A fumaça tinha gosto de enxofre e amônia. Ela queimava a garganta e fazia os olhos lacrimejarem instantaneamente, transformando o salão de baile em uma câmara de gás branca e impenetrável. Mas a fumaça não era o problema. O problema era o medo. O estouro da bomba de gás foi o gatilho. A elite siciliana, tão polida e arrogante minutos atrás, reverteu ao estado animal em segundos. Ouvi o som de taças quebrando, mesas sendo viradas e o tropel de centenas de sapatos caros correndo em direção às portas principais. Eles gritavam "Atentado!", "Fogo!", "Arma!". Eu não tinha tempo para isso. Apenas me movia. Prendi a respiração para não inalar o gás e avancei para onde eu sabia que elas estavam. Empurrei um senador gordo que bloqueava meu caminho com força suficiente para jogá-lo no chão. Um

