O apartamento de Chiara cheirava a alho, vinho branco e mar. Enquanto eu me sentava à pequena mesa de madeira da sua cozinha, observando-a se mover com uma graça descomplicada, o peso do sobrenome Rossi escorregava dos meus ombros para uma realidade em que ele não existia. O jantar não era um banquete silencioso e formal. Era uma única travessa de pasta con gamberi rossi, um prato simples que, nas mãos dela, se tornava uma obra de arte. Era comida de verdade, feita com amor, não com a obrigação de impressionar. Ao final do jantar, enquanto tomávamos o resto do vinho branco na pequena varanda, eu tirei a pequena caixa do bolso. — Para você. Ela abriu, e seus olhos se arregalaram. Eram os brincos. Aqueles que ela tinha achado lindos mais cedo, na vitrine de uma pequena joalheria no C

