O sol já passava do meio-dia quando ele finalmente se mexeu. Eu passei a manhã inteira ali, na poltrona, observando-o dormir, sem conseguir ler. Pelo menos ele estava bem limpinho. As roupas sujas e ensanguentadas tinham desaparecido, provavelmente jogadas no lixo do banheiro. No lugar delas, ele usava uma calça de moletom escura e uma camiseta simples que ele deve ter vestido após o banho, antes de desabar, enquanto eu permanecia de costas após ver... não preciso mais repetir isso, né? A ausência do sangue tornava a cena quase normal. Quase. Enquanto o observava, imóvel, um pensamento sombrio e proibido me ocorreu. E se ele morresse? Assim, dormindo. Um ataque cardíaco, um aneurisma, qualquer coisa. O que aconteceria comigo? A liberdade... eu seria mandada de volta? Ou seria apenas...

