A fortaleza do perigo

780 Words
O carro preto deslizou pela rua silenciosa, as luzes da cidade piscando nas janelas enquanto Alessando dirigia com mãos firmes no volante. Lívia estava ao lado dele, ainda em choque, o corpo tenso, os olhos arregalados, tentando absorver tudo que acabara de acontecer. — Onde… onde você vai me levar? — a voz dela saiu quase como um sussurro, mas carregada de medo. Alessando não respondeu de imediato. Olhou para ela pelo retrovisor, os olhos escuros e intensos prendendo a atenção dela. Cada detalhe dele emanava perigo e poder, e Lívia sentiu seu coração disparar. — Você vai ficar comigo — disse ele, finalmente. — Até que seu pai pague o que me deve. Ela engoliu em seco, percebendo que aquela frase significava mais do que apenas dinheiro. Significava estar à mercê de um homem que vivia no mundo da violência, que não conhecia piedade. Mas também… havia algo nos olhos dele que a deixava presa, impossível de desviar. O silêncio entre os dois era pesado, cheio de tensão elétrica. Lívia tentava olhar pela janela, mas o medo e a curiosidade se misturavam. Alessando percebia cada movimento dela, cada respiração, cada tremor. A química era inegável, mesmo em meio ao medo. — Você… você não vai me machucar, não é? — ela perguntou, a voz trêmula, sem saber se implorava ou desafiava. — Não… — ele respondeu, com uma calma que contrastava com o perigo que emanava. — Mas não confunda isso com bondade. Você está aqui porque quis… ou pelo menos, porque o mundo decidiu que você não tinha escolha. Ela desviou o olhar, mordendo o lábio, sentindo uma mistura de raiva e fascínio crescer dentro dela. Cada palavra dele parecia uma promessa de perigo — e, ao mesmo tempo, um convite silencioso. Alessando respirou fundo, concentrando-se na estrada à frente, mas os olhos não deixavam de observá-la. Pela primeira vez, ele se pegou imaginando o que seria tê-la perto não como pagamento de dívida, mas por escolha própria… como se ela fosse dele de um jeito impossível de negar. A cidade passou em velocidade, os prédios e postes borrados pelo movimento. Dentro do carro, o silêncio era quebrado apenas pelos batimentos acelerados de Lívia e pela respiração firme de Alessando. A tensão entre eles era quase tangível, como uma corda esticada prestes a arrebentar. E, naquele instante, entre medo e fascínio, desejo e perigo, ambos sabiam: aquela noite não seria apenas sobre dívidas ou violência. Seria o início de algo impossível, perigoso e avassalador — um romance entre o gangster e a filha de sua vítima, onde cada olhar carregava tensão, cada toque poderia ser fatal, e cada segundo juntos aumentava a intensidade do que estava por vir. O carro preto atravessou ruas escuras até chegar a uma construção imponente, uma fortaleza quase inacessível, cercada por muros altos, câmeras e homens armados. Alessando Cardoso abriu a porta do veículo e, com gestos firmes, conduziu Lívia para dentro. O cheiro de armas, couro e combustível preenchia o ar. Homens fortemente armados patrulhavam os corredores, todos atentos, todos prontos para obedecer a um único comando: o de Alessando. Ele conduziu Lívia pelo prédio até um quarto no andar superior. — Fica aqui — disse ele, a voz firme, fria, mas sem qualquer ameaça direta. — Ninguém vai te tocar. Até que tudo seja resolvido. Ela entrou, fechou a porta atrás de si e encostou-se contra a parede, tremendo. Sentou-se no canto do quarto, abraçando os joelhos e deixando que as lágrimas descessem silenciosas. Medo, tensão e confusão se misturavam dentro dela. Do lado de fora, Alessando subiu para o seu quarto. A porta se fechou, e ele ficou sozinho com seus pensamentos. O silêncio da fortaleza, quebrado apenas pelo som distante dos guardas, parecia amplificar tudo que acontecia dentro dele. Ele se jogou na cadeira do seu quarto, apoiou os cotovelos nos joelhos e murmurou, como se falasse para si mesmo: — O que aconteceu comigo…? — a voz grave, rouca, carregada de surpresa e confusão — Bastou eu ver ela… apenas olhar nos olhos dela… e meu coração… despertou. Ele fechou os punhos, tentando controlar o turbilhão de sentimentos que surgiam. A violência, o medo, o poder que ele exercia, tudo parecia irrelevante diante do impacto daquele olhar azul que o atravessara, mostrando vulnerabilidade e coragem ao mesmo tempo. Alessando nunca havia sentido algo assim. Nunca ninguém havia feito seu mundo de ferro e aço tremer com um simples olhar. E agora, enquanto a fortaleza permanecia implacável do lado de fora, ele se permitiu sentir: o desejo, a preocupação, o fascínio — e o terror silencioso de que aquela garota, de algum jeito, já havia mudado tudo dentro dele.
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