Alessando voltou ao quarto dela e a encontrou sentada na cama, os olhos ainda vermelhos de tanto chorar. Ele parou na porta, os ombros largos, o olhar frio e calculista.
— Vamos jantar — disse, sem rodeios, a voz firme como sempre.
Lívia ergueu o rosto, ainda tremendo:
— Não… agora, obrigada. Eu não tenho fome.
Ele se aproximou alguns passos, sem se sentar, mantendo a postura de sempre — autoritário, perigoso.
— Você precisa comer — disse, colocando à frente dela um pão e um copo de suco. — Não adianta me ignorar.
Ela assentiu, em silêncio, e se levantou devagar, caminhando na frente dele. Ele seguiu atrás, os olhos sempre atentos a cada movimento dela, cada gesto tenso.
À mesa de jantar, Alessando comeu em silêncio, mastigando devagar, observando. Ela comeu um pouco do pão, tomando um gole de suco, tentando manter a compostura.
— Eu não vou te machucar — disse ele, a voz grave, direta, mas sem afeto.
— Tá… obrigada — respondeu ela, engolindo em seco, consciente do perigo que ainda os cercava.
— Por que fez isso? — Alessando perguntou, direto, sem rodeios.
— Isso o quê? — ela respondeu, tentando manter o olhar firme.
— Se entregando no lugar do seu pai — ele disse, o tom pesado e ameaçador, como se cada palavra pudesse cortar a sala ao meio. — Não podia deixar que ele pagasse por nada sozinho.
— Meu pai é viciado… — ela começou, devagar, tentando explicar, com a voz firme apesar do medo — tão viciado que me deve muito dinheiro. Mas é meu pai. Depois que minha mãe morreu, ele se perdeu… e eu tive que trabalhar. Não era para ser assim.
— Eu sei — ele respondeu, frio, mas os olhos atentos. — Mas é a sua escolha agora.
— Eu tentei… — ela engoliu, a frustração e o desespero misturados — tentei pagar tudo. Mas a dívida dele é alta demais. Eu não consegui empréstimo. Não consegui nada…
Alessando permaneceu em silêncio, analisando cada palavra, cada gesto. Ele respirou fundo, mantendo a postura de sempre: firme, ameaçador, c***l com quem merecia, mas tentando não ser brutal com ela.
— O que eu falei pro senhor lá na casa do meu pai continua valendo — ela disse, olhando firme — Eu não vou fugir daqui. Prometo. Só peço duas coisas: não machuca meu pai. E me aceita como pagamento. Se quiser, me venda pra qualquer lugar… mas não machuca ele.
Alessando cruzou os braços, permanecendo rígido, frio, mas sem violência. Ele não demonstraria ternura, não faria promessas de cuidado ou amor. Mas, por algum motivo, algo na entrega e na coragem dela o impediu de ser c***l como faria com qualquer outro. Ele apenas olhou, sério, atento.
— Tá bem — disse ele, seco — seu pai fica vivo. Mas você… — pausou, olhando firme nos olhos dela — você é minha agora. Entendeu?
Ela assentiu, a mistura de medo e tensão consumindo cada movimento seu. Alessando se levantou, deixando a mesa, seu olhar ainda fixo nela. Ele não era gentil, não iria se desculpar, mas também não faria m*l a ela — pelo menos, por enquanto.
E naquele silêncio pesado, ele percebeu algo que não admitiria: com ela, não podia ser tão c***l. Ainda não.
Os corredores da fortaleza eram silenciosos, mas cheios de vigilância. Homens armados patrulhavam cada andar, prontos para qualquer sinal de desobediência. Lívia aprendeu rapidamente: ali não havia espaço para erros.
Alessando a colocou em um quarto modesto, mas seguro, longe do acesso dos homens. Cada objeto estava no lugar, a porta trancada, mas ela podia ouvir o eco distante da movimentação da fortaleza, lembrando que estava cercada por perigo o tempo todo.
Ele apareceu no quarto algumas horas depois, firme, sem qualquer sinal de suavidade.
— Levanta. — Alessando comandou, a voz grave, direta. — Vamos às regras.
Lívia se levantou, tensa, mas atenta. Cada gesto dele transmitia autoridade.
— Aqui você não é livre. — disse ele, andando de um lado para o outro. — Mas também não vou te machucar se obedecer. Entendeu?
Ela assentiu.
— Não se atrase, não fale sem ser chamada, não tente fugir. — continuou ele, com o olhar penetrante — Quebrar qualquer uma dessas regras terá consequências. Para você ou para seu pai.
Ela engoliu, consciente do perigo, mas também sentindo que Alessando, embora duro, não seria c***l com ela como é com todos os outros. Ele observava, avaliava, e embora fosse frio, havia algo que o impedia de machucá-la desnecessariamente.
Nos dias que se seguiram, Alessando manteve a rotina. Ele controlava tudo: o movimento da fortaleza, os guardas, as informações sobre dívidas e negócios. Mas sempre havia momentos em que Lívia precisava se alimentar, se manter segura ou se acostumar com o ambiente. Nesses momentos, ele se aproximava, não como protetor delicado, mas como alguém que não podia permitir que ela se machucasse.
Ela sentava à mesa, comendo sob seu olhar firme. Ele não conversava desnecessariamente, mas de vez em quando falava:
— Não se esqueça do que eu falei. Obedece. — e depois se afastava, deixando o silêncio reinar.
Ela aprendeu a medir os passos dele, os tons da voz, o que podia ou não fazer. Alessando, por sua vez, não conseguia ignorar o fato de que ela não reagia como uma vítima comum. Havia coragem ali, um senso de dignidade que o fazia hesitar antes de ser brutal com ela.
— Não é sobre gentileza — ele pensava sozinho, deitado em seu quarto — mas com ela… de algum modo, eu não consigo ser como sou com os outros.
Ele não admitiria, mas estava consciente: aquela garota mudaria a forma como ele agia, pelo menos um pouco. E no mundo c***l e violento em que vivia, qualquer mudança era perigosa — para ele e para ela.
E assim os dias se passaram: tensão constante, regras rígidas, medo e respeito, e o silêncio pesado de dois mundos diferentes colidindo na fortaleza de Alessando. Ela aprendia a sobreviver. Ele aprendia a se controlar. E entre eles, algo perigoso começava a se formar — não amor, não amizade, apenas uma linha tênue de interesse e curiosidade, onde qualquer passo em falso poderia ser fatal.