Capítulo 15: Emanuele

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O silêncio que se seguiu à minha obediência era diferente. Mais pesado. Mais perigoso. Sentei-me ereta na cadeira, as mãos fechadas em punhos sobre o colo, sem ousar tocar no prato de comida que o traste me servira. Meus olhos estavam fixos no homem na cabeceira da mesa. Don Vittorio me observava. Seu prato estava vazio, impecavelmente limpo. A taça de vinho pela metade. Sobre a porcelana, os talheres de prata pesada estavam cruzados, formando um X. A imagem me pareceu estranha, e então eu entendi. Era o gesto de quem abraçava a etiqueta à mesa, um verniz de civilidade, mas que não fazia questão de esconder a verdade. O crime, para ele, era mais precioso, pois não fingia ser o que não era. Ele não fingia que não tinha me comprado. Ele inclinou a cabeça, o movimento lento, quase imper

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