Olivia Hayes O relógio marcava nove e vinte quando abri o computador. O dia já tinha começado, mas eu não conseguia me sentir parte dele. As linhas na tela se embaralhavam, os relatórios pareciam distantes, e as vozes ao redor eram como murmúrios distorcidos em um aquário. Eu respondia mecanicamente, com um aceno, um “sim” rápido, ou um sorriso pálido que não chegava aos olhos. Depois da noite anterior — depois das palavras que Alessandro me lançou como lâminas e do silêncio que se seguiu — meu corpo parecia funcionar no automático. Só minha mente se recusava a obedecer. O que eu não esperava era a mensagem curta, quase protocolar, que surgiu no meu e-mail pouco antes do almoço: "Encontro resolutivo. 18h. Sala de reuniões 10." Sem assinatura. Não precisava. Alessandro não tinha o hábi

