Capítulo 29: Emanuele

571 Words

Subir naquela máquina de metal e couro usando um vestido de noiva foi um dos atos mais desajeitados e humilhantes da minha vida. O tecido de seda se prendia em tudo, e os sapatos de salto eram inúteis. O homem, meu então marido, esperava com uma impaciência contida, sem fazer o menor movimento para me ajudar. Quando finalmente me ajeitei na garupa, o pânico me atingiu. Eu teria que me segurar nele. Nele. O traste que me olhava como se eu fosse um verme. Engoli meu orgulho e o pouco que restava da minha raiva e, com as mãos hesitantes, agarrei a lateral do seu paletó caro. Senti os músculos de suas costas se retesarem sob o meu toque. Ele não disse nada. Apenas ligou a moto, e o mundo explodiu em um barulho infernal. O rugido do motor era ensurdecedor, mas era abafado pelo som das latas

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