Bati a porta do meu quarto com mais força do que o necessário, o som ecoando no espaço que era meu único refúgio. Andei em círculos sobre o tapete persa, tentando digerir não apenas a refeição, mas o caos que se instalara em minha vida nas últimas horas. A chegada da brasileira. A ordem absurda de meu pai. Um neto. O mais rápido possível. A intervenção de minha Nonna, cujos motivos eu jamais conseguia decifrar. O divertimento no rosto de Romeo, meu irmão perfeito, o intocável. Parei em frente à janela, abrindo as persianas de madeira com um gesto brusco. A luz elétrica do meu quarto contrastava com a escuridão da noite lá fora, iluminando as vinhas que se estendiam até onde a vista alcançava. Meu quarto era meu. Um santuário de modernidade dentro daquela fortaleza antiga. As paredes

