseguindo o que queria — estava desestabilizando-o de uma maneira que ele nunca imaginou. Ana virou-se lentamente e o encarou. Seus olhos estavam mais intensos do que nunca, e ele sentiu como se estivesse diante de um abismo. Ela sabia o que estava fazendo. Sabia exatamente o efeito que tinha sobre ele. Ela caminhou até ele, parando ao lado de sua cadeira. O perfume dela foi o que o atingiu primeiro, uma fragrância leve, mas inebriante. Então, ela se inclinou para frente, tão perto que ele podia sentir a energia dela em sua pele. — O que vai ser, Marc? — ela sussurrou, seus lábios quase tocando a orelha dele. — Vai me deixar continuar provocando você até que você não possa mais resistir? Ou vai finalmente admitir o que está entre nós? Ele engoliu seco, sentindo o calor subindo em seu rosto. O corpo dele estava em chamas, mas sua mente estava em guerra. Ele não queria ceder, não queria se entregar. Mas tudo dentro dele desejava fazer exatamente isso. Ana deu um passo para trás e se afastou dele, sorrindo de maneira triunfante, como se já soubesse que tinha vencido aquela batalha. Ela estava no controle agora. E ele sabia que estava em suas mãos. — Se você mudar de ideia, Marc — ela disse, com um sorriso provocante, — sabe onde me encontrar. Com um último olhar de desafio, ela saiu da sala, deixando Marc completamente perdido em seus próprios sentimentos. Ela sabia como mexer com ele. E agora ele não conseguia mais negar: a guerra entre eles estava apenas começando. A noite caiu com um ar gelado e silencioso, refletindo o tumulto interno que Marc sentia. Ele tentou se concentrar no trabalho, mas a imagem de Ana não saía da sua cabeça. Ela o desafiava de uma maneira que ele não conseguia entender. Algo nela havia mudado, e essa mudança o afetava mais do que ele estava disposto a admitir. Ele sentia como se estivesse em uma corda bamba, prestes a cair, sem saber qual seria o próximo passo. Ana, por outro lado, sabia exatamente o que estava fazendo. Cada movimento, cada palavra, cada olhar era cuidadosamente planejado para fazer Marc perder o controle. Ela o observava de longe, notando como ele tentava resistir à atração que claramente sentia por ela, mas sabia que, mais cedo ou mais tarde, ele cederia. Ela queria que ele a desejasse, mas mais do que isso, queria que ele precisasse dela. Ela estava jogando um jogo perigoso, mas sabia que tinha as cartas certas. A resistência dele só fazia com que ela quisesse mais. E, pela primeira vez, sentia que estava no controle de algo que, por tantos anos, parecia fora do seu alcance. Naquela noite, depois de um longo dia, Marc se viu novamente sozinho na sala de estar, olhando pela janela. O vento forte sacudia as árvores, e ele se perguntava como tudo havia se tornado tão complicado. Ele sempre soubera que Ana era bonita, mas agora, com a mulher que ela se tornara, ele não conseguia mais simplesmente ignorar o desejo que a consumia. Foi quando ouviu os passos dela. Ana entrou na sala sem pedir licença, com uma expressão de confiança estampada no rosto. Ela usava um vestido preto simples, mas que, de alguma forma, parecia exageradamente sexy. Seu cabelo estava solto, os olhos brilhando com um desejo oculto. — Espero não estar interrompendo, Marc — disse ela, com um tom suave, mas desafiador. Ele virou-se lentamente, sentindo o coração acelerar. Não importava o quanto tentasse resistir, a presença dela era inebriante. Mas ele não queria ceder. Ele não queria ser vulnerável diante dela. — Não, não está interrompendo — respondeu ele, tentando soar indiferente. — Apenas pensando. Ela sorriu, como se soubesse exatamente o que ele estava pensando. Ela se aproximou lentamente, sem pressa, até que estava a poucos passos de distância dele. Ela se abaixou, tirando o salto com a elegância de quem sabe que tem a situação sob controle. — Você acha que pode resistir a mim, Marc? — ela perguntou suavemente, quase num sussurro. — Que pode me afastar com o seu orgulho? Marc fechou os olhos por um momento, tentando manter a calma. O cheiro dela, o som da voz, o modo como ela se movia... tudo isso o estava desestabilizando. Ele abriu os olhos e a encarou. — Não se trata de resistência — ele respondeu, com um sorriso amargo. — Se trata de respeito. Eu respeito você, Ana, mas isso... isso está indo longe demais. Ana deu um passo à frente, encurtando ainda mais a distância entre eles. Ela olhou para ele com uma intensidade que fazia Marc se sentir completamente vulnerável. Ela sabia que estava jogando um jogo arriscado, mas não se importava. Ela queria que ele a visse não como a irmã do melhor amigo, mas como a mulher que poderia dominá-lo. — Respeito? — Ana repetiu, com um sorriso travesso. — Eu não quero respeito, Marc. Eu quero mais. E sei que você também quer. Ela se aproximou ainda mais, seus corpos agora tão perto que Marc podia sentir a temperatura dela. Ele queria dar um passo atrás, mas algo dentro de si dizia para não fazer isso. Ele queria continuar resistindo, mas o desejo que ela despertava nele era tão forte que não podia mais ignorá-lo. — Você está jogando com fogo, Ana — disse ele, a voz grave e tensa. — Eu não sou tão fácil assim. Ela não se afastou. Pelo contrário, deu um passo mais perto, agora tão perto que poderia sentir o calor do corpo dele. — Eu sei que você não é fácil — respondeu ela, com um sorriso malicioso. — E é isso que me atrai em você, Marc. A resistência, o desafio. Isso só torna tudo mais excitante. Os dois estavam tão próximos que podiam ouvir o ritmo acelerado dos corações. Marc olhou nos olhos dela, desafiador, tentando entender até onde ela queria levá-los. Mas Ana não estava disposta a esperar por mais palavras. Ela se inclinou levemente, seus lábios quase tocando os dele, e sussurrou: — Então, o que você vai fazer, Marc? Vai me deixar continuar ou vai finalmente ceder? Marc respirou fundo, lutando contra o desejo que crescia dentro dele. Ele queria afastá-la, queria manter o controle. Mas, ao mesmo tempo, sabia que estava perto do ponto sem retorno. Ele sentiu o calor de seu corpo, a pressão do momento, e por um breve momento, tudo o que ele queria era beijá-la. Deixar-se levar pela atração avassaladora que os envolvia. Mas ele se conteve. Ele sabia que, se cedesse, não haveria mais volta. A guerra entre eles estava apenas começando, e ele não estava pronto para perder. Ana, no entanto, sentiu a tensão, o desejo não correspondido, e sorriu, satisfeita com o efeito que estava causando nele. — Vamos ver até onde isso vai, Marc — ela disse, com um sorriso enigmático. — Eu vou esperar. Ela deu um passo para trás, olhando-o com um olhar que deixava claro que a provocação não tinha acabado. Ela sabia que ele não conseguiria resistir por muito mais tempo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD