vigilia

610 Words
Passaram-se algumas semanas desde que Lívia chegou à fortaleza. Cada dia seguia uma rotina rígida: ela obedecia às regras, aprendia a lidar com o medo e tentava se manter fora de problemas. Alessando continuava firme e implacável com todos, mas com ela… havia sempre um cuidado controlado. Ele não era gentil, mas tentava não ser c***l. Naquela noite, enquanto ela terminava de organizar algumas coisas no quarto, ouviu a voz grave dele do corredor: — Ei… vem pro meu quarto. Vamos ver um filme. Ela parou, surpresa, os olhos arregalados. O tom dele não era convidativo, nem amigável. Era uma ordem, direta e firme, como sempre. Ela engoliu em seco, mas assentiu: — Tá… — disse baixinho, tentando controlar o coração acelerado. Ela saiu do quarto e caminhou pelo corredor escuro, com ele logo atrás. O som dos passos dele era pesado, cada movimento transmitindo autoridade e perigo. A tensão no ar era quase física. Quando chegaram ao quarto dele, Alessando fechou a porta atrás de si, mantendo a postura rígida, os braços cruzados. Ela sentou-se na cadeira, enquanto ele se jogou no sofá, silencioso. — Assiste ao filme — disse ele, apontando para a tela já ligada — e não faz nada de errado. Ela assentiu, tentando parecer calma, embora o medo misturado com curiosidade queimasse dentro dela. Alessando, mesmo estando no mesmo ambiente, não relaxava, seus olhos escuros sempre atentos, medindo cada gesto, cada respiração dela. — Tá… — ela murmurou, segurando o cobertor sobre os joelhos. — Não vou fazer nada. Ele apenas observou, sem dizer uma palavra, deixando o silêncio dominar a sala. Não havia gentileza, não havia sorrisos. Havia apenas Alessando — frio, implacável, e ainda assim, tentando não ser c***l com ela. E naquele silêncio pesado, enquanto o filme rolava, ambos sabiam que a tensão entre eles não era apenas medo ou obediência. Era uma linha invisível de poder, controle e curiosidade, prestes a explodir a qualquer momento. O filme terminou, a tela ficou escura, iluminando apenas o quarto com uma luz fraca. Alessando se recostou no sofá, o olhar pesado sobre ela, e quebrou o silêncio: — E aí… o que você achou do filme? — Achei o filme muito legal, senhor — respondeu ela, com a voz calma, tentando não demonstrar nervosismo. — Mas agora eu gostaria de descansar. Posso ir pro meu quarto? Ele ergueu o olhar, atravessando-a com a expressão firme, quase uma lâmina. — Não. — disse, curto e definitivo — Essa noite você vai dormir aqui. Tá bem? Ela engoliu em seco, assentiu e seguiu as instruções sem protestar. Deitou-se em um canto do quarto, abraçou o cobertor, virou para o lado e fechou os olhos, tentando se convencer de que estava segura, apesar da tensão que preenchia o ar. Alessando permaneceu em silêncio, em pé perto da porta, observando cada movimento dela. Não se aproximou, não falou. Apenas ficou ali, imóvel, atento. Cada respiração dela, cada movimento leve, parecia amplificar o controle que ele exercia — não de forma c***l, mas de maneira absoluta. Ele sabia que ela era vulnerável, mas também que não precisava ser tratada com violência. Pelo menos, não ela. Seu olhar sobre ela não era gentileza, nem afeição; era vigilância, avaliação e, de algum modo, respeito contido. O quarto ficou silencioso, o único som era a respiração ritmada de Lívia. Alessando permaneceu ali, imóvel, sabendo que, por enquanto, ela estava segura, mas também consciente de que cada segundo naquele espaço representava poder, controle e tensão. E assim, ele ficou observando. Sem palavras, sem suavidade, apenas o implacável gangster que sempre fora, tentando controlar o que sentia, sem nunca perder o domínio da situação.
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