As palavras dele - Eu nem mesmo a conheço. E não sinto a menor atração por você -, cuspidas pela voz eletrônica do celular, foram a chave que destrancou a tensão em meu corpo. Um alívio tão imenso e avassalador me atingiu que minhas pernas cederam. Joguei-me na poltrona de couro, o corpo desabando, mole. O ar voltou aos meus pulmões em um suspiro longo e trêmulo. — Graças a Deus, bicho feio — murmurei em português, baixo demais para que ele ouvisse, mas alto o suficiente para que eu mesma me sentisse um pouco melhor. Mas minha paz durou pouco. Vi quando ele tirou do bolso o pequeno canivete, o mesmo que usara para cortar as latas. A lâmina brilhou sob a luz do abajur. Ele se aproximou do celular. — Pelo bem de nós dois, preciso fazer uma coisa. A tradução terminou de soar no silê

