O som da tranca do banheiro girando foi o que prendeu minha atenção. Um desafio. A fúria que senti não era quente. Era gelada. Era o insulto. A audácia. Avancei até a porta. BOOM. BOOM. BOOM. Bati na madeira com o lado do punho. — Apri! Nenhuma resposta. Apenas o som de uma respiração ofegante do outro lado. — Apri questa porta, o la sfondo! (Abra esta porta, ou eu a arrombo!) Ouvi um som metálico fraco. A tranca. A porta se abriu, devagar. Ela estava lá. Encolhida no canto mais distante do banheiro, o corpo tremendo, a seda molhada ainda colada à pele. O rosto pálido de pavor. Mas não estava indefesa. Em sua mão, oculta parcialmente atrás da coxa, estava minha navalha de barbear. A visão era tão patética. Tão desesperada. Tão... inútil. Eu, que tinha esmagado a vida de uma

