Olivia Hayes O primeiro aviso veio com um bip. Simples, banal, quase delicado. O tipo de som que, em qualquer outro dia, eu ignoraria. Mas naquela manhã o celular vibrou com a pontualidade de quem aperta um relógio contra o meu pulso. Alessandro: Onde você está agora? A tela ainda exibia o mapa com o trajeto do motorista corporativo que me deixara poucos minutos antes. Eu estava a dois andares do escritório, café nas mãos, tentando parecer uma mulher comum. Devolvi um “acabei de chegar”, e uma resposta surgiu antes que eu guardasse o telefone: Alessandro: Vi você descer. Ligue quando entrar. Entrei. Liguei. Disse “bom dia”. O silêncio do outro lado não era vazio: era checagem. Ele respirou como quem coleta dados, e depois desligou. Eu fiquei com o copo quente entre os dedos absurdame

