o preço do erro
O relógio na parede da pequena sala da casa de Lívia marcava 22h, mas o pai dela, Marcelo, m*l percebia o tempo. Sentado diante da tela do computador, os olhos fixos nos números e nas apostas, ele murmurava sozinho, quase como se o mundo fosse apenas aquele cassino virtual.
— Pai… para com isso! — Lívia já tinha dito mil vezes, sua voz carregada de exasperação. Ela tirava os pratos sujos da mesa da cozinha da lanchonete que havia improvisado em casa, tentando manter alguma normalidade enquanto o caos se instalava à sua volta. — Já chega! Isso vai acabar com a gente!
Mas Marcelo apenas bufava, sem sequer olhar para a filha. Para ele, o mundo estava ali, nos jogos, nos números que dançavam na tela, nas apostas que prometiam uma riqueza que nunca chegava. E cada vez que perdia, a dívida aumentava, subindo em números tão altos que Lívia m*l podia acreditar.
Ela trabalhava longas horas na lanchonete da esquina, entregando sanduíches e cafés, tentando juntar dinheiro suficiente para pagar algumas contas, mas a dívida do pai crescia mais rápido que qualquer esforço dela. Ela sabia que a situação estava ficando perigosa, mas nunca imaginou que o risco bateria à porta tão cedo — e de forma tão violenta.
Foi nessa madrugada que o nome de Marcelo chegou aos ouvidos de Alessando Cardoso. Ele estava em seu escritório, a luz baixa refletindo nas tatuagens que cobriam seus braços e peito, enquanto a fumaça do cigarro se enrolava no ar denso do ambiente.
— Não basta assim — murmurou ele, com a voz grave e carregada de autoridade. — Esse homem vai aprender a respeitar o que me deve.
Sem perder tempo, Alessando chamou dois de seus homens de confiança. Em silêncio, eles pegaram as armas e entraram no carro preto, o motor rugindo como um aviso sinistro. A noite os engoliu enquanto seguiam para a casa de Marcelo.
Alessando não era conhecido por piedade. Cada dívida tinha seu preço, cada atraso, sua punição. E aquela noite estava prestes a se tornar um pesadelo real para a família de Marcelo — e a vida de Lívia nunca mais seria a mesma.
Lívia tava saindo da lanchonete a caminho de casa..
Quando na casa dela um carro preto surgiu silenciosamente na frente da casa. Alessando Cardoso estava no banco do motorista, os olhos escuros e penetrantes fixos na casa. Ao seu lado, dois homens firmes, armados, atentos a cada detalhe.
Quando eles entraram, a cena que se desenhou na sala foi meticulosamente calculada. Alessando sentou-se calmamente no sofá, a presença imponente irradiando perigo. Na frente dele, Marcelo estava amarrado e preso a uma cadeira pelos homens de Alessando, incapaz de se mover.
— Então… — Alessando começou, a voz grave e fria — você anda devendo muito. Muito mesmo. E já passou da hora de pagar. Onde está o meu dinheiro?
Marcelo gaguejou, os olhos arregalados, sentindo o peso da presença de Alessando. Tentou argumentar, mas as palavras se perderam entre o medo e o choque.
— Não adianta enrolar — Alessando continuou, olhando diretamente para ele — você sabia onde isso ia dar. Sabia que eu não tolero atraso.
E foi nesse momento que a violência começou. Dois golpes rápidos nos ombros e nas costas de Marcelo, força suficiente para fazê-lo gritar, mas sem quebrar nada vital. A tensão na sala era palpável, cada som ecoando como um aviso mortal.
Foi quando a porta da frente se abriu. Lívia entrou, passos apressados, sem imaginar que encontraria aquela cena horrível.
— Não! Não! Não! — gritou, correndo para o pai. — Por favor, por favor!
Alessando ergueu os olhos e encontrou os dela. Azuis. Medo e coragem misturados. Intensos. O impacto foi imediato. Cada músculo dele, cada tatuagem, cada gesto de violência parecia congelar diante daquele olhar. Era impossível ignorar.
Um dos homens tentou segurá-la, mas Alessando levantou a mão:
— Não, deixa que ela fale. — sua voz grave comandava silêncio e atenção.
— Por favor, por favor… não machuca meu pai! — Lívia implorou, lágrimas escorrendo, corpo tremendo. — Eu… eu posso ser valiosa para você… eu prometo que não vou fugir… mas por favor, não machuca ele!
Alessando se aproximou, cada passo medido, cada olhar avaliando não apenas a garota, mas a determinação que ela carregava em meio ao terror.
— Se o seu pai me desse muito dinheiro… — ele começou, ameaçador, a voz firme, mas os olhos não mentiam — você acha que isso faria diferença?
— Por favor… eu imploro! — ela interrompeu, segurando as mãos dele — deixa ele vivo… eu prometo que não vou fugir, nunca! Só… por favor, não machuca ele!
O silêncio caiu pesado na sala. Alessando olhou para Marcelo, depois para Lívia. Nunca ninguém havia implorado por ele daquela forma — com tanto medo, mas também com tanta coragem. Algo dentro dele mudou naquele instante: o frio e implacável Bichão sentiu a atração mais perigosa e avassaladora que já conheceu.
— Muito bem… — murmurou finalmente — seu pai vai ficar vivo. Mas você vem comigo. Agora.
Lívia engoliu em seco, sentindo o coração disparar, a mistura de medo e fascínio queimando dentro dela. Alessando a olhava como se cada decisão fosse mortal, cada movimento, um risco — e, naquele instante, a química entre eles explodiu, perigosa e irresistível.